Lula cancela ida a posse de Kast no Chile após Flávio confirmar presença
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu cancelar a viagem que faria ao Chile para participar da posse do novo presidente do país, José Antonio Kast, prevista para esta quarta-feira 11. A mudança na agenda ocorreu um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmar que também estará presente na cerimônia.
A assessoria de Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, informou que ele manterá a participação no evento.
O governo brasileiro não apresentou explicações públicas para a mudança de planos. Na manhã do mesmo dia, Lula recebeu no Palácio do Planalto o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para uma reunião de despachos que já estava prevista anteriormente.
Com o cancelamento da viagem presidencial, Mauro Vieira foi designado para representar o Brasil na cerimônia de posse.
Inicialmente, estava previsto que Lula embarcaria para o Chile nesta terça-feira para cumprir agenda oficial na quarta. Entre os compromissos programados estava uma reunião bilateral com José Antonio Kast no Palácio Presidencial Cerro Castillo, localizado em Viña del Mar. Após o encontro, Lula participaria da cerimônia de posse no Congresso Nacional chileno, em Valparaíso.
Na pauta do encontro bilateral estavam temas como comércio exterior, investimentos e turismo. Também poderia ser discutido o apoio do Brasil à candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas.
A eventual presença de Lula na cerimônia era interpretada como um gesto de pragmatismo diplomático diante da eleição de Kast, um político identificado com a direita chilena. A participação representaria um contraste com o episódio da posse do presidente argentino Javier Milei, em dezembro de 2023, quando Lula decidiu não comparecer.
José Antonio Kast é considerado o líder mais à direita a assumir a presidência do Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, que governou o país entre 1973 e 1990. Sua posse marca também o encerramento de quatro anos de governo do presidente Gabriel Boric, aliado político de Lula na América do Sul.
Apesar das diferenças ideológicas entre os governos, Brasil e Chile mantêm interesses comuns em áreas como turismo, transporte aéreo e projetos de integração regional, incluindo a rota bioceânica que conecta países do Atlântico ao Pacífico.
A presença de Lula na posse havia sido solicitada mais de uma vez pelo próprio Kast. Os dois se encontraram no fim de janeiro deste ano, no Panamá, durante um evento internacional.
Na ocasião, os presidentes conversaram por mais de uma hora e destacaram a importância de preservar e ampliar as relações bilaterais. Entre os temas citados estavam cooperação em infraestrutura, energia renovável, comércio e turismo.
Segundo pessoas que acompanharam a reunião relataram ao jornal Folha de S. Paulo, Lula avaliou positivamente o encontro. Durante a conversa, os dois líderes reconheceram representar correntes políticas distintas, mas concordaram que o relacionamento entre os países deveria seguir orientado pelo pragmatismo.
Esta não é a primeira vez que Lula deixa de comparecer à posse de um presidente latino-americano identificado com a direita. O presidente brasileiro também não participou da cerimônia que marcou o início do mandato de Rodrigo Paz na Bolívia, evento realizado em La Paz após a vitória do candidato que encerrou um longo período de governos de esquerda no país vizinho.
Na ocasião, o Brasil foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Por outro lado, Lula esteve presente na posse do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que também pertence a um campo político de direita.
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