Maioria dos brasileiros critica outro ‘tarifaço’ de Trump
O possível novo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros provocou forte reação nas redes sociais, ampliou o desgaste político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Por Redação – de São Paulo
O mais recente embate do governo de Donald Trump contra o governo Lula, com apoio da família de Jair Bolsonaro, explodiu nas redes sociais. De acordo com o monitoramento da AtivaWeb Datalab, foram 15 milhões de interações até o fim da tarde desta terça-feira. Do total, 78% foram de “sentimento negativo” contra Trump e a família Bolsonaro. Outras 11,7% expressavam sentimentos positivos, e 10,3%, neutros.

O possível novo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros provocou forte reação nas redes sociais, ampliou o desgaste político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e impulsionou manifestações em defesa do PIX e da soberania nacional, em linha com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo levantamento da consultoria, o tema gerou 8,6 milhões de menções entre 8h e 13h da véspera. O monitoramento analisou a repercussão do anúncio de que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias nacionais.
A pesquisa levanta que a maioria das publicações foram críticas à medida anunciada pelos EUA. Segundo a consultoria, 67,8% das manifestações tiveram teor negativo em relação ao anúncio norte-americano. Quando o recorte foi feito especificamente sobre as tarifas, o índice de rejeição chegou a 81%.
Adesão
Outro eixo de forte repercussão envolveu a associação do clã Bolsonaro ao tema. Nesse caso, 69% das menções tiveram viés negativo. Já a narrativa de defesa da soberania nacional registrou maior adesão positiva, com 74,2% de sentimento favorável nas publicações analisadas.
O resultado mostra que o anúncio norte-americano rapidamente se transformou em disputa política no ambiente digital. De um lado, perfis governistas passaram a relacionar o tarifaço à atuação de aliados e integrantes da família Bolsonaro. De outro, parlamentares e apoiadores bolsonaristas tentaram afastar Flávio Bolsonaro da medida e atribuíram a responsabilidade ao governo Lula (PT).
Bolsonaro
As críticas contra Flávio Bolsonaro ganharam força entre perfis alinhados ao governo. A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) atribuiu o anúncio feito pelo governo americano a uma articulação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ela classificou Eduardo e integrantes de sua família como “traidores da pátria e do povo brasileiro”.
O vice-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), também associou a atuação internacional de bolsonaristas a prejuízos para o país. Em publicação nas redes, escreveu: “quem faz política internacional contra o próprio país não pode depois fingir surpresa quando interesses estrangeiros avançam sobre conquistas nacionais”.
A hashtag “Tariflávio” foi impulsionada por perfis de esquerda e chegou aos assuntos mais comentados do X. A expressão circulou junto de outras mensagens, como “o PIX é nosso” e “Bolsonaros inimigos do Brasil”, em publicações que buscavam vincular a família Bolsonaro ao avanço da pressão comercial dos Estados Unidos contra o Brasil.
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