Mentiras deixam Flávio Bolsonaro nu em praça pública

Mai 17, 2026 - 15:00
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Mentiras deixam Flávio Bolsonaro nu em praça pública

As reportagens do Intercept revelando a proximidade do clã Bolsonaro com o maior bandido do Brasil atingiram o bolsonarismo com requintes de crueldade. 

Os episódios que antecederam à publicação das reportagens e os que a sucederam parecem fazer parte de um roteiro escrito por alguém que odeia muito a família Bolsonaro. É cinema absoluto!

Há uma semana, Flávio Bolsonaro divulgou nota  cobrando “ampla apuração” do caso de  corrupção envolvendo o Banco Master. Ciro Nogueira, um dos maiores aliados da sua candidatura, tinha sido pego recebendo um mensalão de Vorcaro. Mas Flávio se fez de louco e manteve o personagem indignado. Como se não tivesse nada a ver com isso, o senador passou a desfilar com uma camisa estampada com os dizeres: “O Pix é do Bolsonaro. O Master é do Lula.” O cinismo e a desfaçatez foram ousados, o que faria o tombo ser ainda maior.

FLORIANÓPOLIS, SC - 10.05.2026 - POLITICA-FLAVIO BOLSONARO. Pré-lançamento da campanha para presidente do Senador Flavio Bolsonaro (PL) e Governador Jorginho Melo (PL) no Stage Parque em Jurerê Internacional em Florianópolis. Na foto Flavio Bolsonaro usa uma camisa verda com os escritos "O pix é do Bolsonaro o Master é do Lula". (Foto: Anderson Coelho/Folhapress)
Foto: Anderson Coelho/Folhapress

‘Militante’

Eis que o jornalismo trouxe à tona os fatos que o senador tentou esconder. Horas antes da #VazaFlavio ser publicada, o repórter do Intercept Thalys Alcântara perguntou para Flávio pessoalmente se ele negociou com Vorcaro pagamentos para a produção do filme sobre o seu pai. Flávio ficou desnorteado com a pergunta. Em um intervalo de 20 segundos, ele negou os pagamentos, gargalhou forçadamente, chamou o jornalista de “militante”, virou-se de costas e resmungou: “é dinheiro privado! é dinheiro privado”. 

O senador começou a resposta negando os pagamentos, quase teve uma síncope e terminou admitindo. Foi uma cena tão constrangedora que quase fiquei com pena do senador (mentira). 

Pouco tempo depois, o Intercept completou o drible da vaca e publicou conversas em que Flávio e Vorcaro se tratavam como grandes amigos. “Estou e estarei contigo sempre”, prometeu o senador para o maior ladrão do Brasil um dia antes dele parar na cadeia.


De lá pra cá, o senador não só omitiu essa intimidade com o banqueiro como negou de forma veemente qualquer relação com ele. Pior que isso: Flávio se apresentou como um dos maiores indignados com a lama do Banco Master. É um grau de cinismo alto demais até mesmo para os padrões de quem foi criado por Jair Bolsonaro. 

Encontro com JB na casa de D

O senador ficou nu em praça pública enquanto era coberto por uma pororoca de mentiras. Segundo a agência de checagem Aos Fatos, ele contou ao menos 12 mentiras sobre o caso antes da publicação da reportagem. Ninguém pode se dizer surpreso, já que Flávio é reconhecidamente um mentiroso contumaz desde os tempos em que desviava dinheiro do seu gabinete para financiar prédios das milícias no Rio de Janeiro. 

Na última quinta-feira, uma nova reportagem do Intercept revelou que a proximidade dos Bolsonaros com o mafioso era ainda maior do que se imaginava. Conversas privadas mostraram que Vorcaro topou receber Jair Bolsonaro em sua mansão em Brasília para “assistirem juntos” a um documentário, possivelmente “A colisão dos destinos”  sobre a trajetória do ex-presidente. A reunião tinha como objetivo pedir o apoio de Vorcaro para financiar a produção do longa “Dark Horse”. Não se sabe se a reunião aconteceu, mas se sabe que o Pix para o filme caiu.

Explicar o inexplicável

A #VazaFlávio foi trágica para o bolsonarismo. Enquanto algumas figuras expoentes da fauna bolsonarista largaram a mão de Flávio, outros entraram em desespero na tentativa de encontrar uma narrativa que explique o inexplicável. 

Cada um falou uma coisa diferente. Flávio admitiu que recebeu o dinheiro de Vorcaro para o filme, mas a própria produtora — endossada por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo — negou ter recebido qualquer centavo.

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Ninguém conseguiu explicar até agora onde foi parar a grana que Vorcaro deu pro Flávio. Parece que o filme realmente não recebeu os R$ 61 milhões combinados, já que, segundo o G1, há denúncias na produção de ”comida estragada, alimentação insuficiente, longas jornadas de trabalho e atrasos de pagamento”.

Cadê a grana?

Mas, afinal, onde está a grana do Vorcaro? A Polícia Federal suspeita que ela foi usada para financiar as despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA, cuja atividade principal é conspirar contra o governo brasileiro.

O dinheiro prometido a Flávio teria sido transferido pela Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Vorcaro, a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA. Trata-se da mesma empresa utilizada no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Nunca foi tão fácil ligar os pontos.

A ligação carnal de Vorcaro com o bolsonarismo sempre foi límpida e clara. 

Por mais que a máfia tenha tragado diversos partidos e poderes para lama, o escândalo do Banco Master sempre foi essencialmente bolsonarista. A roubalheira do Vorcaro não seria possível sem a leniência do Banco Central sob o governo Bolsonaro e sem o apoio de Ciro Nogueira.

O maior bandido do Brasil doou milhões para campanhas bolsonaristas e investiu pesado em um filme panfletário sobre a vida de Jair Bolsonaro a ser lançado em ano de eleição. Será que Vorcaro é bolsonarista? Será?

Cinismo apoiando cinismo

Se antes já estava difícil para a grande imprensa sustentar a tese do “escândalo suprapartidário”, agora ficou ainda mais, certo? Errado. O powerpoint da GloboNews foi só um aperitivo. Poucas horas após a publicação da #VazaFlavio, Lauro Jardim estampou a seguinte manchete em sua coluna no O Globo: “Vorcaro também financiou filmes sobre Lula e Temer”.

Pronto! Foi servida a carniça para a urubuzada bolsonarista arrastar o principal adversário de Flávio para a sua lama. A apuração do jornalista se limitou a falas de “pessoas ligadas a Vorcaro”. Não há um mísero indício que sustente a manchete. Isso é tudo, menos jornalismo. Não há absolutamente nenhum indício de que Vorcaro financiou o filme sobre Lula. 

Dois dias depois, veio a capa da revista Veja, mostrando que a grande imprensa não está para brincadeira em ano eleitoral.

Capa da revista Veja de 15 de maio. Imagem: Reprodução/Veja

Num passe de mágica, conseguiram transformar uma hecatombe bolsonarista em suprapartidária. O cinismo de Flávio Bolsonaro agora está apoiado pelo cinismo da grande imprensa. A militância bolsonarista, que estava murcha e sem saída, recebeu a munição necessária para voltar a babar nas redes sociais.

Dessa vez, a narrativa não foi fabricada no computador do Carluxo, mas publicada pela Veja e por um jornalista do grupo Globo. 

Ora, ora. Parece que agora, sim, estamos diante do chamado “jornalismo militante”, não é mesmo? As verdades que o jornalismo sério revelou foram ofuscadas por um jornalismo empenhado em defender a candidatura da extrema direita.

Enquanto uma reportagem está embasada por provas irrefutáveis, as outras estão embasadas por amiguinhos anônimos do bolsonarista Daniel Vorcaro. Podem continuar forçando a barra, mas dificilmente vão conter a força avassaladora das verdades contidas na #VazaFlávio.

Enquanto uns jornalistas militam pela democracia e pela verdade, outros militam pelo candidato escolhido pelo maior ladrão do Brasil.

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