Meta é condenada nos EUA a pagar US$ 375 milhões por falhas na proteção de crianças

Mar 25, 2026 - 14:00
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Meta é condenada nos EUA a pagar US$ 375 milhões por falhas na proteção de crianças
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A Meta enganou usuários sobre a segurança de suas plataformas e acabou permitindo a exploração sexual de jovens, concluiu um júri no estado do Novo México nesta terça-feira (24). É uma das primeiras grandes derrotas da gigante das redes sociais em um caso envolvendo proteção de crianças.

O procurador-geral do estado, Raúl Torrez, processou a empresa em 2023, acusando a Meta de vender a ideia de que seus aplicativos eram seguros, enquanto falhava em proteger menores. Segundo a ação, falhas graves nos protocolos de segurança abriram espaço para que predadores sexuais entrassem em contato com adolescentes.

O júri, em um tribunal distrital em Santa Fe, decidiu que a Meta deve pagar US$ 375 milhões em indenizações por violar leis estaduais de defesa do consumidor.

“O veredicto é uma vitória histórica para cada criança e família que pagou o preço pela escolha da Meta de priorizar lucro em vez da segurança dos jovens”, disse Torrez em comunicado. “Os executivos sabiam que os produtos faziam mal às crianças, ignoraram alertas de funcionários e mentiram ao público sobre o que sabiam.”

A empresa disse que vai recorrer. “Vamos continuar nos defendendo com firmeza e seguimos confiantes no nosso histórico de proteção a adolescentes online”, afirmou Andy Stone, porta-voz da Meta.

Nos últimos anos, milhares de processos foram apresentados por famílias, distritos escolares e procuradores-gerais contra Meta, Snap, TikTok e YouTube, alegando que essas plataformas prejudicam jovens usuários.

A decisão no Novo México é a primeira derrota da Meta — dona de Facebook e Instagram — em uma série de julgamentos previstos para este ano. Em Los Angeles, um júri já delibera há mais de uma semana em um caso considerado “piloto” sobre vício em redes sociais, no qual Meta e YouTube são acusadas de prejudicar a saúde mental de uma usuária com mecanismos de design considerados viciantes.

Pais, autoridades e o próprio setor de tecnologia acompanhavam o julgamento de perto pelo potencial de obrigar mudanças no desenho dos produtos da Meta.

Torrez disse que vai pedir ao juiz, Bryan Biedscheid, novas penalidades financeiras em uma etapa do processo que começa em 4 de maio, além de medidas que forcem a empresa a alterar seus apps para torná-los mais seguros para jovens.

“Entre este caso e o julgamento em Los Angeles, pais, sobreviventes e autoridades estaduais estão fazendo sua parte para colocar as big techs contra a parede”, afirmou Josh Golin, diretor-executivo da Fairplay, entidade que atua na defesa de crianças.

Para montar o caso, investigadores do estado se passaram por menores de idade, atraíram predadores online e registraram tentativas de aliciamento. Segundo a ação, o Instagram é hoje um “terreno fértil” para exploração sexual.

O julgamento durou seis semanas e ouviu professores, investigadores e delatores que relataram problemas de segurança nas plataformas da Meta. O júri começou a deliberar na segunda-feira.

“As consequências estão chegando”, disse Matthew Bergman, advogado do Social Media Victims Law Center, que representa a parte autora em um processo civil contra a Meta em Los Angeles. “É o primeiro passo em direção a uma responsabilização real.”

c.2026 The New York Times Company

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