"Não foi o PT que criou a maior fila de saúde da história", exalta Grass

Out 15, 2026 - 08:00
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"Não foi o PT que criou a maior fila de saúde da história", exalta Grass

O candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF) Leandro Grass (PT) destacou a saúde pública como principal foco de seu governo, caso eleito. A declaração foi feita durante sabatina do Correio Braziliense, realizada, ontem, com apoio da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) e conduzida pelas jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos. Na entrevista, Grass apresentou propostas para áreas como educação e segurança pública, além de defender a regularização de ocupações e obras de infraestrutura em áreas irregulares do DF.

Tendo como foco a redução das filas de exames, consultas e cirurgias, o petista defendeu a realização de mutirões à noite, de madrugada, nos fins de semana e feriados, e a ampliação da capacidade de atendimento da rede pública de saúde. "O plano de enfrentamento para reduzir as filas de exames, de cirurgias e consultas será nossa prioridade máxima", declarou Grass.

Outra proposta apresentada por Grass é destinar 50% das emendas parlamentares à área da saúde. Segundo ele, os recursos ajudariam a ampliar a capacidade de contratação de profissionais. Grass defendeu a criação de unidades de saúde, como policlínicas e centros de referência. O candidato citou a necessidade de ampliar o atendimento especializado para pacientes com doenças de pele, problemas hematológicos e pessoas que precisam de diagnóstico de autismo. 

O candidato destacou que o orçamento do Distrito Federal é suficiente para arcar com os custos do modelo atual e do seu pacote de mudanças. "O valor de quase R$ 14 bilhões atenderia e conseguiria sustentar os custos das minhas propostas para a saúde", afirmou. Grass ressaltou que pretende implementar as medidas em parceria com o Ministério da Saúde e mobilizar tanto a rede pública quanto a privada para acelerar os atendimentos.

Um dos cortes previstos num eventual governo do petista é o fim do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF). Apesar de extinguir o instituto, Grass reforçou que os empregos dos servidores serão mantidos e integrados à rede pública. "Tem mais de 13 mil trabalhadores hoje, nós vamos manter todos. Recebi uma mensagem que diziam que eu ia demitir todo mundo, isso é mentira. Eu preciso desses profissionais", enfatizou. 

Educação e segurança

Além do pacote emergencial para a saúde, Grass apresentou propostas para outras áreas. Na educação, prometeu escola em tempo integral, com projetos de cultura, tecnologia e esporte, além de parcerias com o Sistema S (Sesi, Senai, Senac, Fecomércio) para profissionalização e bolsas. "O ensino médio hoje do DF é o pior ensino médio do Brasil. Isso é uma vergonha", destacou.

Na segurança pública, o candidato defendeu policiamento ostensivo e monitoramento nas áreas de maior vulnerabilidade, e criticou o aumento da violência no Distrito Federal. "Bandido em Brasília, ou procura outro lugar para morar, ou para de fazer o que está fazendo, porque não vai ter jeito para eles não. Vamos implementar um sistema rígido de controle e monitoramento, policiamento na rua e medida protetiva. Não vai ter moleza para agressor", garantiu.

Sobre a redução da maioridade penal e o fim das audiências de custódia para reincidentes, Grass foi cauteloso. "Esse não é um debate, e nem é uma decisão que cabe ao governador, cabe ao Congresso Nacional. Agora, a minha opinião é: menos de 3% dos crimes hediondos são cometidos por jovens de 16, 17, 15 anos. Vai resolver? Tenho dúvida. Em algum lugar resolveu? Me dê uma evidência."

Fundo Constitucional

Em relação às contas públicas da capital, Leandro Grass defendeu seu partido e afirmou que PT não tentou destruir o Fundo Constitucional do DF. Ele mencionou discussões realizadas no Congresso Nacional sobre a correção do fundo e citou a participação de parlamentares em propostas de alteração das regras. Grass  argumentou que os valores destinados à capital do país têm registrado crescimento.  "Quanto que era o Fundo Constitucional no governo Bolsonaro? R$ 16 bilhões. Neste ano, o Fundo chegou a R$ 28 bilhões. Ano que vem pode chegar a R$ 30 bilhões. Ou seja, quem é que apoia o Distrito Federal e quem é que fortalece o Fundo Constitucional? O PT."

O petista rebateu a estratégia da adversária de associar ao PT supostas crises atuais. "O PT não governa o DF desde 2014. Não foi o PT que roubou o BRB. Não foi o governo do PT que criou a maior fila de saúde da história do DF. Não foi o PT que colocou o DF no último lugar do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no ensino médio. Essa é uma conversinha mole para boi dormir."

Mobilidade urbana

Durante a entrevista, um dos pontos abordados foi o transporte público e a mobilidade urbana. Grass defendeu a ampliação gradual da tarifa zero e a inclusão de novas linhas ao longo de quatro anos, caso seja eleito. Segundo o candidato, a proposta prevê contemplar estudantes, pessoas de baixa renda e trajetos de alta demanda. "Vai de graça, mas vai devagar, vai demorando, vai atrasando. No meu governo não. Ampliação das linhas, dos horários e tarifa zero, gradualmente, até os quatro anos de governo"

Na área ambiental e urbanística, Grass abordou problemas relacionados à drenagem, aos alagamentos e à ocupação de áreas vulneráveis. O candidato defendeu o reordenamento urbano e afirmou que famílias instaladas em locais degradados ou inadequados para moradia precisam ser reassentadas. A proposta envolveria a oferta de habitações em outros locais e a recuperação das áreas afetadas.

"Tenho que ter habitação, por isso que eu estou colocando como meta 40 mil unidades em quatro anos. Para que as pessoas que estão em áreas irregulares, elas tenham que modificar. Se são áreas passíveis de regularização, eu vou regularizar. Se não são por causa da questão ambiental, aí a gente vai ter que dar a essas famílias uma casa que não seja ali", enfatizou.

O petista defendeu mudanças na gestão dos resíduos sólidos e orgânicos do Distrito Federal. Ele afirmou que pretende ampliar o tratamento desses materiais e fortalecer as cooperativas que atuam no setor, com investimentos em estrutura e apoio para melhorar as condições de trabalho e geração de renda. "Tratamos menos de 5% do lixo em Brasília. As cooperativas estão sofrendo, não têm estrutura, não têm apoio. Vamos fortalecê-las, vamos implementar a biodigestão em Brasília", acrescentou.

Interferência digital

Durante a sabatina, Grass acusou a Meta, empresa responsável por plataformas como Facebook e Instagram, de suposta interferência em sua campanha e na tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o petista, em testes realizados com a Meta AI — chat de inteligência artificial do WhatsApp, o aplicativo não conseguia fazer imagens de campanha dele ou do presidente Lula, o que não se repetia caso o pedido fosse para criar uma imagem para Celina Leão. "Pedi para a inteligência artificial fazer uma imagem para a minha campanha e para a campanha da minha adversária. Ela (IA), explicou que não conseguia escrever Leandro 13 por razões técnicas, mas fez a da Celina", disse.

Classificando o episódio como "uma vergonha", Grass disse que se trata de "uma manipulação eleitoral internacional que opera no Brasil" e cobrou providências dos órgãos competentes. "Que o Ministério Público Federal, Supremo Tribunal Federal (STF), ou o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tome as providências ou as eleições do Brasil, independentemente de qual seja o resultado, serão concluídas de maneira suja", frisou o candidato.

Sobre as manifestações realizadas na última terça-feira, Grass destacou o apelo popular e a mobilização feita pelos jovens, definindo como "um ato não partidário". Justificando sua fala, ele argumentou que compareceu ao ato e encontrou pessoas de diversos aspectos políticos. "Eu fui à Esplanada, e tinha gente de esquerda, de direita, pessoas sem filiação partidária e muito estudante e jovem consciente da situação do país em nível nacional", disse.

Grass disse que os jovens querem estudar, mas não querem o ensino em uma situação precária. "O jovem do ensino médio do DF, não quer estudar numa escola que é a pior escola do Brasil, não quer estudar no ensino médio que é o pior do Brasil", observou.

 Assista à entrevista completa:

 

 

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