Nascimento raro de dois botos-cinza chama atenção em Niterói

Niterói voltou a ser destaque no monitoramento ambiental da Baía de Guanabara após o registro de dois filhotes de boto-cinza. Os animais foram fotografados por pesquisadores que acompanham a biodiversidade marinha da região.
O nascimento representa um novo capítulo para uma espécie que enfrenta desafios históricos relacionados à poluição e à atividade humana nas águas da baía.
Filhotes reforçam monitoramento ambiental na região
Os dois filhotes foram registrados pela equipe do Instituto Mar Urbano durante uma expedição de observação na Baía de Guanabara. Segundo os pesquisadores, um deles tem cerca de seis meses de idade. O outro nasceu recentemente e possui, no máximo, dois meses.
O acompanhamento dos botos-cinza é realizado há décadas pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
De acordo com o grupo de pesquisa, a população local da espécie permanece em torno de 30 indivíduos nos últimos anos.
Espécie vive toda a vida na mesma baía
Diferentemente de outras espécies marinhas que percorrem grandes distâncias, o boto-cinza (Sotalia guianensis) costuma permanecer na mesma região onde nasceu. Por isso, a conservação do ambiente tem impacto direto sobre sua sobrevivência.
Dados do Maqua mostram que a população já foi muito maior. Ao longo das últimas décadas, a combinação de poluição, acidentes e degradação ambiental reduziu significativamente o número de animais presentes na Baía de Guanabara.
Niterói e a importância dos botos para a Baía de Guanabara
A presença dos botos é considerada um indicador da saúde do ecossistema marinho. Como ocupam posições elevadas na cadeia alimentar, esses mamíferos dependem da existência de peixes, crustáceos e outros organismos para sobreviver.
Segundo especialistas, a manutenção da espécie demonstra que ainda existe uma rede ecológica ativa na baía. Ao mesmo tempo, o número reduzido de indivíduos serve como alerta para a necessidade de ampliar ações de recuperação ambiental.
Poluição sonora ainda preocupa pesquisadores
Além da qualidade da água, os cientistas destacam outro desafio: o excesso de ruído produzido por embarcações.
Os botos utilizam sons para se orientar, localizar alimento e manter contato entre os indivíduos. O tráfego constante de navios e barcos pode interferir nesse sistema natural de comunicação.
Melhorias no saneamento ajudam a recuperação da baía
O nascimento dos filhotes ocorre em um período marcado por avanços em projetos de saneamento na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Dados divulgados por órgãos responsáveis pelo setor apontam que cerca de 133 milhões de litros de esgoto por dia deixaram de chegar à Baía de Guanabara após intervenções recentes na rede de coleta e tratamento.
Especialistas avaliam que medidas desse tipo contribuem para melhorar as condições ambientais ao longo do tempo, beneficiando diferentes espécies marinhas.
O que os pesquisadores esperam para os próximos anos
Os cientistas ainda não identificaram o sexo dos dois filhotes. A expectativa agora é acompanhar o desenvolvimento dos animais e verificar sua sobrevivência nos próximos anos.
As fêmeas da espécie costumam gerar apenas um filhote por gestação. Além disso, o intervalo entre os nascimentos pode chegar a três anos. Por esse motivo, cada novo registro tem relevância para o acompanhamento populacional.
O monitoramento contínuo realizado na Baía de Guanabara seguirá observando a evolução desses animais e os impactos das ações de conservação na região.
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