Operação Cavalo de Troia afasta vereador Daniel Theodoro por suspeita de ligação com facção criminosa no Amapá

Out 17, 2026 - 17:00
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Operação Cavalo de Troia afasta vereador Daniel Theodoro por suspeita de ligação com facção criminosa no Amapá

A Polícia Civil do Amapá, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a Operação Cavalo de Troia, que investiga um suposto esquema de infiltração da facção criminosa Família Terror Amapá (FTA) em órgãos públicos.

Entre os principais alvos está o vereador Daniel Theodoro Petraglia (PSOL), afastado do mandato por determinação da Justiça. O parlamentar também está proibido de entrar na Câmara Municipal de Macapá e acessar sistemas e repartições públicas.

A operação começou por volta das 6h, sob coordenação da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em residências, gabinetes da Câmara Municipal e no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).

As buscas também atingiram a residência do ex-vereador Odilson Serra Nunes, a sala da Ouvidoria da Câmara e a casa da ouvidora Kelly Cristina Pereira Pacheco, que também foi afastada de suas funções.

Como funcionaria o esquema

Segundo a Polícia Civil, a investigação aponta que políticos, assessores e servidores públicos teriam utilizado seus cargos para favorecer integrantes da Família Terror Amapá.

A suspeita é de que existisse uma troca de favores. De um lado, lideranças ligadas à facção ajudariam na mobilização de apoio político. Do outro, agentes públicos facilitariam indicações para empregos, principalmente em empresas terceirizadas da área da saúde e entidades conveniadas ao poder público.

Os investigadores também apuram a possível concessão de benefícios a integrantes da organização criminosa, incluindo facilitação de consultas médicas e atendimentos administrativos no sistema penitenciário.

Conforme documentos do inquérito policial nº 7248/2026, a Draco identificou indícios de que estruturas públicas teriam sido utilizadas para atender interesses da facção.

A investigação cita Valdilene Viegas da Silva e Gilberto Rebelo de Sousa, conhecido como “Betinho”, apontados pela polícia como integrantes da estrutura de liderança da organização criminosa.

Também aparecem no procedimento os nomes de Henrique Cardoso Lemos, Jonathan Matos Sales e Kelly Cristina Pereira Pacheco.

Câmara Municipal está no centro das investigações

Um dos principais focos da operação é a suspeita de que gabinetes parlamentares e setores administrativos da Câmara Municipal de Macapá tenham sido utilizados para intermediar indicações de empregos e atender pedidos de pessoas ligadas à facção.

Segundo a polícia, Daniel Theodoro e o ex-vereador Odilson Serra Nunes, juntamente com assessores e servidores, teriam contribuído para favorecer interesses da organização criminosa.

A Justiça determinou o afastamento cautelar do vereador Daniel Theodoro, impedindo seu acesso às dependências da Câmara, secretarias e sistemas informatizados.

A ouvidora Kelly Cristina Pereira Pacheco também foi afastada do cargo e proibida de entrar no prédio do Legislativo municipal.

Servidor do Iapen também é afastado

A operação atingiu ainda o sistema penitenciário do Amapá. A Justiça determinou o afastamento do diretor do Departamento de Ressocialização e Cidadania do Iapen.

O servidor teve suspenso o acesso aos sistemas carcerários e ficou proibido de entrar nas unidades prisionais.

A investigação busca esclarecer se servidores facilitaram atendimentos, consultas médicas ou outros benefícios administrativos para integrantes da facção.

Um primeiro suplente de vereador também foi atingido pelas medidas judiciais e ficou impedido, temporariamente, de ser convocado, tomar posse ou exercer mandato parlamentar.

Investigados terão que cumprir restrições

Além dos afastamentos, a Justiça determinou medidas para evitar interferências na investigação.

Os investigados estão proibidos de manter contato entre si, com testemunhas e com lideranças criminosas presas. Também deverão comparecer à Justiça a cada dois meses e não poderão se ausentar de Macapá por mais de sete dias sem autorização judicial.

Segundo a Polícia Civil, a Operação Cavalo de Troia é um desdobramento de investigações anteriores sobre a atuação da Família Terror Amapá e suas possíveis ligações com agentes públicos.

O inquérito tramita sob sigilo judicial. As suspeitas ainda estão sendo investigadas e não representam comprovação de culpa dos envolvidos. As medidas determinadas pela Justiça são cautelares, e os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

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