Polícia investiga se sedativo causou morte de lavrador

Jun 24, 2026 - 14:00
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Polícia investiga se sedativo causou morte de lavrador
Hospital Estadual de Urgência e Emergência, onde Gilberto Aurich (destaque) deu entrada e não resistiu |  Foto: Reprodução TV Tribuna/Band A Polícia Civil está investigando a morte do lavrador Gilberto Aurich, de 39 anos, ocorrida no último domingo (21). Ele estava internado desde abril na UTI do Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória. Segundo denúncia de familiares, sua morte teria ocorrido por causa do uso excessivo de sedativos por um enfermeiro.Porém, segundo a certidão de óbito, a causa da morte foi identificada como tromboembolismo cardiopulmonar, sepse, pneumonia e fratura na mandíbula. A Polícia Civil informou que investiga o caso.No dia 4 de abril, o lavrador, que era morador de Itaguaçu, no Noroeste do Estado, sofreu um acidente de moto, tendo uma fratura mandibular. Quatro dias depois, ele deu entrada no hospital. Porém, no dia 11 do mesmo mês, teve uma parada cardíaca, entrou em coma e não acordou mais, de acordo com familiares.O advogado Leandro Sarnaglia representa o lavrador e sua família. Eles acreditam que o uso excessivo de medicamento sedativo, quando Gilberto estava tendo uma crise de abstinência, foi o motivo de sua morte. Segundo eles, a parada cardíaca foi logo depois do uso.“O que levou Gilberto à morte não foi a fratura na mandíbula, mas o excesso de medicamento, como será apurado nessa investigação criminal”, diz o advogado.Ele explica que se chegou a essa possibilidade por meio do prontuário médico e de dois boletins de ocorrência abertos por uma médica e pela associação que gere o hospital. “O enfermeiro teria falsificado a assinatura da médica na receita”, afirmou.Sem conhecer pessoalmente o caso, um médico infectologista consultado pela reportagem informou que não é possível dizer que a sedação foi responsável pela morte do paciente, embora possa ter contribuído.Analisando o caso, ele acredita que o tromboembolismo cardiopulmonar foi o que levou à parada cardíaca e necessidade de sedação. Explica ainda que o tromboelismo pulmonar causa morte imediata e é muito difícil reverter.O médico destaca ainda que sua análise é apenas uma probabilidade e que o caso necessita de maior investigação.Alexandre Aurich auxiliar de serviços gerais“Queremos justiça”, diz irmãoO auxiliar de serviços gerais Alexandre Aurich, 44 anos, é o mais velho de três irmãos. Com 39, Gilberto era, segundo ele, seu animado irmão mais novo que lavrava café. Porém, já fazia algum tempo que “estava sem sorte”, conta, dando exemplo de um olho que perdeu.Embora não tenha chorado no momento, conta que derramou lágrimas durante o enterro e que a mãe ainda não parou de chorar. “Queremos justiça”, afirma.A Tribuna — Como foi o acidente de moto do seu irmão?Alexandre Aurich — Foi no dia 4, sábado, por volta de 7 ou 8 horas. Ele veio do bar. Foi baixar o descanso da moto, que fica um pouco para frente, e estava escuro. Ele não enxergava de uma vista. Aí caiu, trincou o queixo, arrancou um dente e quebrou o outro. Levou um cortezinho debaixo do queixo, nem precisou de ponto.E então?No domingo não foi procurar assistência médica e nem na segunda. Acho que só foi procurar o médico na terça, foi tirar um raio-X no dentista. Foi ele quem mandou ele procurar um médico. Depois disso foi encaminhado ao hospital em Vitória.O que o senhor sabe da estadia dele no hospital?Estava demorando a fazer o procedimento. Ele entrou no hospital dia 8, ficou em abstinência, pois bebia e fumava, e ficou nervoso. Soubemos que seis pessoas tiveram de segurá-lo. Um enfermeiro aplicou um medicamento para ele se acalmar, mas a dose foi excessiva. Ele teve uma parada cardíaca e ficou 12 minutos sem oxigênio. No dia 11, entrou em coma. Depois disso, chegou a abrir o olho, mas não tinha reação nenhuma.O senhor acredita que a causa da morte dele foi medicação sedativa excessiva?Sim. O enfermeiro entrou no sistema da médica, pegou a prescrição, o medicamento e aplicou por conta própria. É o que a gente sabe. Foi demitido na mesma semana.Como você e sua família estão se sentindo?Ele saiu daqui de moto, andando. Tem um áudio dele no hospital falando da demora da cirurgia e acontece isso. É meio esquisito. A mãe estava chorando hoje (ontem). Vou ficar aqui com ela. Ela está sozinha. Era meu irmão que morava do lado.Como era a vida do Gilberto?Meu irmão estava sem sorte nos últimos anos. Ele teve uma namorada que furou o olho dele com um prato, em 2024, e estava usando prótese. Primeiro perdeu a vista, depois a vida. Uns três anos atrás, sofreu um golpe de R$ 25 mil ao tentar comprar um maquinário. Mas era um homem alegre e animado, um pouco nervoso. Fazia as pessoas rirem, fazia amizade fácil. Queremos justiça para que uma coisa assim não aconteça mais.Saiba maisEnfermeiro foi demitido em abrilO casoUm lavrador de 39 anos morreu no hospital após sofrer uma fratura na mandíbula. A morte ocorreu por volta de 1 hora do último domingo.A família acredita que a morte teria sido provocada pelo uso excessivo de sedativo por um enfermeiro. Por isso, tem planos de entrar com um processo por indenização contra o hospital, o governo e o enfermeiro.Enfermeiroo enfermeiro foi demitido por justa causa. A demissão foi informada no dia 21 de abril pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Foi instaurado protocolo de comunicação com a família do paciente.InvestigaçãoPor meio de nota, a Polícia Civil informou que o caso está sob investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e nenhum detalhe será repassado para que a apuração seja preservada. O HEUE lamentou o ocorrido e se colocou à disposição das autoridades para colaboração.

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