Por que está ficando mais difícil para adolescentes conseguirem trabalho nos EUA

Mai 28, 2026 - 09:00
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Por que está ficando mais difícil para adolescentes conseguirem trabalho nos EUA


Conseguir o primeiro emprego sempre foi quase um ritual de passagem nos Estados Unidos. Era o adolescente servindo sorvete nas férias, trabalhando no caixa de uma loja, limpando mesas em restaurante, operando brinquedos em parque de diversão ou atuando como salva-vidas na piscina do bairro. Para muitos americanos, esse primeiro salário representava independência, experiência e uma porta de entrada para o mercado de trabalho.

Mas esse cenário está mudando e rápido. Neste verão americano, os adolescentes devem registrar um dos piores mercados de trabalho das últimas décadas. Segundo projeções da empresa especializada em recolocação profissional Challenger, Gray & Christmas, cerca de 790 mil adolescentes devem ser contratados entre maio e julho de 2026.

Pode parecer muito. Mas o número mostra uma desaceleração importante. No verão passado foram 801 mil vagas. Em 2024, eram 1,077 milhão.

Ou seja: em apenas dois anos, o mercado perdeu quase 290 mil oportunidades sazonais para jovens – uma queda próxima de 27%.
E o motivo não é simplesmente porque adolescentes estão mais tempo no TikTok ou ocupados com atividades extracurriculares.

A explicação passa por mudanças profundas na economia americana. Uma parte das vagas está desaparecendo por causa da automação. Funções consideradas tradicionais para adolescentes – como atendimento básico, pedidos em restaurantes, recepção e tarefas administrativas simples – estão sendo substituídas por tecnologia.

Hoje já é comum encontrar restaurantes com pedidos em totens digitais, supermercados com autoatendimento e sistemas automatizados em hotéis e centros de lazer. Empregos que antes serviam como porta de entrada para jovens exigem cada vez menos trabalhadores.

Mas existe outro fenômeno importante acontecendo ao mesmo tempo. Os adolescentes agora disputam vagas diretamente com adultos. Segundo o relatório, trabalhadores mais velhos estão permanecendo mais tempo no mercado e adiando a aposentadoria.
Entre os motivos estão inflação elevada nos últimos anos, aumento do custo de vida e necessidade de reforçar renda.

Na prática, isso significa que empregos que historicamente eram ocupados por jovens passaram a atrair pessoas com mais experiência. E muitas empresas acabam preferindo contratar funcionários mais velhos por acreditarem que exigem menos treinamento.

Outro dado chamou atenção dos pesquisadores. O setor de entretenimento e lazer — tradicional empregador de adolescentes — teve queda de 70% nas contratações em relação ao ano anterior.

É justamente o segmento que inclui: parques temáticos;
hotéis;
centros recreativos;
atrações turísticas;
e serviços sazonais de verão.

Segundo analistas, custos maiores com inflação, energia, combustível e operação fizeram empresas reduzirem equipes temporárias.

Mas nem tudo é sinal vermelho. Alguns setores continuam contratando jovens. Uma das maiores altas apareceu justamente em vagas de salva-vidas.

De acordo com dados citados pelo Wall Street Journal, anúncios para essa função cresceram 78% neste ano. O varejo também aparece como alternativa.

Dados da plataforma Revelio Labs mostram crescimento na presença de adolescentes em lojas físicas e comércio. E existe ainda um novo caminho que praticamente não existia para gerações anteriores: os aplicativos. Jovens entre 17 e 25 anos já formam o grupo etário que mais cresce em plataformas de trabalho sob demanda. Aplicativos como Uber, DoorDash e outros serviços de entrega e renda extra registraram aumento de 8,4% nos cadastros da geração Z em relação ao ano passado.

Isso mostra uma mudança importante. Em vez do emprego tradicional de verão com uniforme e horário fixo, muitos adolescentes e jovens adultos estão entrando direto na economia dos aplicativos – trabalhando por demanda, com horários flexíveis e sem vínculo empregatício.

Especialistas dizem que isso pode mudar completamente a relação da nova geração com o trabalho. Porque o primeiro emprego deixou de ser apenas um caixa de restaurante ou um turno na piscina municipal. Para muitos jovens americanos, ele agora começa com um aplicativo aberto no celular.

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