Proibição dos celulares completa um ano: MEC aponta avanços, mas Balneário Camboriú enfrenta desafios

Jul 5, 2026 - 21:00
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Proibição dos celulares completa um ano: MEC aponta avanços, mas Balneário Camboriú enfrenta desafios

Um ano após entrar em vigor a lei que restringiu o uso de celulares nas escolas de educação básica, a medida começa a mostrar resultados positivos em todo o país.

Levantamento divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) revela que 97% dos gestores escolares afirmam ter percebido maior participação dos estudantes nas atividades pedagógicas, enquanto 95% apontam melhora na concentração durante as aulas e na convivência entre os alunos.

Apesar dos avanços, a adaptação ainda enfrenta obstáculos, principalmente em relação à adesão dos estudantes e ao apoio das famílias.

O estudo ouviu 2.469 gestores de escolas públicas e privadas de todas as unidades do Brasil entre março e abril deste ano. Segundo o levantamento, 92% das instituições já implementaram a legislação, 88% observaram redução de conflitos e casos de cyberbullying e 86% afirmam que houve diminuição da ansiedade no ambiente escolar.

Entre os principais desafios apontados estão a resistência dos estudantes às novas regras e a necessidade de maior participação das famílias no processo.

Secretária Zélia diz que resistência de alunos e alguns pais é o desafio maior (Divulgação)
Secretária Zélia diz que resistência de alunos e alguns pais é o desafio maior (Divulgação)

Em Balneário Camboriú, a secretária municipal de Educação, Zélia Schlindwein Zanella, afirma que a realidade observada nas escolas da rede acompanha o cenário nacional.

Segundo ela, embora a proibição esteja consolidada dentro das salas de aula, ainda existe resistência por parte de alunos e, principalmente, de alguns pais.

"Os estudantes continuam trazendo o celular para a escola. Muitos dizem que precisam se comunicar com os pais, mas acabam usando o aparelho quando encontram uma oportunidade. Vão ao banheiro, por exemplo, e utilizam o celular. Ainda encontramos bastante resistência", relata.

Ela explica que um dos argumentos mais frequentes vem justamente das famílias.

"Quando orientamos que o celular fique em casa, muitos pais respondem que precisam ligar para o filho depois da aula para saber onde ele está. Então esse desafio não é apenas da escola. Muitas vezes o próprio responsável acaba justificando o uso do aparelho", comenta.

Apesar disso, Zélia ressalta que a rede municipal não registrou ocorrências graves relacionadas ao cumprimento da legislação.

"É um assunto que hoje já é resolvido diretamente pelas equipes gestoras. Os diretores desenvolveram experiência para lidar com essas situações e não tivemos nenhum caso mais sério", diz.

Segundo a secretária, dentro da sala de aula o controle é mais efetivo e o uso dos celulares acontece apenas quando há finalidade pedagógica, com orientação do professor.

"Na sala é muito difícil acessarem o celular, a não ser quando a atividade envolve pesquisa acompanhada pelo professor. A maior vontade deles é usar nos intervalos e no recreio. Dentro da sala o controle é maior", acrescenta.

Ela destaca que a preocupação vai além da distração durante as aulas.

"Precisamos ter um controle ainda maior porque o celular dá acesso a tudo, tanto às coisas boas quanto às ruins", analisa.

Para Zélia, o sucesso da política depende de uma atuação conjunta entre escola e família.

"Se esse trabalho acontecer também dentro de casa, estimulando outras atividades, nós vamos conseguir avançar. Mas a escola sozinha não consegue. É preciso haver consonância com as famílias, para que também tenham esse olhar sobre o excesso de telas, que acaba se tornando um vício. E todo vício é negativo, principalmente para crianças e adolescentes”, pontua.

A preocupação da Secretaria de Educação, inclusive, vai além dos celulares. Segundo Zélia, o município também busca reduzir o tempo de exposição às telas dentro das próprias unidades de ensino.

"Estamos diminuindo até o uso das televisões nas escolas, principalmente na educação infantil. Enquanto a criança está diante da tela, ela deixa de desenvolver outras habilidades importantes. Nessa fase, priorizamos atividades que favoreçam o desenvolvimento cognitivo, motor e a interação entre as crianças", completa.

Os dados divulgados pelo MEC reforçam essa percepção. Além da melhora na aprendizagem e na convivência escolar, 67% dos gestores entrevistados observaram aumento de atividades manuais, lúdicas e artísticas, enquanto 56% perceberam crescimento das atividades pedagógicas realizadas fora da sala de aula, indicando que a redução do uso dos celulares tem contribuído para ampliar as experiências presenciais dos estudantes.

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