Rio Branco abre programação do Dia dos Geoglifos e reforça importância de patrimônio com 81 sítios arqueológicos
Com 81 geoglifos registrados, Rio Branco concentra parte dos cerca de 1.200 sítios arqueológicos identificados no Acre, estado que se tornou referência nacional em pesquisas sobre essas estruturas construídas por povos que habitaram o sudoeste da Amazônia há milhares de anos.
Para ampliar o conhecimento da população sobre esse patrimônio, a Prefeitura de Rio Branco abriu, nesta sexta-feira, 26, a programação alusiva ao Dia dos Geoglifos, realizada no Horto Florestal. As atividades seguem até domingo, 28, reunindo pesquisadores, estudantes, representantes de instituições e visitantes.
A programação inclui trilha interpretativa com acompanhamento do Corpo de Bombeiros, palestras, debates e exposição de peças arqueológicas, com foco na educação patrimonial, no turismo e na divulgação da história dos povos responsáveis pela construção dos geoglifos.
Patrimônio arqueológico
Durante a abertura do evento, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação, coronel Ezequiel Bino, afirmou que a intenção é transformar a iniciativa em uma atividade permanente do calendário da capital.
“A partir de 2026, todos os anos, nós teremos a Semana em homenagem aos geoglifos, porque é um patrimônio nosso, uma singularidade do Acre. Dos mil geoglifos identificados, 81 estão aqui, muitos na área urbana. Precisamos valorizar essa riqueza, porque vemos pessoas vindo de outros países para conhecer e pesquisar, enquanto muitos de nós ainda não conhecemos esse patrimônio. Queremos que a população se aproprie dessa história e reconheça também o seu potencial turístico.”
Além da visitação, o evento busca estimular o interesse da população pela preservação dos geoglifos, que continuam sendo estudados por universidades e instituições de pesquisa.
Pesquisas e preservação
Pesquisador dos geoglifos acreanos há três anos, o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Rhuan Carlos Lopes, destacou que datas comemorativas contribuem para aproximar a sociedade das pesquisas desenvolvidas sobre o patrimônio arqueológico.
“As datas comemorativas são importantes porque divulgam a importância desse patrimônio. Os povos indígenas já conhecem os geoglifos, assim como a arqueologia e as universidades. Agora precisamos aproximar outros públicos, como as escolas, a população em geral e as instituições públicas que trabalham com turismo e pesquisa. Esse diálogo é fundamental para fortalecer a preservação desse patrimônio.”
Segundo o pesquisador, os estudos realizados nos últimos anos têm ampliado o conhecimento sobre a forma como essas estruturas foram construídas, utilizadas e o significado que possuíam para os povos indígenas responsáveis por sua criação. As pesquisas também indicam a relação dos geoglifos com populações que ocuparam outras áreas da Amazônia.
A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Acre, Antônia Barbosa, afirmou que iniciativas como a programação do Dia dos Geoglifos ajudam a aproximar a população desse patrimônio.
“Esse evento foi pensado justamente para fazer com que as pessoas conheçam mais esse patrimônio. A Prefeitura fez o pedido para que Rio Branco seja reconhecida como a Capital dos Geoglifos, porque foi aqui que os primeiros sítios arqueológicos dessa tipologia foram descobertos. Queremos que a população conheça, valorize e se aproprie desse riquíssimo patrimônio.”
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