Safra da tainha começa nesta sexta-feira em Balneário Camboriú com expectativa positiva
Balneário Camboriú inicia nesta sexta-feira (1º) a temporada da pesca artesanal da tainha 2026, um dos períodos mais tradicionais do calendário local. A abertura oficial será marcada por um ato simbólico às 8h, no Rancho do Medeiros, na Praia de Laranjeiras, reunindo pescadores, autoridades e comunidade.
A atividade ocorre ao longo de três meses (até 31 de julho) em 10 pontos das praias do município, mobilizando cerca de 300 famílias que dependem diretamente da pesca artesanal, reconhecida como patrimônio cultural imaterial da cidade. Mais do que uma atividade econômica, a safra representa identidade, cultura e um modo de vida que atravessa gerações.
Entre redes, canoas e olhares atentos ao mar, o sentimento predominante é de expectativa. Mas, como resume o pescador Jair Euflorzino, da tradicional família Euflorzino, de Taquaras, o resultado nunca é garantido.
“A gente sempre começa com esperança, mas a tainha é uma caixinha de surpresas. Já vimos vídeos de duas semanas atrás, que tinham cardumes grandes de tainhota. Os primeiros geralmente trazem tainhas menores, de até um quilo, mas já vêm misturadas com algumas maiores”, explica.
Segundo Jair, o comportamento dos cardumes segue um padrão conhecido pelos pescadores mais experientes.
“As tainhas maiores costumam chegar depois do dia 20 de maio. Agora é início, ainda é mais fraco, mas já dá pra sentir o movimento”, afirma.
Clima é decisivo para o sucesso da safra
O fator determinante para uma boa temporada continua sendo o clima.
“Tem que ter frio. Se o frio continuar, ajuda muito. Não pode ter tempestade forte, mas o frio é essencial para a tainha encostar. A gente está torcendo por isso”, diz.
Mesmo com as incertezas naturais da pesca, o clima entre os pescadores é de otimismo.
“As expectativas são boas. Estamos entusiasmados, como todo começo de safra”, acrescenta.
Falta de mão de obra preocupa pescadores

Se o mar ainda guarda seus mistérios, em terra firme um problema já é conhecido: a falta de novos trabalhadores na pesca artesanal. De acordo com Jair, o envelhecimento dos pescadores e a ausência de renovação da mão de obra acendem um alerta para o futuro da atividade.
“Os mais velhos estão se aposentando e não está tendo reposição. É um trabalho pesado, que exige dedicação, força e rapidez. Remar, puxar rede… não é fácil. Talvez seja necessário incentivar os jovens, criar cursos de remo, como já acontece em Bombinhas, por exemplo”, sugere.
A preocupação vai além da safra atual e toca diretamente na preservação da tradição. Sem novos pescadores, o risco é de enfraquecimento de uma prática histórica da cidade.
Tradição que movimenta cultura e turismo

A temporada da tainha também impulsiona eventos culturais, com destaque para a Festa Raízes de Taquaras, que acontece de 4 a 7 de junho e abre o calendário cultural da região.
“A festa depende muito da tainha. Ela é o carro-chefe. É importante que o peixe chegue bem nessa época”, destaca Jair.
O evento, que será realizado no mesmo local da edição anterior, próximo à praia, deve reunir mais de 30 barracas com gastronomia típica e artesanato, celebrando a cultura e a tradição pesqueira da comunidade.
Fiscalização intensificada e regras mais rígidas
Para garantir uma safra produtiva e proteger a atividade artesanal, a Prefeitura irá intensificar a fiscalização durante o período. Uma lancha com marinheiro ficará disponível 24 horas por dia para monitoramento no mar, coibindo práticas ilegais que possam prejudicar os cardumes.
Entre as principais restrições estão o uso irregular de jet skis, lanchas rebocadoras e embarcações motorizadas próximas à orla, além da proibição de redes de pesca não autorizadas e equipamentos como cilibrim e fisgas.
A organização da temporada também conta com novos decretos municipais, que regulamentam a atividade e instituem uma comissão integrada envolvendo diferentes secretarias, responsável por planejar, coordenar e acompanhar as ações durante a safra.
Apoio aos pescadores e campanha de conscientização
Além da fiscalização, o município também reforça o apoio aos pescadores. Foram instalados contêineres na Praia Central para armazenamento de redes e equipamentos, além de tendas em ranchos de outras praias.
Os trabalhadores cadastrados também receberão um auxílio mensal de R$ 150, por meio de cartão-alimentação, como forma de garantir segurança alimentar durante o período.
Paralelamente, segue até 31 de julho a campanha “Mar de Tradição, Respeite o Pescador”, com ações educativas espalhadas pela cidade, buscando conscientizar moradores e turistas sobre a importância de respeitar as regras da pesca artesanal.
Entre tradição e expectativa
Na safra passada, cerca de 12 mil tainhas foram capturadas nas praias de Balneário Camboriú. Agora, com redes prontas e olhos voltados para o horizonte, pescadores iniciam mais uma temporada equilibrando tradição, esperança e resistência.
“São três meses muito esperados. É o momento mais importante do ano pra gente. Agora é torcer para que seja uma safra produtiva, melhor do que a de 2025”, resume Jair.
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