“Se a criança começa a ficar mais molinha, hipoativa, pálida”: sinais de alerta que pais devem observar em períodos de calor extremo

Set 16, 2026 - 16:00
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“Se a criança começa a ficar mais molinha, hipoativa, pálida”: sinais de alerta que pais devem observar em períodos de calor extremo

“Se a criança começa a ficar mais molinha, hipoativa, pálida”: sinais de alerta que pais devem observar em períodos de calor extremo

O período de seca e calor intenso em Goiás exige atenção redobrada de famílias de crianças com doenças cardíacas. A combinação entre baixa umidade e temperaturas elevadas favorece a perda de líquidos e pode potencializar os efeitos de medicamentos utilizados no tratamento de algumas cardiopatias, tornando necessários cuidados específicos com hidratação e acompanhamento médico.

Ao Jornal Opção, a cardiopediatra Mirna de Sousa, membro da Sociedade Goiana de Pediatria (SGP), explicou, nesta quarta-feira, 16, que a quantidade de sangue circulando pelo organismo é importante para o funcionamento adequado do coração. O problema é que algumas crianças com cardiopatias utilizam medicamentos que reduzem líquidos ou diminuem a pressão arterial, o que demanda maior atenção nos dias mais quentes e secos.

“A quantidade de sangue é muito importante para a função do coração. É comum durante o tratamento de algumas cardiopatias usarmos medicações para reduzir líquidos do corpo, como os diuréticos, ou remédios que abaixam a pressão. Nesse tempo de calor e secura, muitas vezes pode haver piora dos efeitos colaterais, porque já perdemos líquido só de respirar o ar mais seco e a temperatura elevada interfere na pressão arterial”, explicou.

Hidratação também exige cuidado

Embora a ingestão de líquidos seja importante para evitar a desidratação, a recomendação não é simplesmente aumentar a quantidade de água oferecida à criança. Em determinadas cardiopatias, o excesso de líquidos também pode representar um problema.

Por isso, segundo Mirna, a quantidade adequada deve ser definida de acordo com a condição de cada paciente e, em alguns casos, calculada individualmente pelo médico.

“Para algumas cardiopatias não queremos hidratação exagerada, mas sim manter no nível adequado. Às vezes é preciso calcular o volume de líquido que a criança deve consumir durante o dia. São ajustes finos, tanto de medicação como da quantidade de líquido ingerido, que devem ser feitos entre a família e o médico”, afirmou.

Menos urina e cansaço podem ser sinais de alerta

As mudanças provocadas pelo calor e pela desidratação podem aparecer no comportamento e no organismo da criança. Entre os sinais que merecem atenção estão cansaço fora do habitual, palidez, dificuldade para respirar, boca seca e redução da quantidade de urina.

Em bebês, a irritabilidade também pode ser uma manifestação de sede. Segundo a cardiopediatra, essas alterações podem indicar desde perda excessiva de líquidos até uma possível descompensação da cardiopatia ou reação aos medicamentos.

“Se a criança começa a ficar mais molinha, hipoativa, pálida, com dificuldade para respirar, são sinais importantes. Antes mesmo disso, a redução do volume de ‘xixi’, a boca mais seca ou irritabilidade em bebês podem indicar sede”, destacou.

Diante dessas alterações, a recomendação é procurar orientação médica, especialmente quando os sintomas persistirem ou apresentarem piora.

Medicamentos podem precisar de ajustes

O uso contínuo de medicamentos também merece acompanhamento mais próximo durante os meses de calor intenso. Entre eles estão os diuréticos e os betabloqueadores.

Segundo Mirna, em Goiás, os tratamentos podem passar por ajustes sazonais devido às condições climáticas. Isso não significa, porém, que os pais devam modificar doses ou interromper medicamentos por conta própria.

“Os betabloqueadores, além de abaixarem a pressão arterial, diminuem a frequência cardíaca e tiram o mecanismo da criança responder à desidratação. São medicações que precisam ser usadas com cautela. É fundamental que as famílias não suspendam nenhuma medicação sem conversar com o médico”, alertou.

A frequência das consultas também pode mudar conforme a gravidade da cardiopatia e as condições da criança. Nos períodos mais quentes, a especialista afirma que o intervalo entre as avaliações pode ser reduzido para permitir um acompanhamento mais próximo.

“Quanto mais grave a condição, menor é o intervalo de reavaliação. Nesse período mais quente, muitas vezes encurtamos ainda mais esse intervalo para garantir o ajuste com segurança”, disse.

Atividade física deve evitar horários mais quentes

Outro ponto de atenção é a prática de exercícios. A orientação é evitar atividades físicas nos horários de maior temperatura e menor umidade, principalmente no meio do dia. O início da manhã e o fim da tarde são considerados períodos mais adequados.

No caso de crianças com cardiopatias, as atividades também precisam respeitar as limitações estabelecidas de acordo com a condição cardiovascular de cada paciente.

“Para crianças com cardiopatia, já existe adaptação das atividades físicas para sua condição cardiovascular. A hidratação durante a atividade deve ser feita também, mas de forma comedida e baseada nas perdas e nas doses das medicações”, explicou.

Escola também precisa conhecer os sinais

Os cuidados não devem ficar restritos à família. Professores e cuidadores de escolas e creches precisam conhecer a condição da criança, os medicamentos utilizados e os principais sinais que podem indicar alguma alteração.

“Se a criança estiver mais cansada, irritada, se alimentando mal ou fazendo menos ‘xixi’, é necessário procurar assistência médica, entrar em contato com o médico ou buscar serviços de urgência e emergência”, orientou.

Para Mirna, planejamento e conhecimento sobre a cardiopatia são fundamentais para reduzir os riscos durante períodos de temperaturas elevadas.

“O cuidado diário exige atenção e dedicação. É preciso entender qual é a cardiopatia do filho, quais medicações ele usa e o que cada remédio faz. Os pais e familiares de crianças com cardiopatia precisam ser um pouco cardiopediatras, saber muito sobre a condição da criança e entender os mecanismos do coração e das medicações. Isso facilita o alerta e a busca por assistência em momentos de descompensação ou de temperaturas muito altas”, concluiu.

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