Semana de decisões sobre juros testa bancos centrais globais; o que esperar?

Mar 14, 2026 - 19:00
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Semana de decisões sobre juros testa bancos centrais globais; o que esperar?
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Bancos centrais de Washington a Londres e Jacarta estão prestes a fazer suas primeiras avaliações sobre os danos econômicos após mais de duas semanas de conflito entre Estados Unidos e Irã.

As decisões da próxima semana, que envolvem todos os membros do Grupo dos Sete e 8 das 10 jurisdições com moedas mais negociadas do mundo, devem confirmar aos investidores que o risco de um novo choque inflacionário já é suficiente para provocar cautela adicional.

As apostas de corte de juros nos Estados Unidos, que antes eram amplamente esperadas, perderam força. Ao mesmo tempo, o mercado passou a precificar possíveis altas de juros no Reino Unido e na zona do euro ainda este ano. Essas mudanças devem obrigar formuladores de política monetária a explicar até que ponto essas expectativas são justificadas.

Para a Bloomberg Economics, as economistas Eliza Winger e Anna Wong avaliam que:

“Para o Federal Reserve, muito dependerá de como o conflito evoluir. Se a guerra terminar rapidamente, a expectativa é de que a taxa de desemprego suba levemente e que a inflação subjacente diminua, permitindo cortes de juros de cerca de 100 pontos-base ainda neste ano. Se o conflito se prolongar, mantendo os preços da energia elevados e elevando as expectativas inflacionárias, o cenário se tornará muito mais complexo.”

A guerra com o Irã é a segunda vez em pouco mais de um ano que políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocam choques nos bancos centrais globais. O primeiro episódio ocorreu com as chamadas tarifas do “Dia da Libertação”, anunciadas em abril, que tentaram remodelar o comércio global.

Essa experiência de incerteza e risco deve manter os formuladores de política econômica em alerta nos próximos meses.

Federal Reserve

O Federal Reserve deve fazer exatamente o que os mercados já esperavam antes da reunião de política monetária de 17 e 18 de março: manter os juros inalterados.

Nos últimos dias, no entanto, a narrativa de que esse nível poderia permanecer por meses foi abalada por novas turbulências no mercado de trabalho e pela guerra no Oriente Médio, que fez os preços do petróleo dispararem.

Essa combinação coloca em conflito os dois mandatos do Fed — estabilidade de preços e emprego — e torna o cenário de juros mais incerto no curto prazo.

A precificação do mercado indica cerca de 90% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual em 2026, possivelmente a partir de setembro.

Na quarta-feira de manhã, enquanto autoridades do Fed ainda estarão reunidas, o governo dos EUA divulgará o índice de preços ao produtor de fevereiro, outro indicador relevante para avaliar a inflação.

Entre outros dados previstos para a semana estão a produção industrial de fevereiro e as vendas de novas casas referentes a janeiro.

Banco Central Europeu

Autoridades em Frankfurt também devem manter a taxa de depósito inalterada na quinta-feira.

A crise no Oriente Médio, no entanto, enfraqueceu a avaliação anterior de que a política monetária da zona do euro estava em uma situação confortável.

A alta nos preços de energia levou o mercado a apostar em possíveis aumentos de juros, o que deve obrigar o conselho do BCE a explicar como os riscos inflacionários evoluíram.

Investidores têm comparado o atual choque energético com a crise de 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Na época, o BCE resistiu por algum tempo às pressões do mercado para elevar juros.

Agora, embora o banco central queira evitar repetir erros do passado, também não deve agir com pressa para subir as taxas.

O mercado passou a precificar pelo menos uma alta de juros na zona do euro em 2026. Uma elevação de 0,25 ponto percentual já está totalmente incorporada nas expectativas a partir de julho, e há cerca de 70% de probabilidade de uma segunda alta até o fim do ano.

Banco do Japão

O Banco do Japão também deve manter sua taxa básica na quinta-feira. Ainda assim, o presidente Kazuo Ueda deve destacar a necessidade de monitorar de perto os impactos do conflito, especialmente porque o país depende fortemente de importações de petróleo do Oriente Médio.

Preços elevados do petróleo podem prejudicar a economia japonesa, mas também pressionar a inflação. Os formuladores de política monetária também precisam considerar o risco de desvalorização do iene caso adotem um tom excessivamente brando.

Na sexta-feira, a moeda japonesa atingiu o menor nível frente ao dólar desde 2024.
O mercado espera uma alta de juros de 0,25 ponto percentual até julho e atribui 90% de probabilidade de um segundo aumento até dezembro.

Banco da Inglaterra

A decisão do Banco da Inglaterra, que no mês passado parecia dividida entre corte ou manutenção dos juros, agora tende claramente para a manutenção.

Economistas do ING e da RSM UK avaliam que a inflação pode voltar a subir para mais que o dobro da meta de 2% caso o aumento recente nos preços de petróleo e gás persista.

Esses riscos têm levado autoridades a adotar uma postura mais cautelosa em relação à inflação, mesmo com sinais de desaceleração econômica.

Dados divulgados na sexta-feira mostraram que a economia britânica não cresceu em janeiro, resultado pior que o esperado.

O mercado atribui cerca de 60% de probabilidade de alta de juros no Reino Unido em 2026, possivelmente a partir de julho.

Banco do Canadá

Dados de inflação referentes a fevereiro serão divulgados dois dias antes da decisão do Banco do Canadá, prevista para quarta-feira. Eles ajudarão autoridades a avaliar a pressão inflacionária antes do impacto completo da alta recente nos preços do petróleo.

Outro fator relevante é o mercado de trabalho. Dados divulgados na sexta-feira mostraram que a economia canadense perdeu mais empregos em fevereiro do que em qualquer mês dos últimos quatro anos. Com a inflação próxima da meta de 2%, o mercado espera que o banco central mantenha os juros em 2,25%.

Banco Nacional da Suíça

A política cambial do banco central suíço deve receber atenção especial na decisão de quinta-feira. Autoridades sinalizaram recentemente maior disposição para intervir no mercado de câmbio para conter a valorização do franco suíço, que atingiu níveis próximos aos mais altos em uma década frente ao euro. Economistas esperam que a taxa de juros permaneça em zero.

Riksbank

O banco central da Suécia deve manter a taxa básica em 1,75% na quinta-feira.
A economia do país mostra sinais de recuperação, enquanto a inflação caiu para abaixo da meta de 2%.

Investidores observarão atentamente as novas projeções econômicas para avaliar se a turbulência no Oriente Médio mudou a expectativa de que o próximo movimento de juros será de alta no próximo ano.

Banco Central da Austrália

Autoridades australianas decidirão na terça-feira sobre a taxa básica, atualmente em 3,85%. O mercado já considera uma probabilidade significativa de uma segunda alta consecutiva de juros.

O banco central elevou custos de empréstimos no mês passado citando pressões inflacionárias persistentes e demanda elevada. Agora, a guerra com o Irã aumentou ainda mais as preocupações com inflação.

Banco Central do Brasil

Antes da guerra com o Irã, o Banco Central brasileiro estava praticamente certo de iniciar um ciclo de cortes de juros. Autoridades haviam sinalizado em janeiro que uma redução em março era o cenário-base, diante da desaceleração da inflação.

Com a crise no Oriente Médio e a alta nos preços da energia, no entanto, as expectativas mudaram. Em vez de um corte de 0,5 ponto percentual, que muitos analistas previam, o consenso agora aponta para uma redução de 0,25 ponto.

Alguns analistas também consideram possível que o comitê opte por manter a taxa em 15%.

Banco da Indonésia

O banco central em Jacarta deve manter sua taxa básica em 4,75% na terça-feira.
Autoridades precisam equilibrar a estabilidade da moeda local com o risco de inflação mais elevada.

Subsídios aos combustíveis podem ajudar a conter a alta de preços, mas também aumentam preocupações fiscais.

Rússia

O Banco da Rússia decidirá na sexta-feira se a inflação está desacelerando o suficiente para permitir o sétimo corte consecutivo na taxa básica de juros.

Nas últimas três reuniões, a autoridade monetária reduziu a taxa em 50 pontos-base. A decisão ocorrerá pouco antes da divulgação dos dados de inflação de fevereiro.

Outras decisões de política monetária também são esperadas ao longo da semana em países como Marrocos, Islândia, República Tcheca, Ucrânia, Taiwan, Gana e Paraguai.

© 2026 Bloomberg L.P.

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