Sindicato dos Professores convoca paralisação; Celina aponta uso político
Professores e orientadores educacionais da rede pública do Distrito Federal realizam uma paralisação com ato público nessa quarta-feira (21/10), às 9h, na Praça do Buriti. Convocada pelo Sindicato dos Professores do DF (Sinpro), a mobilização protesta contra o que a categoria classifica como autoritarismo, censura e atropelo da gestão democrática nas escolas por parte do GDF e da Secretaria de Educação (SEEDF). O movimento ocorre em meio a um forte embate político a poucos dias do segundo turno das eleições.
Segundo o Sinpro, o governo e o secretário de Educação, Thiago Peixoto, impõem cronogramas e materiais pedagógicos sem consulta às comunidades escolares, além de manterem paralisadas há mais de 20 dias as negociações de pautas como o Calendário 2027 e o Concurso de Remanejamento.
O sindicato alega que as medidas visam inflar artificialmente os resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), mascarando problemas estruturais como a superlotação das salas, o sucateamento da Educação Inclusiva e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o adoecimento dos profissionais.
Contraponto
A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), contestou a mobilização e classificou a paralisação às vésperas do pleito como uma ação de cunho estritamente político e ideológico promovida pela oposição.
Celina afirmou que as demandas funcionais e pedagógicas levadas ao secretário foram resolvidas sem tensionamento e destacou a nomeação de mais de 3 mil concursados efetivos em substituição aos contratos temporários, além da recomposição salarial para diretores e vice-diretores.
"O que a gente acha muito ruim é quatro dias antes da eleição eles chamarem um ato de paralisação com pautas que não têm nada a ver com as primeiras pautas que eles trataram com o secretário de Educação", declarou a governadora, refutando acusações de precarização do ensino público.
Por outro lado, o candidato ao GDF, Leandro Grass (PT), defendeu o direito de organização da categoria e criticou a postura do Poder Executivo diante das divergências na rede de ensino. Durante agenda de campanha na porta do Centro de Ensino Médio 01 do Guará, o postulante defendeu a necessidade de ouvir a comunidade escolar e criticou a judicialização de greves e manifestações.
"Todo trabalhador, seja do setor público ou privado, quando se organiza para reivindicar seus direitos, precisa ser respeitado e ouvido", afirmou Grass, acrescentando perceber uma tentativa de silenciamento contra estudantes e professores que divergem da atual gestão do DF.
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