Victor Coelho ataca Governo de Ferraço para defender “legado”
As fortes chuvas que atingiram Cachoeiro de Itapemirim revelaram muito mais do que alagamentos. Escancararam um problema estrutural e político ligado diretamente ao ex-prefeito Victor Coelho, do PSB.
A obra de macrodrenagem, anunciada como solução definitiva e orçada em cerca de R$ 100 milhões, não funcionou. Pior. Intensificou os pontos críticos exatamente ao longo do traçado do projeto.Bastaram poucas horas de chuva para o discurso do legado ruir diante da realidade.
A população voltou a sofrer com ruas submersas, comércio prejudicado e bairros isolados. O problema não surgiu agora. Ele se agravou.
Reação política e ataque à gestão
Diante do desgaste, aliados do ex-prefeito partiram para o ataque. As chamadas viúvas políticas de Victor Coelho passaram a bombardear a governança do prefeito Theodorico Ferraço, do PP. O alvo, porém, vai além da Prefeitura.
O movimento tenta corroer o projeto político do vice-governador Ricardo Ferraço, do MDB, pré-candidato ao governo do Estado com aval direto do governador Renato Casagrande, líder do PSB.
Criar instabilidade em Cachoeiro, principal polo do sul capixaba, virou estratégia.
Nota oficial expõe erro de origem
O clima político se deteriorou ainda mais quando a Prefeitura anunciou que recorrerá ao governador Renato Casagrande para corrigir o erro de origem da macrodrenagem. A nota oficial não citou nomes, mas foi suficiente para atingir o ex-prefeito.
Victor Coelho reagiu mal. Mesmo sem ser mencionado, sentiu-se ofendido. A reação expôs uma ferida aberta dentro do próprio PSB e revelou dificuldade em lidar com críticas técnicas e administrativas.
Vitimização e comportamento eleitoral
Desde então, Victor passou a gravar vídeos com postura calculada para defender o que chama de legado. Afirma que se manifestará sempre que enxergar críticas indiretas ao seu governo.
O comportamento segue um roteiro conhecido de ano eleitoral. Vitimização, discurso emocional e tentativa de desqualificar a gestão atual.
As motivações são claras. Há incômodo por ter sido superado administrativamente e temor diante da disputa eleitoral. A primeira-dama Norma Ayub, do PP, surge como pré-candidata a deputada estadual e ocupa o mesmo espaço político que Victor ambiciona.
Tiro pela culatra
Ao tentar transformar Cachoeiro em campo de batalha política, sustentado por narrativas que não resistem a poucas horas de chuva, Victor Coelho se isola. Sem apoio amplo, apoia-se no grupo que já comprometeu sua trajetória política.
Esse grupo disputa espaço com a lembrança ainda viva de 16 anos de gestões marcadas por abandono e falta de resultados concretos. A população não esqueceu.
Atacar alianças do próprio governador em Cachoeiro para sustentar um suposto legado não fortalece ninguém. Pelo contrário. Enfraquece o projeto estadual e compromete o movimento político que o próprio ex-prefeito diz servir.
Quanto mais se debate, mais aperta
O excesso de reação cria uma camisa de força. Quanto mais se puxa, mais ela aperta. No fim, sufoca o próprio autor.
A chuva passou. Os alagamentos ficaram. O erro de origem apareceu. E a conta chegou.
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