Walter diz ter sido ‘escanteado’ por Fátima

Agos 3, 2026 - 14:00
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Walter diz ter sido ‘escanteado’ por Fátima

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O vice-governador Walter Alves (MDB) afirmou que foi “escanteado” pela governadora Fátima Bezerra (PT) e que, por isso, não teve participação efetiva no governo estadual nos últimos quatro anos. Hoje candidato a deputado estadual, ele afirmou que seu rompimento político com o grupo governista se deu pela falta de espaço do MDB na gestão e ao risco de assumir, por apenas alguns meses, um Estado que, segundo sua avaliação, atravessa uma grave crise financeira.

O rompimento político entre Walter Alves e Fátima Bezerra aconteceu em janeiro, quando o vice-governador anunciou publicamente que não assumiria o Governo do Estado caso a governadora renunciasse ao cargo para disputar o Senado. A manobra acabou, na prática, inviabilizando as pretensões eleitorais da governadora, pois sua renúncia poderia levar o Estado a uma eleição indireta na Assembleia Legislativa. Sem condições políticas de eleger um sucessor para um mandato tampão, ela desistiu de deixar o cargo antes do fim do mandato.

Walter disse ter ficado decepcionado com Fátima porque poderia ser responsabilizado por dificuldades fiscais acumuladas ao longo de uma gestão da qual, apesar do cargo que ocupa, afirma não ter participado. “Eu fiquei um pouco decepcionado. Por quê? Porque eu seria culpado por algo que eu não tive culpa”, afirmou, citando as dificuldades que teria encontrado se tivesse assumido o governo entre o fim de março e o início de abril.

Ao explicar o distanciamento, acrescentou que o espaço destinado ao MDB no governo ficou limitado à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), ocupada por Paulo Varella. “O que é que coube ao MDB, quando nós ganhamos a eleição? Coube uma Secretaria de Recursos Hídricos”, disse.

O vice-governador sustentou que o cargo não lhe conferiu influência sobre as decisões administrativas e que assumir o Executivo no fim do mandato poderia comprometer sua trajetória política. “O vice-governador não participa da gestão”, declarou. Walter também associou a decisão à preservação de sua imagem e do legado do pai, o ex-governador Garibaldi Alves Filho. Segundo ele, assumir o comando estadual diante de paralisações ou dificuldades para cumprir obrigações financeiras faria com que os problemas fossem atribuídos imediatamente ao novo gestor.

Walter afirmou que trabalhou para ser candidato ao Governo do Estado, mas desistiu depois de analisar as contas públicas com técnicos e consultar dados do Tesouro Nacional. “Eu sonhei muito, trabalhei, lutei para tentar ser candidato a governador”, relatou. Os estudos, segundo ele, apontaram uma situação que classificou como uma “bomba fiscal”. “Se eu assumisse o governo esse ano, eu seria responsabilizado por uma bomba que eu não participei”, disse.

Entre os problemas mencionados, Walter citou uma dívida de R$ 372 milhões relacionada a parcelas de empréstimos consignados contratados por servidores, mas não repassados aos bancos, o não pagamento de uma parcela do financiamento do Banco Mundial e o parcelamento, em seis vezes, de um reajuste salarial para servidores que deveria ter sido concedido em abril. “Você imagina se eu fosse governador. Greve geral na rua”, afirmou. O emedebista disse que seis meses seriam insuficientes para corrigir os desequilíbrios: “Eu não sou um super-homem que em seis meses você consegue reorganizar, reestruturar a situação em que o Estado está”.

O vice-governador também apontou o comprometimento da receita com despesas de pessoal como uma das razões para sua desistência. Atualmente, o Rio Grande do Norte é o estado com a maior despesa com pessoal do País: 56,12%. “É uma situação muito delicada”, resumiu. Walter declarou que precisou rever o projeto de concorrer ao Executivo e decidiu retornar à disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa, onde iniciou a carreira parlamentar.

Apoio a Allyson

Com o afastamento do governo petista, o MDB passou a apoiar a candidatura de Allyson Bezerra (União) ao Governo, indicando o deputado estadual Hermano Morais como candidato a vice. Walter avaliou que Allyson precisará de tempo para reorganizar as finanças e recuperar a capacidade de investimento do Estado. “Nós vamos apoiar Allyson para governador. Ele vai ter quatro anos e vai ter que otimizar, dinamizar, aprimorar, aperfeiçoar a gestão pública, diminuir o custeio da máquina para que o Estado possa voltar a ter capacidade de investimento”, declarou.

Para Walter, o ajuste deverá começar por uma revisão das despesas estaduais. Ele ressaltou que a arrecadação, especialmente a proveniente do ICMS, continua crescendo, mas o aumento dos gastos impede a transformação desses recursos em obras e serviços. “A gente vive um paradoxo. A arrecadação do Estado vem crescendo, o ICMS todo mês está lá, bombando”, afirmou. “Qual o paradoxo? Que a capacidade de investimento com recursos próprios caiu. Por quê? Porque o custeio cresceu.”

O debate sobre as contas públicas será uma das prioridades de Walter caso seja eleito deputado estadual. Ele defendeu que qualquer proposta seja acompanhada da indicação de recursos para executá-la. “A questão orçamentária é fundamental”, disse. Segundo Walter, não basta anunciar hospitais ou novas estradas sem considerar a capacidade financeira do Estado. “Não pode ter demagogia. Os candidatos vão lá: ‘Vou construir um hospital. Não, eu vou fazer mais estradas’. Como? A gente tem que pensar no orçamento”, criticou.

Walter também alertou o eleitorado contra candidatos sem experiência ou trajetória pública conhecida. Para ele, a descrença na política não pode levar a população a escolher nomes somente pela aparência de novidade ou por discursos de campanha. “Tem gente boa e tem gente ruim, como em qualquer atividade”, afirmou. O emedebista recomendou que os eleitores examinem o passado, a atuação nos mandatos e a situação judicial dos concorrentes. “Tem muito aventureiro também, que chega com a conversa bonita, o discurso bonito, depois que ganha…”, declarou.

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