"A maior sequela ficou na mente", conta servidora que sobreviveu a acidente
Raquel: 15 pinos no braço direito
| Foto:
Clóvis Rangel
“Depois dos acidentes, nunca mais consegui voltar a pilotar. Os pinos ficaram no braço, mas a maior sequela ficou na mente”, resume a servidora pública Raquel Vaneli, de 49 anos, moradora de Alfredo Chaves, na Região Serrana do Estado.Acostumada a usar uma Honda Biz como principal meio de transporte, ela viu a rotina mudar após sofrer duas quedas de moto em menos de dois anos. A primeira aconteceu em 2024, quando perdeu o controle da motocicleta e caiu, em um acidente que, segundo ela, pode ter sido provocado por um paralelepípedo solto na pista. A queda resultou na perda parcial de um dos dedos do pé.Mesmo após a recuperação, Raquel continuou conduzindo motocicleta. Mas uma nova queda, ocorrida no ano passado, trouxe consequências ainda mais graves.“Eu seguia normalmente quando um carro freou de repente na minha frente. Não consegui evitar a batida e acabei atingindo a traseira do veículo”, conta.Com o impacto, ela sofreu uma fratura grave no braço direito, precisou passar por cirurgia e recebeu 15 pinos. O tratamento incluiu meses de recuperação, fisioterapia e afastamento do trabalho por 60 dias.“A recuperação física foi difícil, mas o medo foi ainda maior. Hoje não me sinto segura para voltar a pilotar. Só quem passa por isso sabe como a vida muda em questão de segundos”, afirma.As sequelas físicas permanecem, principalmente na movimentação do braço. No entanto, ela diz que os impactos emocionais foram os mais difíceis de superar.“A gente sempre acha que acidente acontece com os outros. Eu também pensava assim. Hoje vejo que um único momento pode deixar marcas para o resto da vida”, destaca.Ao compartilhar sua história, Raquel espera alertar outros motociclistas sobre os riscos do trânsito. “As feridas do corpo cicatrizam. As da mente levam muito mais tempo para sarar”, finaliza.
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