BRB pode adiar balanço novamente em meio a impasse sobre capitalização
Termina na sexta-feira (29/5) o prazo para o Banco de Brasília (BRB) divulgar os balanços em atraso referentes a 2025 e ao primeiro trimestre de 2026, além de concluir o processo de capitalização. Por lei, os documentos deveriam ter sido publicados em 31 de março. No entanto, o banco informou que a divulgação foi adiada em razão dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga fraudes no Banco Master. A nova data foi estabelecida pelo presidente da instituição, Nelson de Souza, sem imposição do Banco Central.
Com a proximidade do prazo, nos bastidores, cresce a expectativa de um novo adiamento na entrega dos documentos. Isso se deve, principalmente, às dificuldades para viabilizar a capitalização. Inicialmente, a estratégia previa a utilização de imóveis autorizados pela Lei nº 7.845/2026. Posteriormente, a direção do banco passou a considerar como alternativa mais rápida e viável a obtenção de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), operação que enfrenta resistência do próprio fundo.
Nesta terça-feira (26/5), na tentativa de destravar o impasse, o Governo do Distrito Federal (GDF) participa de uma reunião com o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir a liberação do aval que concederá uma garantia da União para uma operação de crédito. A agenda foi proposta pelo magistrado após o GDF ingressar com uma ação judicial para garantir a liberação do governo federal. Devem participar do encontro representantes da Advocacia-Geral da União (AGU) e do governo local.
Impactos
Economista, especialista em mercado financeiro e professor da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo explica que, caso o balanço seja adiado novamente, a reputação e credibilidade do banco ficam em situação delicada. “Existe uma expectativa muito grande na apresentação desse balanço. E, de fato, o documento que pode, de alguma forma, mostrar saúde financeira não é divulgado, a falta de transparência compromete não só a gestão atual que pode ser responsabilizada pelo atraso na apresentação desse documento porque essas postergações não passam em branco, existem sanções que podem ser aplicadas ao BRB”, ressalta.
Bergo destaca que, mesmo que a nova data não tenha sido estipulada pelo Banco Central, é uma data simbólica que representaria o marco para a recuperação do banco local. “Se isso (divulgação do balanço) não acontecer de fato, fica bastante difícil e cresce a cada dia a desconfiança. Não vão ser esses aportes de um bilhão, de dois bilhões, que vão conseguir evitar o ataque especulativo ao BRB e consequentemente a questão da liquidez do banco fica bastante fragilizada”, alerta.
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