Chineses disputam contas bancárias e corretoras em Hong Kong

Jun 7, 2026 - 08:00
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Chineses disputam contas bancárias e corretoras em Hong Kong

Investidores chineses estão correndo para Hong Kong para abrir contas bancárias e em corretoras pessoalmente, buscando maneiras de continuar negociando ações no exterior, enquanto os reguladores intensificam a fiscalização das atividades de investimento transfronteiriças.

A onda de abertura de contas presenciais ocorre em um momento em que os reguladores da China e de Hong Kong se mobilizam para fechar brechas e eliminar gradualmente as plataformas de negociação transfronteiriças não autorizadas nos próximos 2 anos. A campanha está pressionando as principais corretoras on-line, ao mesmo tempo que cria oportunidades para empresas locais de Hong Kong.

Na 4ª feira (3.jun.2026), multidões de visitantes da China se reuniram em frente às agências das corretoras Chief Securities e uSMART Securities na estação de trem de alta velocidade West Kowloon, em Hong Kong. Muitos portavam só carteiras de identidade da China continental; os funcionários informaram que ainda poderiam abrir contas válidas para negociação de ações de Hong Kong e dos Estados Unidos, desde que apresentassem os documentos necessários.

A corrida ocorreu depois de uma ação regulatória coordenada. Em 22 de maio, a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China e outras 7 agências governamentais divulgaram um amplo plano de retificação visando negócios ilegais de valores mobiliários, futuros e fundos transfronteiriços.

Quase simultaneamente, a Comissão de Valores Mobiliários e Futuros de Hong Kong e a Autoridade Monetária de Hong Kong atualizaram as regras para clientes da China que abrem contas de investimento na cidade, reduzindo a zona cinzenta em torno das negociações offshore.

As autoridades de Pequim pretendem eliminar as operações financeiras on-line ilegais transfronteiriças em 2 anos. Os clientes da China que já têm contas em plataformas offshore ficarão limitados à venda de ativos e ao saque de fundos, enquanto sites, aplicativos de negociação e servidores locais serão desativados.

As diretrizes atualizadas de Hong Kong, no entanto, não impõem uma proibição geral para que residentes da China abram contas pessoalmente. Em vez disso, corretoras e bancos licenciados devem realizar verificações adicionais para confirmar se os fundos de investimento dos clientes provêm de fontes legítimas fora da China. Essa mudança transferiu efetivamente o ponto de controle regulatório para a etapa de financiamento do processo de abertura de conta.

A Caixin apurou junto a fontes familiarizadas com o assunto que as corretoras on-line Up Fintech, Futu e Long Bridge HK deixaram de abrir contas para residentes da China que tenham só carteiras de identidade chinesa. A Up Fintech, operadora da Tiger Brokers, anunciou que impedirá que usuários residentes na China abram novas posições ou aumentem seus investimentos a partir de 12 de junho. Corretoras menores de Hong Kong enxergam as restrições impostas a suas concorrentes online maiores como uma oportunidade de negócio.

Na Chief Securities, os investidores chineses devem apresentar um documento de identidade da China, um comprovante de entrada em Hong Kong, uma autorização de viagem válida para Hong Kong e Macau e comprovante de uma conta bancária existente em Hong Kong. A uSMART Securities exige documentos semelhantes, mas permite que os clientes solicitem uma conta de corretagem enquanto o pedido de abertura de conta bancária em Hong Kong ainda está em processamento.

Uma fonte do setor familiarizada com o processo afirmou que as corretoras locais licenciadas em Hong Kong não são diretamente regulamentadas pelo órgão regulador de valores mobiliários da China.

Em teoria, segundo essa fonte, as empresas não violam as regras de Hong Kong ao abrir contas para clientes da China, desde que os clientes assinem declarações por escrito confirmando que seus fundos de investimento provêm de fontes offshore legítimas. Testes de registro online na uSMART mostraram que essa declaração de financiamento faz parte do processo de inscrição.

A correria não se limita às corretoras. Em uma agência do HSBC próxima, dentro da estação, dezenas de pessoas faziam fila para abrir contas de poupança, algumas planejando usá-las posteriormente para abrir contas de negociação.

Em Tsim Sha Tsui, agentes de seguros que normalmente promovem produtos de seguros começaram a exibir cartazes oferecendo ajuda gratuita com solicitações de abertura de contas bancárias e de corretoras, alegando ter parcerias que podem facilitar o processo para visitantes da China.

Questionados sobre as penalidades e restrições regulatórias enfrentadas pela Tiger Brokers, Futu e LongBridge, funcionários de corretoras e agentes de seguros disseram que esses casos envolviam questões de conformidade específicas de cada empresa e não afetariam outras instituições que atendem clientes da China continental.

Especialistas do setor alertam, no entanto, que o crescimento do mercado offline acarreta riscos legais e de conformidade. Um banqueiro privado de Hong Kong declarou que investidores da China continental que assinam declarações sobre a origem offshore de seus fundos podem enfrentar responsabilidade legal se as autoridades descobrirem posteriormente que o dinheiro não provém de canais legítimos.

Os residentes da China continental continuam sujeitos a rígidos controles de capital, incluindo uma cota anual de câmbio de US$ 50.000 por pessoa. De acordo com as normas da Administração Estatal de Câmbio, essa cota destina-se ao consumo pessoal e não pode ser usada para transações de conta de capital, incluindo compras de imóveis offshore, seguros de vida ou títulos.

Desde 2018, a China também troca informações fiscais com Hong Kong ao abrigo do Padrão Comum de Relatórios. Embora o objetivo principal dessa estrutura seja combater a evasão fiscal offshore, ela também permite que as autoridades fiscais da China continental tenham acesso às contas financeiras mantidas por residentes da China continental em Hong Kong.


Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 5.jun.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.

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