EDITORIAL: Brasil negro, dentro e fora das salas de aula
Maioria da população, os brasileiros negros e pardos só estão no topo das estatísticas que atestam nossa desigualdade histórica
Não é fácil ser negro no Brasil, onde o racismo estrutural aprofunda desigualdades de todas as ordens. Apesar disso, segundo estudo recente, o debate sobre o racisml é muito raro nas salas de aula.
Parceria entre o Núcleo de Pesquisa Afro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e os institutos Alana e Geledés levanta dados reveladores.
Por exemplo: 50% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio no país declaram não reconhecer o debate sobre desigualdades raciais em sala de aula, mesmo com as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que estabelecem o ensino sobre história e cultura africana, afro-brasileira e indígena nas escolas, em pleno vigor.
A baixa representação política dessa população reflete tal quadro. Apenas 35,6% (5.275) dos candidatos às Eleições Municipais de 2024 se declararam negros. Esses candidatos estiveram presentes em 58% das disputas eleitorais das administrações municipais. Já os que se destacaram como brancos representam 63,6% (9.425) dos candidatos e estão presentes em 84% das disputas. Somente 1,3% dos Municípios tiveram algum candidato amarelo ou indígena.
A partir dos dados é possível inferir que racismo e desigualdade andam de mãos dadas, com reflexos previsíveis na realidade concreta da população. Não à toa, as taxas de homicídios são sempre mais altas entre a população negra.
Maioria da população, os brasileiros negros e pardos só estão no topo das estatísticas que atestam nossa desigualdade histórica. Tanto morrem assassinados, como também são a maioria nas cadeias, onde apodrecem sem a menor chance de ressocialização, sob a custódia do Estado. Apenas dois exemplos que, infelizmente, constituem a regra para a população negra no Brasil.
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