EDITORIAL: Uberização persistente

Mar 11, 2026 - 21:00
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EDITORIAL: Uberização persistente

Os levantamentos recorrentes do IBGE ajudam a dar uma feição estatística à uberização do trabalho

A uberização do trabalho, modalidade de precarização afinada com a tecnologia de aplicativos e plataformas digitais, é um dos maiores desafios a serem encarados pelo governo federal neste terceiro mandato de Lula. Trabalhista, o presidente sempre declarou a intenção de resguardar os direitos dos chamados colaboradores.
O primeiro passo neste sentido já foi dado. O projeto de lei complementar que regulamenta o trabalho de entregadores e motoristas por aplicativos deve ser votado no plenário da Câmara dos Deputados até o início de abril.
Trata-se aqui de uma parcela imensa dos trabalhadores. O número de pessoas que trabalham por meio de aplicativos cresceu 25,4% em 2024, na comparação com 2022. Nesse intervalo, o contingente de trabalhadores nessa condição passou de 1,3 milhão para quase 1,7 milhão. São 335 mil pessoas a mais.
Na prática, embora desfrutem de um rendimento ligeiramente superior à média dos trabalhadores formais, os profissionais que encontram um emprego para a própria força por meio da tecnologia se equilibram numa corda bamba. Além de não gozarem os direitos assegurados pela legislação em vigor, também não se preocupam com o futuro. No 4º trimestre de 2022, apenas 35,7% dos plataformizados eram contribuintes da previdência.
Os levantamentos recorrentes do IBGE ajudam a dar uma feição estatística à uberização do trabalho. Este é o primeiro passo, talvez, no sentido de regular o trabalho em ambiente digital e resguardar todos os trabalhadores brasileiros. Um desafio imenso.

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