Esquema milionário de agiotagem é desvendado no Amapá e revela rede de ameaças, lavagem de dinheiro e violência
Investigação do Gaeco aponta atuação de grupo organizado com movimentação superior a R$ 60 milhões e vítimas em vários municípios
Uma investigação detalhada do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amapá, revelou um esquema criminoso complexo, estruturado e altamente lucrativo que atuava dentro e fora do estado.
O que à primeira vista parecia apenas empréstimos informais escondia, na verdade, uma engrenagem de exploração financeira, ameaças e violência.
No centro desse esquema estavam os irmãos Carlos Alfredo Montoya Castañeda e Anderson Montoya, apontados como líderes de uma organização criminosa que operava o chamado “cobro”, prática comum em países como a Colômbia e baseada em empréstimos com juros abusivos e cobrança diária.
Na prática, funcionava assim: comerciantes recebiam dinheiro rápido, sem burocracia, mas com uma condição pesada — pagar juros que chegavam a 20% em apenas 20 dias. A cobrança era feita diariamente, por uma rede de cobradores que circulava principalmente de motocicleta, visitando os estabelecimentos e pressionando os devedores.
Quando o pagamento não vinha, o cenário mudava rapidamente. As cobranças davam lugar a ameaças diretas, intimidação e até a tomada de bens. Há relatos de vítimas que tiveram veículos retidos como forma de “garantia”, em um ambiente de medo constante e sem qualquer respaldo legal.
A investigação mostrou que o grupo não atuava de forma improvisada. Havia uma divisão clara de funções, com líderes, operadores financeiros e cobradores. O controle era rigoroso, inclusive com uso de sistemas digitais para monitorar valores arrecadados diariamente, além de registros manuais que detalhavam quem pagava e quem estava devendo.
Os números impressionam. Entre 2023 e 2025, a organização movimentou mais de R$ 60 milhões apenas por meio de transações bancárias, sem contar grandes quantias em dinheiro vivo. Esse volume revela não só o alcance do esquema, mas também o nível de organização e capilaridade da atuação criminosa, que se estendia por cidades do Amapá, Pará e até do Piauí.
Para dar aparência de legalidade ao dinheiro, o grupo utilizava empresas, contas de terceiros e familiares, prática conhecida como lavagem de dinheiro. Os valores eram fragmentados, transferidos entre várias contas e, posteriormente, reinseridos no sistema financeiro por meio da compra de bens.
Imóveis, veículos de luxo e até propriedades rurais foram adquiridos com recursos ilícitos. Muitos desses bens estavam registrados em nome de terceiros, numa tentativa de dificultar o rastreamento pelas autoridades. Parte desse patrimônio já foi identificada e bloqueada durante as operações.
O relatório também deixa claro que não se tratava apenas de um esquema financeiro ilegal, mas de uma estrutura criminosa consolidada, com uso de intimidação, controle territorial e exploração de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.
Ao final das investigações, o Ministério Público aponta indícios consistentes de crimes como organização criminosa, agiotagem, ameaça, exercício arbitrário das próprias razões e lavagem de capitais.
Mais do que números, o caso revela histórias de medo, pressão e prejuízos. E evidencia como, por trás de ofertas aparentemente simples de dinheiro fácil, pode existir uma rede perigosa, que transforma dívida em ameaça e lucro em poder.
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