Ex-dono da Reag relata propinas de Vorcaro para autoridades públicas

Set 10, 2026 - 06:00
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Ex-dono da Reag relata propinas de Vorcaro para autoridades públicas

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, afirmou em delação premiada fechada com a Procuradoria Geral da República que fundos administrados pela gestora foram usados para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a autoridades públicas.

Segundo o jornalista José Marques, da Folha de S.Paulo, Mansur detalhou a participação da Reag e de fundos de investimento nas operações e identificou pessoas que teriam atuado como laranjas de Vorcaro. A colaboração também traz informações sobre a movimentação dos recursos, valores enviados ao exterior e caminhos para a recuperação do dinheiro.

Parte dos recursos investigados estaria em offshores fora do Brasil. Com a colaboração, investigadores avaliam que esses valores poderão ser devolvidos ao país sem a necessidade de alguns dos acordos com autoridades estrangeiras exigidos normalmente para a recuperação de ativos. Mansur também se comprometeu a pagar multa de R$ 40 milhões.

O acordo foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator das investigações sobre o Banco Master, e ainda precisa ser homologado. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não seguiu nas tratativas.

Mansur havia apresentado a proposta de colaboração à PGR em agosto. O documento reunia ao menos 17 temas e tinha Vorcaro como principal foco. Em 2 de setembro, a PGR assinou o acordo e o encaminhou a Mendonça. É a 1ª delação firmada pela Procuradoria na operação Compliance Zero.

As investigações indicam que fundos administrados pela Reag teriam sido usados por Vorcaro para retirar recursos do Master e direcioná-los ao patrimônio pessoal ou ao pagamento de propina. O Banco Central identificou operações irregulares entre o banco e fundos da Reag Trust de julho de 2023 a julho de 2024.

À Folha, a defesa de Vorcaro disse que não teve acesso aos anexos da colaboração e, por isso, não poderia se manifestar. A defesa de Mansur não comentou.

DONO DA REAG

Bacharel em ciências contábeis pela Fundação Armando Alvares Penteado, Mansur tem mais de 35 anos de experiência no mercado financeiro e afirma ter estruturado mais de 200 fundos de investimento. Fundou a Reag em 2012 e permaneceu como presidente do conselho de administração até outubro de 2025. A gestora chegou a administrar cerca de R$ 341,5 bilhões.

Mansur também trabalhou na Trump Realty Brazil e passou por empresas como PwC, Monsanto, Tishman Speyer, GetNinjas e Azevedo & Travassos. No futebol, integrou conselhos do Palmeiras e participou das negociações para a construção do Allianz Parque quando atuava na WTorre. Ele foi alvo das operações Carbono Oculto, que investiga fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, e Compliance Zero, sobre suspeitas de crimes financeiros ligados ao Banco Master.

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