Flávio Bolsonaro impõe condições para abrir sigilos e chama proposta de Lula de “promessa vazia”
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quarta-feira (21) que aceita discutir a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas estabeleceu uma série de condições para atender ao desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração ocorre após Lula apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta para divulgar informações financeiras e telefônicas dele e de seus familiares, desde que seu adversário faça o mesmo.
Flávio classificou a iniciativa do presidente como uma “promessa vazia” e argumentou que a divulgação precisa incluir pessoas, empresas e movimentações financeiras relacionadas ao entorno do governo federal.
Flávio quer abertura de dados desde 2003
Em documento apresentado ao TSE, o senador afirmou autorizar a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos referentes aos últimos 20 anos.
A autorização também menciona familiares e quatro empresas das quais Flávio é sócio ou administrador.
Em contrapartida, o candidato do PL exige que Lula disponibilize informações financeiras de seus filhos, empresas ligadas à família, do Instituto Lula e de pessoas próximas ao presidente, com registros desde 2003.
Entre as exigências apresentadas estão a divulgação de informações relacionadas ao cartão corporativo da primeira-dama Janja da Silva e os registros de gastos vinculados ao governo federal.l
Senador também cobra informações sobre auxiliares de Lula
Flávio solicitou ainda a abertura de sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, apontado como integrante do entorno presidencial.
O senador também quer acesso a registros de reuniões e visitas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, incluindo possíveis encontros com Lula e movimentações em instalações oficiais da Presidência.
Outros nomes foram incluídos nas condições apresentadas pelo candidato, entre eles pessoas próximas ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
As exigências fazem parte da disputa política entre os candidatos e não significam que as pessoas mencionadas tenham cometido irregularidades.
Lula propôs abertura de sigilos dos últimos oito anos
O desafio teve início durante o debate presidencial realizado pela TV Bandeirantes, no último domingo (18).
Na terça-feira (20), Lula anunciou que havia autorizado sua equipe jurídica a apresentar uma proposta de divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos, incluindo informações de familiares.
O documento prevê a abertura de registros referentes aos últimos oito anos e condiciona a medida à adoção de procedimento semelhante por Flávio Bolsonaro.
A proposta também contempla a primeira-dama Janja e os filhos do presidente.
A campanha petista sustenta que a divulgação permitiria ampliar a transparência sobre as movimentações financeiras dos candidatos e de seus familiares.
Divergência envolve extensão dos dados
A principal diferença entre as duas propostas está no alcance das informações que seriam tornadas públicas.
Enquanto Lula propõe a divulgação de registros dos últimos oito anos, Flávio defende que a análise alcance duas décadas de suas próprias movimentações e informações do entorno do presidente desde 2003.
Além disso, os dois candidatos apresentam condições distintas sobre quais familiares, empresas e pessoas próximas deverão ser incluídos.
Apesar das manifestações públicas, a apresentação de documentos ao TSE não significa que todos os sigilos tenham sido efetivamente abertos.
A divulgação de dados protegidos, especialmente os pertencentes a terceiros, depende de requisitos legais e de autorizações específicas. O TSE também não é automaticamente obrigado a investigar ou publicar todas as informações oferecidas pelos candidatos.
Embate acontece na reta final das eleições
A troca de desafios ocorre a quatro dias do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.
O tema da transparência patrimonial ganhou espaço na campanha, com os dois presidenciáveis utilizando a proposta de abertura de sigilos para questionar as declarações e as relações financeiras do adversário.
Até o momento, não há confirmação de que todas as condições apresentadas pelas campanhas tenham sido aceitas ou de que a divulgação integral dos dados tenha sido autorizada pela Justiça Eleitoral.
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