Grupo Pontal-Thopen pede recuperação judicial com passivo de R$ 4,6 bilhões

Agos 17, 2026 - 20:00
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Grupo Pontal-Thopen pede recuperação judicial com passivo de R$ 4,6 bilhões

O Grupo Pontal-Thopen pediu à Justiça a abertura de recuperação judicial com dívidas que somam R$ 4,56 bilhões, após fracassar uma tentativa de negociação coletiva com credores. O grupo, que atua no mercado livre e possui dezenas de ativos de geração distribuida, afirma enfrentar uma crise de liquidez provocada pelo descasamento entre a entrada em operação de projetos e o pagamento das dívidas contraídas para financiá-los, pelo custo elevado do crédito e por atrasos de distribuidoras na conexão de usinas à rede.

O pedido foi apresentado à 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro e busca converter uma tutela cautelar obtida em julho em recuperação judicial. Segundo a companhia, a medida anterior havia suspendido cobranças e atos de constrição para permitir uma negociação com credores, mas a tentativa de composição não avançou. O grupo afirma que credores relevantes passaram a buscar vencimentos antecipados, acionar cláusulas de cross-default, reter recebíveis e executar garantias.

A lista apresentada à Justiça aponta um passivo total de R$ 4,56 bilhões. Desse montante, R$ 2,29 bilhões correspondem ao chamado passivo votante, praticamente todo formado por créditos quirografários. Outros R$ 2,27 bilhões são créditos entre empresas do próprio grupo.

A maior parte da crise descrita à Justiça está ligada à estrutura de financiamento dos projetos de geração e à dificuldade de fazer os ativos começarem a gerar caixa no ritmo originalmente previsto.

Segundo a empresa, parte relevante das usinas ainda não havia entrado em operação comercial ou começou a operar recentemente, enquanto as parcelas dos financiamentos utilizados para implantá-las já começaram a vencer. O grupo sustenta que isso criou um descasamento entre receitas e desembolsos e passou a pressionar o capital de giro.

A companhia também atribui parte da deterioração financeira aos juros elevados. Segundo a petição, a manutenção da Selic em nível restritivo encareceu novas captações e a rolagem das dívidas, ao mesmo tempo em que restringiu o acesso a financiamento de longo prazo compatível com o prazo de maturação dos projetos.

Outro fator apontado pelo grupo foram atrasos de distribuidoras na conexão de empreendimentos de geração. Segundo a empresa, algumas usinas ficaram prontas, mas não conseguiram ser energizadas no prazo esperado. Sem a conexão, os projetos deixaram de gerar as receitas previstas, enquanto os custos e as parcelas dos financiamentos continuaram vencendo.

Grupo acusa antigos controladores e cobra R$ 300 milhões

A petição traz ainda uma nova frente de disputa envolvendo a aquisição da Thopen. O fundo Denham Capital, controlador do Grupo Pontal-Thopen, afirma ter identificado inconsistências nas informações prestadas pelos antigos controladores, a RZK, durante a operação de compra da companhia.

“Aprofundadas as apurações, constatou-se que os antigos controladores prestaram […] declarações e garantias que não correspondiam à real situação financeira e operacional dos negócios adquiridos”, diz o documento.

O grupo afirma ainda que cerca de R$ 300 milhões de um aporte primário de R$ 500 milhões realizado pela Pontal teriam sido consumidos no pagamento de passivos e necessidades de caixa anteriores ao fechamento da operação, apesar de os recursos estarem, segundo a empresa, vinculados contratualmente ao desenvolvimento de novos projetos.

Em julho, a Pontal iniciou uma arbitragem contra acionistas minoritários e antigos controladores perante a Câmara de Comércio Brasil-Canadá, pedindo ressarcimento por perdas que, por enquanto, são estimadas em R$ 300 milhões. As alegações ainda serão discutidas no procedimento arbitral.

Risco de efeito cascata

A deterioração do caixa ficou evidente em junho, quando o grupo afirma não ter recursos para pagar uma obrigação de aproximadamente R$ 184 milhões com a XP Investimentos e o fundo Scorpio. As partes fecharam um acordo temporário para postergar a cobrança, numa tentativa de impedir que o inadimplemento acionasse cláusulas de vencimento cruzado de outras dívidas.

Segundo a petição, negociações semelhantes com outros três credores não tiveram sucesso. O controlador chegou a emprestar R$ 11,5 milhões ao grupo para manter as operações, mas a empresa afirma que a deterioração de caixa tornou insuficientes as medidas tomadas até então.

Agora, além da recuperação judicial, o Grupo Pontal-Thopen pede à Justiça proteção contra retenções de recebíveis, execução de determinadas garantias e acionamento de cláusulas de vencimento antecipado e cross-default. A companhia argumenta que uma corrida individual de credores pelos ativos poderia comprometer o caixa e até paralisar usinas de geração.

Procurada, a empresa disse que  está direcionando seus esforços para seu processo de reorganização financeira e operando normalmente. Compromissos com clientes e colaboradores permanecem inalterados. “Este processo representa uma medida proativa, tomado de forma deliberada para tornar a companhia mais resiliente e cada vez mais preparada para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades de um setor dinâmico e em constante evolução”.

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