Indústria italiana de calçados deve faturar quase 13 bilhões de euros em 2025

Jan 2, 2026 - 09:00
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Indústria italiana de calçados deve faturar quase 13 bilhões de euros em 2025

A indústria de calçados na Itália prevê encerrar 2025 com faturamento na ordem dos 12,8 bilhões de euros. O resultado, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes Italianos de Calçados (Assocalzaturifici, na sigla em italiano), representa uma queda de 409 milhões de euros na comparação com 2024, retração de 3,1%.

Produção em uma fábrica italiana de calçados
Reprodução/World Footwear Produção em uma fábrica italiana de calçados

Por outro lado, o setor italiano de calçados, conforme a entidade, “está mostrando sinais de estabilização gradual em um contexto macroeconômico global que permanece incerto”. De acordo com a pesquisa de mercado realizada pelo Centro de Estudos da Confindustria Accessori Moda para a Assocalzaturifici, os primeiros nove meses de 2025 retratam um setor que, embora ainda com resultados negativos (-4,1% de receita na amostra de empresas associadas em comparação com janeiro a setembro de 2024), “está experimentando uma significativa desaceleração da recessão”. Nesse sentido, o terceiro trimestre registrou uma queda anual no faturamento de 0,9%, um resultado, segundo a associação, “marcadamente melhor do que as fortes contrações observadas no primeiro semestre do ano”.

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Giovanna Ceolini, presidente da Assocalzaturifici
Divulgação/Assocalzaturifici Giovanna Ceolini, presidente da Assocalzaturifici

A presidente da Assocalzaturifici, Giovanna Ceolini, cita que o “panorama geral atual permanece complexo e não poupa nem mesmo o segmento de alto padrão” do mercado. “Mas os dados do terceiro trimestre indicam uma desaceleração da queda e o primeiro vislumbre de luz no fim do túnel da recessão”, afirma a dirigente.

Exportações italianas de calçados

No comércio exterior, nos primeiros oito meses de 2025, as exportações italianas de calçados atingiram 7,72 bilhões de euros (-1,3%). O número mais significativo diz respeito às quantidades: 131,8 milhões de pares exportados, aumento de 4,3%. Essa recuperação nos volumes, de acordo com a Assocalzaturifici, foi acompanhada por um reposicionamento dos preços médios (58,58 euros por par, -5,3%), refletindo uma correção apósos aumentos de dois dígitos observados em 2022/2023.

A área da União Europeia (que absorve 7 em cada 10 pares de calçados exportados pela Itália) cresceu tanto em valor (2,2%) quanto em volume (7,6%). A Alemanha se destacou com aumento de 6% em valor e de 10% em pares, enquanto desempenhos positivos também foram registrados na Espanha, Polônia, Bélgica e Áustria. Fora da UE, o Oriente Médio “se confirmou como a área mais dinâmica”, com crescimento geral de valor de 13%, impulsionado pelo aumento nos Emirados Árabes Unidos (20%). Turquia e México também apresentaram bom desempenho.

“Apesar da falta de melhorias significativas nos cenários geopolíticos, a capacidade de nossas empresas de manter uma forte presença nos mercados europeus e de capturar a demanda em áreas mais dinâmicas, como o Oriente Médio, será fundamental para enfrentar 2026”, comenta a presidente da Assocalzaturifici.

As exportações italianas de calçados para o Extremo Oriente teve queda superior a 20% tanto em volume quanto em valor, refletindo a forte desaceleração na China (-24,6% em valor), bem como em outros importantes mercados asiáticos (Hong Kong, Japão e Coreia do Sul), além da área da CEI (-9,2%, com a Rússia em -17,8%), impactada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

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Tarifas nos Estados Unidos

O mercado dos Estados Unidos para o calçado italiano fecha o período de oito meses com um aumento de 2,9% em valor, contra uma queda nas quantidades (-4,2%). O setor está avaliando cautelosamente o impacto das tarifas estabelecidas pelo acordo EUA-UE: enquanto agosto registrou queda de 17,8% em valor, os dados preliminares de setembro mostram uma resposta que foi, segundo os fabricantes italianos, em alguns aspectos, inesperada. Atualmente, 55% dos associados da Assocalzaturifici, que exportam para os EUA, consideram os efeitos das tarifas significativos, com “fortes impactos críticos” para uma em cada cinco empresas.

Importações e consumo interno italiano

As importações de calçados na Itália aumentaram 12,8% em quantidade (atingindo 271,6 milhões de pares); essa tendência não está ligada ao consumo interno — que permaneceu estável — mas sim ao fortalecimento dos fluxos logísticos para reexportação, especialmente de artigos esportivos. No âmbito doméstico, as compras das famílias italianas nos primeiros nove meses recuperaram a diferença em relação a 2024, igualando os níveis do ano passado graças a um terceiro trimestre positivo (2% em quantidade); no entanto, permanecem bem abaixo dos níveis pré-pandemia (-7,7%).

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