Inflação desacelera, com nova queda nos preços dos alimentos

Jul 10, 2026 - 21:00
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Inflação desacelera, com nova queda nos preços dos alimentos

Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16%, após alta de 0,58% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro

A inflação no Brasil desacelerou mais do que o esperado em junho, com queda nos preços dos alimentos e custos mais baixos da energia elétrica residencial, chegando ao menor nível em oito meses, em meio aos esforços do Banco Central para levar a alta dos preços à meta.

Taxa de juros
A taxa de juros tende a cair, com o recuo nos índices de inflação

Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16%, após alta de 0,58% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Trata-se da leitura mensal mais baixa desde outubro, quando o IPCA apresentou avanço de 0,09%.

O resultado levou a taxa em 12 meses a 4,64%, de 4,72% no mês anterior. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters de altas de 0,31% na comparação mensal e de 4,80% em 12 meses.

 

Café moído

Em junho, o grupo Alimentos e Bebidas teve queda de 0,24% e registrou o maior impacto negativo sobre o índice do mês, após alta de 1,33% em maio. Os custos da alimentação no domicílio caíram 0,39%, depois de subirem 1,65% no mês anterior. Apresentaram quedas café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%), enquanto feijão-carioca (8,31%) e batata-inglesa (3,57%) avançaram.

Na outra ponta, o grupo Habitação registrou a maior variação e o maior impacto, com alta de 0,63% no mês. Ainda assim, mostrou desaceleração depois de ter subido 1,22% em maio. Isso porque o aumento nos preços da energia elétrica residencial diminuiu a 1,53% em junho, de 3,67% no mês anterior, ainda que tenha exercido o maior impacto individual no resultado do IPCA.

No mês de junho, as contas de luz seguiram com bandeira amarela, o mesmo que em maio, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.

 

Combustíveis

Já os Transportes saíram de uma queda de 0,46% em maio para alta de 0,17% em junho, refletindo a alta de 7,12% das passagens aéreas mas recuo de 0,48% nos combustíveis — etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).

A inflação de serviços mostrou um leve alívio em junho com taxa de 0,34%, de 0,40% em maio, acumulando em 12 meses avanço de 5,90%. O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, recuou para 54%, de 65% no mês anterior.

Além das repercussões da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e de outros produtos, estão no radar ainda questões climáticas, como o El Niño. A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 5,30% em 2026, indo a 4,18% em 2027.

 

Renda

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), por sua vez, fechou o mês de junho em 0,14% e acumula 4,33% nos últimos 12 meses. O indicador interessa a diversas categorias profissionais pois serve de base para cálculo de reajuste salariais.

Segundo o instituto, os produtos alimentícios tiveram deflação no mês, ou seja, ficaram mais baratos 0,29% em média. O grupo dos não alimentícios subiu 0,28%.

Uma diferença entre os dois índices é que o INPC apura a inflação para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos e o IPCA, para lares com renda de um a 40 salários mínimos. Atualmente o mínimo é de R$ 1.621.

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