"Jamais esperaríamos", diz familiar sobre morte após choque em tirolesa
A família dos amigos mortos após choque elétrico em tirolesa divulgou vídeo nas redes sociais esclarecendo como ocorreu o acidente durante confraternização após um casamento na Estância Walf, em Bonito, a 297 quilômetros de Campo Grande. O acidente aconteceu no domingo (22) e vitimou Gustavo Henrique Camargo, 32 anos, e Pedro Henrique de Jesus, 20 anos. No vídeo Elenildo dos Santos Barbosa, conta que a família havia celebrado o casamento na igreja matriz de Bonito e após a cerimônia os convidados foram para estância alugada para o fim de semana. De acordo com o familiar, na manhã de domingo, enquanto tomavam café, Gustavo e Pedro foram utilizar a tirolesa da área de lazer. Conforme o relato, Gustavo desceu primeiro e, ao tocar a água no final do percurso, ficou paralisado, preso à estrutura. Inicialmente, os primos que estavam próximos acreditaram se tratar de uma brincadeira, mas perceberam que ele permanecia imóvel por mais de um minuto. Dois jovens que aguardavam para descer puxaram a estrutura de volta. Quando Gustavo foi retirado da água, acabou se soltando e caiu no lago. Na sequência, Pedro Henrique atravessou o lago para tentar ajudar o amigo. Ao retornar, segurou o cabo de aço que sustenta a tirolesa e também ficou preso à estrutura. “Nessa volta ele pegou no cabo de aço que segura a estrutura da tirolesa. Ali mesmo ele ficou, debruçado por cima do cabo”, afirmou Elenildo. Segundo o familiar, um dos convidados, que teria conhecimento na área elétrica, alertou que poderia se tratar de choque elétrico e orientou que todos saíssem imediatamente da água. O caseiro da propriedade desligou a energia. Após o desligamento, Pedro caiu na parte rasa do lago e foi retirado rapidamente, mas já estaria sem sinais vitais. Gustavo ainda foi encontrado submerso, retirado com pulsação e encaminhado ao hospital. De acordo com a gravação o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas houve dificuldade de sinal de celular no local. Gustavo foi levado inicialmente ao hospital de Bonito e depois transferido para Campo Grande, onde morreu. Pedro também foi levado para atendimento médico, mas não resistiu. A família agradeceu o atendimento prestado pela equipe de saúde de Bonito, mas cobrou melhorias na estrutura da cidade para atendimento de emergências, destacando que o município é um dos principais destinos turísticos do Estado. “Bonito é conhecido em todo o Mato Grosso do Sul, em todo o Brasil. Mas numa causa igual a esta, como que Bonito está preparado para receber os turistas?”, questionou. Ele também afirmou que a família busca justiça e que espera esclarecimentos sobre as circunstâncias do acidente. O caso é investigado pelas autoridades competentes para apurar responsabilidades. Caso - Conforme a nota da Delegacia de Bonito, perícia realizada no local identificou que toda a estrutura da tirolesa era metálica e que, no topo da torre, havia um sistema de iluminação com fiação antiga e pontos desencapados. A suspeita é de que essa condição possa ter energizado a estrutura. Gustavo Henrique teria sofrido uma descarga elétrica ao descer pela tirolesa e entrar em contato com a água. Ao perceber que o amigo estava submerso, Pedro Henrique pulou na lagoa na tentativa de socorrê-lo e também foi atingido por choque. Familiares que estavam no local relataram à polícia que, além da descarga, ambos acabaram submersos e perderam os sentidos. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas devido à distância encontraram as vítimas já sendo levadas por pessoas presentes na propriedade. Os dois tiveram parada cardiorrespiratória. O espaço foi alugado pelos familiares das vítimas por três dias. Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a estância não tinha certificado de vistoria emitido pela corporação e funcionava de forma clandestina no aluguel para eventos. Por isso, o espaço foi multado e interditado até a regularização da documentação. De acordo com documentos da Receita Federal, a estância pertence à empresa Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda, que tem como sócio o conselheiro do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) e ex-presidente da Corte, Waldir Neves Barbosa. A empresa foi aberta em 23 de abril de 2021 e tem capital social declarado de R$ 4.444.777,00. No cadastro, consta como atividade econômica principal o “aluguel de imóveis próprios”. A reportagem tentou contato com o conselheiro, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
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