Monumento das Árvores Fossilizadas preserva um dos maiores registros de vegetais fossilizados do mundo no Tocantins

Jul 8, 2026 - 16:00
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Monumento das Árvores Fossilizadas preserva um dos maiores registros de vegetais fossilizados do mundo no Tocantins


No norte do Tocantins, o Monumento Natural Estadual das Árvores Fossilizadas do Tocantins (Monaf) preserva um dos maiores registros de vegetais fossilizados do mundo. Localizada no distrito de Bielândia, em Filadélfia, a unidade de conservação ocupa uma área de 32.067 hectares de Cerrado, com zona de amortecimento que alcança parte do município de Babaçulândia.

Os fósseis encontrados na região são remanescentes de uma floresta que existiu há milhões de anos, durante o período Permiano. Entre os exemplares identificados estão árvores fossilizadas de pteridófitas, esfenófitas, coníferas e cicadáceas, conhecidas pelos moradores da região como “Pedras de Pau”.

A criação do monumento ocorreu após denúncias de exploração irregular dos fósseis. Em 1996, uma licença de pesquisa concedida pelo então Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) à empresa Mineração Pedra de Fogo Ltda resultou na retirada e comercialização ilegal de material fossilífero, patrimônio da União. Após manifestação da Sociedade Brasileira de Paleontologia ao Ministério Público do Tocantins, a área passou a ser protegida pelo Estado.

De acordo com estudos realizados na unidade, os fósseis apresentam elevado grau de preservação devido ao processo de permineralização por sílica, que manteve estruturas internas das plantas, como tecidos e grãos de pólen. As pesquisas indicam que a região correspondia a uma planície costeira com amplo sistema hídrico durante o período Permiano.

O patrimônio fossilífero do Monaf é utilizado em pesquisas nas áreas de paleobotânica, geologia, paleoclimatologia, sedimentologia, estratigrafia, paleoecologia e taxonomia. Os estudos contribuem para a compreensão da evolução das florestas, das mudanças climáticas e da história geológica da Terra.

Além do patrimônio paleontológico, a unidade conserva formações típicas do Cerrado, incluindo cerradão, matas ciliares, matas de galeria, campos de cerrado e áreas de transição com vegetação de afinidade amazônica. Levantamentos também registram dezenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios, algumas ameaçadas pela perda de habitat, caça e atropelamentos em rodovias que cruzam a região.

O distrito de Bielândia, onde está localizada a sede do monumento, possui infraestrutura básica, com escola, unidade de saúde, posto policial e estabelecimentos comerciais. A comunidade mantém forte vínculo com as atividades rurais e também desenvolve ações ligadas ao extrativismo vegetal, com aproveitamento de frutos nativos como mangaba, buriti, murici e caju na produção de doces, compotas, sucos e licores.

O Monaf também desenvolve atividades de educação ambiental em escolas rurais e assentamentos, com ações voltadas à preservação dos recursos hídricos, da fauna, da vegetação nativa e do patrimônio fossilífero da unidade de conservação.

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