Mulheres da geração Z redefinem sucesso e empreendem em busca de equilíbrio
“Para mim, sucesso não é sobre vender muito ou escalar o meu negócio. Claro, vender é o que faz tudo girar. Mas, no fim, é sobre construir algo com um propósito claro, que atinja pessoas que realmente gostam do meu trabalho e que me permita crescer de forma sustentável, mantendo a essência que tenho desde o começo”.É assim que a empresária capixaba Letícia Teixeira Leão Matos, de 25 anos, descreve o que a faz ter certeza de que está no caminho certo. Fundadora de uma marca de moda slow fashion, ela exemplifica uma mudança de comportamento observada entre jovens da geração Z: a ressignificação do que é considerado sucesso.Entre mulheres da geração Z, o empreendedorismo vai além do faturamento e expansão e passa a refletir escolhas ligadas a propósito, valores e qualidade de vida.Ao jornal A Tribuna, jovens empresárias compartilharam suas trajetórias, os desafios do empreendedorismo feminino e as decisões que moldam seus negócios. Histórias diferentes, mas atravessadas por uma mesma pergunta: afinal, o que é sucesso para a geração mais jovem do mercado de trabalho?
Letícia Teixeira Leão Matos possui uma marca de roupas por encomenda e diz que seu foco é a qualidade
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Kadidja Fernandes/AT
Letícia Teixeira Leão MatosFundadora da marca de moda slow fashion Letícia Leão, a jovem empreendedora conta que sua trajetória como dona do próprio negócio começou de forma natural, há cerca de sete anos. Na época, cursando Engenharia Elétrica e vivendo uma situação financeira delicada com a família, ela decidiu vender peças de roupas simples produzidas pela mãe. "Minha mãe era costureira e fez algumas peças. Minhas amigas gostaram, contaram para outras amigas e assim começamos a vender", relembra.Em 2020, Letícia decidiu criar um perfil no Instagram para divulgar o trabalho. "Minha mãe produzia e eu ficava responsável pelas redes sociais, atendimento e entregas". A pandemia, no entanto, paralisou a produção por completo — mas Letícia aproveitou a pausa para aprender a costurar por conta própria. Ela, então, decidiu retornar para as redes sociais com as novas peças que criou. O ponto de virada veio no final daquele ano, quando ela decidiu que esse era o caminho que queria seguir. "Tudo acontecia dentro da minha casa, eu tinha um cômodo que era meu ateliê e usava a mesa da sala para fazer os cortes. A casa ficava tomada por envios", conta.No começo, as vendas eram focadas na Grande Vitória. A partir do lançamento do site da marca, em 2021, ela passou a ganhar clientes de outros locais. Hoje, com a transferência do ateliê para um prédio comercial, a jovem já contabiliza vendas para todos os estados brasileiros. Letícia, no entanto, destaca que o crescimento exponencial não é o seu objetivo. "A minha proposta nunca foi de lançar muitos modelos, de fazer as pessoas comprarem muito. Eu nunca quis acompanhar esse consumo rápido. Sempre gostei de criar peças que façam sentido, que sejam versáteis e durem de verdade".Para ela, o sucesso está, justamente, em manter seus valores através do crescimento equilibrado da marca. "É construir algo que tenha um propósito claro e que siga com a minha essência".
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por letícia leão (@shop.leticialeao)Ana Karolina SabaráCom sete anos de carreira, a empresária Karol Sabará lidera um time de dez profissionais e projeta um faturamento de R$ 1,5 milhão com a sua agência focada em estratégias para negócios digitais. Com foco em mentorias para outras mulheres empreendedoras, em sua maioria jovens, são cerca de 110 alunas ativas e mais de 300 negócios atendidos nos últimos dois anos. Ela conta que sempre foi empreendedora e, antes de se encontrar no marketing, trilhou outros caminhos. "Fui maquiadora dos 15 aos 21 anos e, aos 17, entrei na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para me tornar historiadora. Aos 18, percebi que precisava captar clientes que buscassem uma maquiagem focada na beleza natural da mulher e, assim, descobri o marketing. Aos 19, criei um Instagram pra compartilhar tudo que eu lia, estudava e aplicava de estratégia — mal sabia que eu criaria a empresa que tenho hoje", relembra.A empresa, no entanto, só se tornou a ocupação integral da estrategista após uma experiência no mercado corporativo. "Só em 2023, quando entro em um bastidor de uma grande especialista do mercado digital, é que descubro meu know-how (habilidade): processos, liderança e gestão. Ali construí processos, aprendi a liderar, demitir, contratar, ser uma estrategista melhor, dominar a pressão, dar feedback. Foi mais que uma escola de negócio. Mas foi, também, o ano em que tive dois burnouts", conta.No ano seguinte, ela decidiu focar integralmente no seu próprio negócio. Para ela, o sucesso está em poder equilibrar as responsabilidades profissionais com uma vida mais leve. "Ser uma gen Z na liderança me faz querer fugir da imagem do empresariar com 'cara de homem de 40 anos de terno' e me faz desejar um trabalho e ascensão financeira que permita qualidade de vida real para mim e para os meus funcionários".
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por karol | estrategista de negócios digitais (@karol.sabara)Conheça a história de outras empreendedorasAna Clara Zanetti BregonciFoi a procura por um novo hobbie que levou Ana Clara a se tornar uma empresária. Em 2023, enquanto estudava Engenharia Elétrica, pediu que uma tia a ensinasse a costurar — e acabou descobrindo uma nova paixão. "Quanto mais eu aprendia, mais me interessava pela área. Depois, fiz um curso de modelagem para aprofundar meus conhecimentos e decidi criar minha própria marca. Hoje, sou responsável por todo o processo de desenvolvimento das peças, desde a criação e modelagem até a costura", conta a empreendedora. Para ela, fazer o que se gosta é essencial para alcançar o sucesso. "É acordar todos os dias sabendo que estou construindo algo em que acredito e também me faz feliz. Sucesso é ter a certeza de que estou construindo algo que tem a minha identidade".
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Ana Clara Zanetti Bregonci (@anaclarazanetti_)Deborah DuarteFoi ao perder o emprego de carteira assinada que Deborah decidiu que era hora de profissionalizar seu trabalho como freelancer e iniciar a sua própria agência. Cinco anos depois, o estúdio de design e branding já atendeu clientes de diferentes estados e países. "Sempre tive um perfil nas redes sociais pra divulgar o meu trabalho, mas após a demissão busquei entender a melhor forma de promover o que eu faço. Tenho clientes fixos, alguns que estão comigo desde que comecei", conta a universitária.Segundo ela, o sucesso vai além dos resultados e conquistas materiais — e engloba, também, o orgulho de construir algo alinhado aos seus valores. "É ter uma direção, se dedicar diariamente ao que acredita e valorizar cada conquista ao longo do caminho, independentemente do tamanho dela. No fim, acredito que o verdadeiro sucesso é encontrar realização e felicidade na jornada que estamos construindo".
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Estúdio Hayah | Branding & Design (@estudiohayah)Fabiana QuintelaÀ frente do negócio da família enquanto inicia seu novo empreendimento, Fabiana conta que, mesmo crescendo cercada pelo empreendedorismo, não se imaginava seguindo o caminho dos pais. "O que me levou ao empreendedorismo foi, antes de tudo, a necessidade e o amor pela minha família. Meus pais trabalharam muito para me proporcionar oportunidades que eles não tiveram. Com os recursos e conhecimentos que tinham, construíram uma empresa que nos sustentou durante muitos anos. Quando percebi que aquele negócio corria risco, senti que precisava fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para ajudá-los".Ao reestruturar a empresa, que vende utilidades do lar, ela se reconheceu como empreendedora. Agora, a jovem se divide entre o papel de gestora e a paixão pelo marketing, que a fez abrir uma agência focada em produção audiovisual para redes sociais. "Empreender tem me feito refletir muito sobre o que realmente significa sucesso. Quero dar o meu melhor em tudo o que me proponho a fazer e construir uma vida que me permita ter tempo de qualidade com a minha família, sentar à mesa sem pressa, cuidar da minha saúde e estar presente nos momentos que realmente importam", diz.
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Instant • Mídias Sociais & Eventos (@midiainstant)Loren Carvalho e Kezia CastroDe amigas da faculdade à sócias, as jovens se conheceram durante a formação como publicitárias e, desde o primeiro momento, compartilhavam um estilo fortemente ligado à geração Z. O desejo de criar a própria agência sempre existiu, mas quem deu o primeiro passo foi Loren — que criou a marca com o objetivo de expor os trabalhos freelancers que já realizava. Após se tornarem sócias, a dupla decidiu que gostaria de trabalhar com clientes com quem se conectassem. "Trabalhamos com marcas mais criativas, que façam sentido para nós. Já realizamos projetos para empresas como a Farm e a influenciadora Lara Santana", destacou Loren."Nosso estúdio tem uma forte identidade da geração Z, somos heavy users de redes sociais e isso nos faz conversar com o público certo. Assim entendemos que estamos indo na direção correta enquanto empreendedoras mais jovens", completa Kezia.
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Orange juice • Design • Social Media (@orangejuice.studio)Mariana BermudesA escolha pelo empreendedorismo foi o caminho natural para a estudante Mariana, que abriu sua própria marca com apenas 16 anos. Segundo ela, a paixão pelas vendas foi motivada pelo avô, que era dono de uma mercearia e passou seus ensinamentos para a jovem. "Em 2022 escolhi que iria trabalhar no meu próprio negócio e eu agradeço muito por ter começado nessa idade. Comecei comprando conjuntos de biquínis por atacado e, dois anos depois, iniciei a minha própria confecção. Hoje também vendo moda fitness e sigo investindo na minha loja online", explica. Segundo ela, sentir que está no caminho certo vai além de faturamento. "É quando você conquista aquilo que sempre sonhou sendo você mesma. Sei que um dia terei minha loja física e funcionários para a minha marca".
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por MARIMARI | biquínis e fitness (@use.marimari)Nathália da Silva BorgesRecomeço e paixão pelo surfe: foi unindo a busca por um novo caminho após o falecimento do pai e a prática esportiva que Nathália decidiu que se tornaria uma empreendedora. "Minha marca surgiu pelo amor ao surfe, que foi o estilo de vida que me sustentou após a perda do meu pai. Como minha vida saiu dos trilhos, então eu pude escolher algo diferente, que fazia sentido e me dava forças", conta a jovem.Hoje, Nathália trabalha vendendo camisas sob encomenda com frases do universo do surfe. O próximo passo é expandir a esteira de produtos com bonés, ecobags e, possivelmente, roupas para quem pratica o esporte. "Eu faço tudo. As estampas, atualizações no site, gestão das redes sociais, criação de campanhas, posicionamento da marca e tráfego pago. Decidi empreender para ter maior liberdade de exercer minha criatividade", explica.
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Tri | Surf Lifestyle (@trisurfclub)Rhana AndradePara a publicitária, o empreendedorismo foi o ponto de partida — quando, ainda criança, vendia brigadeiros feitos por familiares — e também o de chegada, quando encontrou nele o caminho que deseja trilhar. Para isso, ela concilia a maternidade e a vida pessoal com a sua empresa e um trabalho corporativo, acreditando que sua principal vitória é poder inspirar outras mulheres. “O que me levou a empreender foi uma fase de transição, depois de testar várias possibilidades e ainda não ter me encontrado. Foi com a minha marca de acessórios que me apaixonei e entendi quem eu queria ser. Ser uma jovem empreendedora me faz querer tentar mais e não desistir. Para mim, o sucesso é ser uma inspiração".
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por @usesalu__Yasmin Ferraz, 27 anosApaixonada por arte desde a infância, Yasmin decidiu transformar o que já foi uma fonte de renda extra em sua profissão. Depois de vender acessórios, fazer artes por encomenda, concluir a faculdade e trabalhar como atendente de telemarketing, a jovem decidiu que era hora de trabalhar para si própria. “Eu trabalhei como atendente de telemarketing antes de me tornar tatuadora e eu não gostava do fato de passar o dia inteiro trancada em uma sala, na frente do computador. Eu queria trabalhar para mim mesma e ser mais livre”, explica. Após conquistar clientes fiéis em Pinheiros, no interior do Estado, a tatuadora decidiu se mudar para Vila Velha em busca de novos mercados. "Está sendo um recomeço. Nem sempre é fácil viver da arte, mas não imagino outro caminho para mim". "Acho que sucesso é chegar ano ponto de ter liberdade para viver a vida de uma forma plena e também ter reconhecimento profissional".
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Yasmin Ferraz • tatuadora (@yasminftattoo)
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