Nasa lança Telescópio Espacial Roman, um satélite de espionagem de estrelas

Agos 30, 2026 - 22:00
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Nasa lança Telescópio Espacial Roman, um satélite de espionagem de estrelas
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A Nasa ⁠deu início a uma nova missão para investigar alguns dos maiores mistérios da astrofísica e ⁠da cosmologia com o lançamento, neste domingo, do novo observatório astronômico da agência espacial norte-americana, um satélite de espionagem reaproveitado ‌que captará imagens panorâmicas do cosmos.

O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, um projeto de aproximadamente US$4 bilhões, foi lançado do Centro Espacial Kennedy da Nasa, em Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX , sob um céu azul logo após ‌o nascer do Sol. Sua missão está prevista para cinco anos, embora a Nasa tenha informado que o telescópio pode ter combustível suficiente para outros cinco anos.

O telescópio, que se posicionará em órbita além da Lua, foi projetado para investigar enigmas cósmicos, como a energia escura e a matéria escura, ao mesmo tempo em que testará a gravidade em grandes escalas e buscará exoplanetas — como são chamados os planetas além do nosso sistema solar.

O lançamento de domingo marcou “um ponto final para os engenheiros, mas é um ponto de partida para os cientistas”, disse Julie McEnery, cientista sênior ⁠do projeto ‌do telescópio Roman, a repórteres em uma coletiva de imprensa após o lançamento. “Parece que estou à beira de um precipício, e estamos prestes ⁠a dar um passo rumo ao desconhecido.”

O observatório foi originalmente projetado para um programa de satélites espiões sob o Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO), parte da comunidade de inteligência dos EUA que gerencia os mais poderosos satélites espiões norte-americanos. Esse programa ultrapassou o orçamento e foi encerrado, e o NRO, em 2012, o doou à Nasa, que o redirecionou para a exploração cósmica.

O Roman viajará pelo espaço em direção a uma posição orbital chamada Ponto de Lagrange 2, a cerca de 1,6 milhão de km da Terra.

Os cientistas da ​missão passarão os próximos 90 dias comissionando-o e preparando-o para suas operações científicas. Espera-se que o Roman transmita suas primeiras imagens de alta resolução “antes das férias de inverno” (no hemisfério norte), disse Jackie Townsend, gerente de projeto do telescópio Roman.

O Roman se baseará nas capacidades ​de outros observatórios orbitais, como o Telescópio Espacial James Webb, lançado em 2021, e o Telescópio Espacial Hubble, lançado em 1990.

“Não tenho dúvidas de que o Roman se tornará um nome conhecido ao lado desses grandes instrumentos de descoberta”, disse o administrador da Nasa, Jared Isaacman, aos repórteres.

McEnery afirmou que o Roman possui, em linhas gerais, a mesma sensibilidade e nitidez de visão que o Hubble, mas fará o mapeamento do cosmos mais rapidamente. O Roman pode mapear toda a nossa galáxia, a Via Láctea, em um mês, enquanto o Hubble levaria ‌um século para fazer o mesmo, segundo McEnery.

‘SENSIBILIDADE EXQUISITA’

O Webb proporcionou uma nova compreensão da ​história inicial do universo, descobrindo, entre outras coisas, que as galáxias primordiais se formaram mais cedo e eram maiores do que se sabia anteriormente. O Webb consegue observar através de vastas distâncias e recuar no tempo, devido ao tempo que a luz leva para viajar.

Já o Roman é capaz de capturar imagens panorâmicas. A Nasa compara ⁠o Roman a uma lente grande-angular de câmera e ​o Webb a uma lente com zoom.

“O ​Webb foi projetado para poder sondar o universo com grande profundidade e sensibilidade requintada, para que possamos encontrar coisas raras no universo primitivo”, disse McEnery em uma coletiva anterior, ⁠enquanto o Roman oferece “a visão ampla que complementa as imagens profundas fornecidas ​pelo Webb”.

O Roman ajudará na compreensão de dois componentes cósmicos misteriosos — a energia escura e a matéria escura — ao criar o mapa 3D mais abrangente do universo até o momento. Seu levantamento principal, que levará mais de um ano para ser concluído, abrangerá mais de dois bilhões de galáxias.

O Big Bang, ocorrido ​há cerca de 13,8 bilhões de anos, deu origem ao universo, que vem se expandindo desde então. Essa expansão está se acelerando, tendo como causa hipotética uma força invisível chamada energia escura.

O conteúdo do universo inclui matéria comum — estrelas, ​planetas, gás, poeira e todas as coisas familiares ⁠na Terra —, bem como matéria escura e energia escura. A matéria comum representa talvez 5% do conteúdo. A matéria escura, conhecida por meio de suas influências gravitacionais sobre galáxias e ⁠estrelas, pode representar cerca de 27%. A energia escura pode representar cerca de 68%.

Usar o telescópio Roman para medir a atração exercida pela matéria escura e o efeito de expansão provocado pela energia escura em todo o universo permitirá que os cientistas cheguem mais perto do que nunca de solucionar esses dois mistérios, de acordo com a Nasa.

O Roman também realizará uma das buscas mais abrangentes já feitas por exoplanetas. Espera-se que ele descubra milhares de novos exoplanetas e forneça o primeiro censo estatístico de sistemas planetários semelhantes ao nosso.

(Reportagem de Joey Roulette em Cabo Canaveral, Flórida, e Will Dunham em ​Washington; )

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