Novo remédio para câncer de mama amplia tempo de controle da doença
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a indicação do medicamento Enhertu como tratamento de primeira linha para o câncer de mama do subtipo HER2-positivo. A oncologista clínica da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, Fabrisia Cruz, prevê que a chegada da terapia vai redefinir o protocolo local de combate à doença.O tumor HER2-positivo responde atualmente por cerca de 20% dos diagnósticos de câncer de mama e apresenta comportamento muito agressivo em estágios avançados.O estudo clínico DESTINY-Breast09 comprova que a nova medicação estende o período de controle da enfermidade para 40,7 meses, superando o tratamento padrão anterior, que oferecia média de 26,9 meses de estabilização. A aplicação do fármaco proporciona aos pacientes um ganho de quase 14 meses de vida sem o avanço do tumor ou o surgimento de metástases.A médica Fabrisia Cruz contextualiza o valor científico da liberação para o cenário da oncologia local. “É uma aprovação muito relevante, porque muda o tratamento já na primeira linha do câncer de mama HER2-positivo metastático ou irressecável. A combinação trastuzumabe deruxtecana + pertuzumabe [fórmula do medicamento] mostrou ganho expressivo de controle da doença em comparação ao padrão clássico”, explica.O câncer de mama irressecável define a condição em que o tumor não pode ser removido por cirurgia, enquanto o metastático indica que a doença se espalhou para outros órgãos.Os dados da pesquisa de fase III apontam redução de 44% no risco de progressão ou morte com o uso da nova combinação terapêutica. A especialista da Santa Casa de Maceió pondera, contudo, que a indicação é restrita e exige critérios claros.“Não é para todo câncer de mama. É para um subtipo específico, o HER2-positivo, quando a doença já é metastática ou não pode ser retirada totalmente por cirurgia”, afirma.Os entraves financeiros e estruturais em Alagoas limitam o acesso imediato à tecnologia na rede pública e na saúde suplementar. A médica explica que a ampliação do uso, assim como a introdução no SUS, enfrenta dificuldades devido ao alto custo do tratamento, à aprovação pelos planos de saúde e à necessidade de estrutura adequada para acompanhamento dos pacientes nos centros especializados.O monitoramento clínico rigoroso é indispensável devido ao risco de reações adversas graves associadas ao composto. A médica detalha o índice de intercorrências respiratórias identificadas nos testes clínicos. “[O medicamento] pode causar pneumonite ou doença pulmonar. [Na pesquisa], isso ocorreu em cerca de 12% dos casos”, detalha.Os hospitais alagoanos precisam garantir equipes multidisciplinares compostas por oncologistas e enfermeiros devidamente capacitados para administrar o protocolo com segurança.A precisão dos exames de patologia clínica no estado surge como fator decisivo para que as pacientes tenham acesso ao tratamento. A especialista conclui que a eficiência terapêutica depende diretamente da qualidade da análise laboratorial.“A grande questão é a padronização do laudo e a distinção entre os subtipos do câncer de mama. Pequenas diferenças de interpretação mudam completamente a elegibilidade para o tratamento”, afirma.* Sob supervisão da Editoria
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