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Sucesso há 22 anos, o Festival Internacional Literário de Poços de Caldas (Flipoços) vive tempos de polêmica. Numa decisão considerada “injusta” por Gisele Ferreira, curadora do evento, o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico (Condephact) decidiu não autorizar a edição 2027 no Parque José Afonso Junqueira, no Centro Histórico.
“Há três anos, levamos o Flipoços para o parque, pois o Espaço Cultural da Urca (antigo cassino), que sediava o festival, se encontra degradado”, diz Gisele.
A curadora conta que, no último festival (de 25 de abril a 3 de maio), estiveram presentes cerca de 60 mil pessoas. Decidida a não aceitar a decisão do Conselho, ela já esteve na Câmara Municipal para denunciar o caso e escancarou a situação nas redes sociais. “Alegam que colocamos cadeiras no gramado do parque e fecham os olhos para situações realmente impactantes ao patrimônio. Não depredamos nem danificamos nada. Independentemente da época do festival, só colocamos 200 cadeiras em uma parte ínfima do gramado. E cumprimos todas as determinações”.
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A decisão está tomada: “Vamos realizar o evento no mesmo local, em 2027, pois se trata do berço da literatura da cidade. O festival faz parte de um calendário nacional e abre a temporada no país. A data faz parte do evento há mais de duas décadas, não danifica um metro sequer de grama do patrimônio histórico. E mais: “De quinta-feira até ontem, por exemplo, com autorização do conselho, a cidade sediou o Poços Classic Car, com a presença de 500 carros estacionados em vários cantos do Centro Histórico”.
Determinação do conselho
O presidente do Condephact (de caráter consultivo), Alisson Tavares Rosalino, diz que os conselheiros seguem determinação do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), que estipulou o seguinte: eventos no Parque José Afonso Junqueira, no Centro Histórico de Poços de Caldas, só podem ser realizados no período de maio a setembro, visando a preservação do gramado do bem tombado pelo Iepha-MG.
“Mas há irregularidades cometidas pela organização do festival. Já explicamos vários pontos, mas os organizadores não cumpriram nossas orientações. Sugerimos que transfiram a data ou realizam o festival em outro lugar”, afirma Alisson, esclarecendo que o Poços Classic Car, que ocorre há 19 edições, no período determinado pelo Conep, segue as orientações do Condephact.
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EM REFORMA, A ESCOLA ONDE ESTUDARAM...
Ao passar na Avenida João Pinheiro, na Região Centro-Sul de BH, você pode ver, em obras, a centenária escola na qual estudaram mineiros ilustres, entre eles Guimarães Rosa (1908-1967), natural de Cordisburgo e autor de “Grande sertão: veredas”, e o belo-horizontino Fernando Sabino (1923-2004), de “Encontro marcado”. Os tapumes cobrem o prédio da Escola Estadual Afonso Pena, mas muita gente para ali diante para, certamente, lembrar os tempos de criança. Uma senhora com chapéu branco olha para o portão por alguns minutos e depois segue seu rumo, descendo a via pública em direção ao Centro da capital. A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informa que a reforma teve início em 15 de dezembro, com término previsto para dezembro de 2027. O investimento total nos serviços é de R$ 5,2 milhões.
...GUIMARÃES ROSA E FERNANDO SABINO
A revitalização preservará as características históricas do prédio, enquanto promoverá melhorias estruturais, de acessibilidade e de conforto para estudantes e servidores da educação. As intervenções incluem a correção de problemas como infiltrações e pintura, além da modernização dos espaços internos e da adequação das condições de acessibilidade da unidade. Fundada em 1897, a Escola Estadual Afonso Pena foi uma das primeiras edificações erguidas no projeto urbanístico da nova capital mineira. Com traços neoclássicos, o prédio se tornou referência em educação e formou gerações de mineiros, destaca a SEE/MG.
QUE FIM LEVOU?
Não é de hoje que os moradores de Santa Luzia, na Grande BH, aguardam a restauração da sede da Fazenda Boa Esperança. Construído no início do século 20, com as marcas da arquitetura do século 19, o casarão já teve vários projetos anunciados, incluindo o museu da cozinha mineira para valorizar o setor como patrimônio cultural imaterial. Mas até agora o que se vê é a lenta degradação da belíssima edificação. Na ampla área da propriedade pertencente à prefeitura local são realizados exposições agropecuárias, rodeios, shows e outras atividades – no mês passado, funcionou ali, durante uma semana, um hospital de campanha da Aeronáutica. Torcemos para que o poder público tome logo providências a fim de evitar, a tempo, o arruinamento da construção. E que o título de hoje, “Que fim levou?”, em relação aos projetos não concretizados, não se torne “que fim terá”. A história da fazenda não merece esse desfecho.
PADRE LIBÉRIO 1
Pará de Minas ganhará um memorial dedicado ao Venerável Servo de Deus Padre Libério Rodrigues Moreira (1884-1980). A prefeitura local concluiu o processo de desapropriação do imóvel no qual o sacerdote viveu seus últimos anos. Dedicado à vida, obra e legado do religioso, o espaço, conforme as autoridades locais, consolida o município do Centro-Oeste como importante destino do turismo religioso no estado. A aquisição da casa (Rua Maestro Espíndola, 363, Bairro Nossa Senhora das Graças) representa um marco para a preservação do patrimônio histórico e cultural, diz o prefeito Inácio Franco.
PADRE LIBÉRIO 2
A residência foi oficialmente declarada de utilidade pública antes da desapropriação. Em março, teve seu tombamento regularizado pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Pará de Minas. A indenização aos proprietários foi fixada em R$ 350 mil, valor definido por comissão de avaliação do município. O objetivo da prefeitura é transformar a antiga residência em local permanente de memória, capaz de contar às futuras gerações quem foi Padre Libério e a importância de sua trajetória para a fé, a cultura e a identidade do povo mineiro. As autoridades fazem um apelo para que pessoas que guardam objetos que pertenceram ao Padre Libério procurem a Secretaria de Cultura ou o Museu Histórico. Natural de Lagoa Santa, o padre tem uma legião de devotos na Região Centro-Oeste de Minas. Morreu em Divinópolis e se encontra sepultado em Leandro Ferreira. Legiões de peregrinos visitam o túmulo dele em busca de graças por sua intercessão.
ENCONTRO DE BANDAS
Foi um sucesso o Encontro de Bandas de Sabará, com a presença de cerca de 600 músicos. Na Praça Santa Rita, no Centro Histórico, 14 bandas de 12 municípios mineiros fizeram o povo aplaudir e pedir bis. A tradição segue, portanto, viva, valorizada e passada de geração a geração.
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