Produção de cacau fino surge como alternativa estratégica para superar crise no setor brasileiro

Abr 19, 2026 - 13:00
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Produção de cacau fino surge como alternativa estratégica para superar crise no setor brasileiro

Na quinta-feira, 16/04/2026, produtores de cacau na Bahia e no Pará — principais polos da cacauicultura brasileira — enfrentam um cenário de pressão econômica crescente, marcado pela concorrência internacional e pela importação de amêndoas de cacau para abastecer a indústria nacional. Mesmo com uma produção expressiva, como os 137.028 toneladas registradas na Bahia em 2024, segundo o IBGE, o setor atravessa uma fase de ajuste estrutural, em que iniciativas como a produção de cacau fino surgem como alternativa para agregar valor e reposicionar o Brasil no mercado global.

O Brasil ocupa atualmente a sexta posição entre os maiores produtores de cacau do mundo, mas enfrenta forte concorrência de países africanos, especialmente Costa do Marfim e Gana, que concentram cerca de 70% da produção global, conforme dados da Bolsa de Nova York. Esses países têm ampliado sua presença no mercado brasileiro com amêndoas mais competitivas em termos de custo.

Esse movimento internacional tem provocado um desequilíbrio no escoamento da produção nacional, pressionando preços e reduzindo a competitividade dos produtores locais. Nos últimos anos, a valorização do cacau no Brasil — com arrobas acima de R$ 1 mil — foi impulsionada por crises climáticas em outros países. No entanto, a recuperação da produção global alterou essa dinâmica.

Segundo o diretor do Consórcio Cabruca de exportação de chocolates finos do Sul da Bahia, Thiago Fernandes, o cenário já era previsível. Ele destaca que o atual contexto exige adaptação estratégica e inovação produtiva, diante da nova realidade de mercado.

Impacto da indústria e regulação do setor

Outro fator relevante é a redução do teor de cacau nos produtos industrializados no Brasil, o que diminui a demanda por amêndoas de maior qualidade. Esse quadro pode ser parcialmente revertido com o avanço do Projeto de Lei 1769/2019, já aprovado no Congresso Nacional.

A proposta estabelece parâmetros mínimos para a composição do chocolate, incluindo:

  • 35% de sólidos totais de cacau no produto final
  • 25% de cacau no chocolate ao leite
  • 14% de sólidos totais de leite

A regulamentação tende a elevar a demanda por cacau de melhor qualidade, incentivando práticas mais qualificadas na produção.

Capacitação e aposta no cacau fino

Diante desse cenário, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançou o circuito de oficinas “Do fruto ao aroma: produção de cacau fino”, em parceria com a Ecoagro – Cocoa Hub.

A iniciativa tem como objetivo:

  • Qualificar produtores em técnicas de manejo e pós-colheita
  • Melhorar a qualidade das amêndoas
  • Ampliar o acesso a mercados premium

O primeiro encontro ocorreu em Presidente Tancredo Neves, no Baixo Sul da Bahia, com novos encontros programados até junho em municípios da região.

As capacitações são realizadas em campo e abrangem todas as etapas produtivas, incluindo:

  • Colheita
  • Fermentação
  • Secagem
  • Análise sensorial

Segundo o analista do Sebrae, Luanildo Silva, o projeto vai além da capacitação técnica, configurando-se como uma estratégia estruturante para reposicionamento da cacauicultura regional, com potencial de aumento de renda e fortalecimento da competitividade.

Abordagem territorial e fortalecimento regional

O circuito contempla produtores de diversos municípios do Baixo Sul e Vale do Jiquiriçá, incluindo:

  • Presidente Tancredo Neves
  • Valença
  • Gandu
  • Wenceslau Guimarães
  • Igrapiúna
  • Camamu
  • Mutuípe, entre outros

A proposta territorial busca disseminar boas práticas e criar uma base produtiva mais resiliente, promovendo integração entre conhecimento técnico e realidade local.

Essa estratégia amplia o alcance da política de desenvolvimento rural e fortalece a organização produtiva regional, elemento considerado essencial para enfrentar oscilações do mercado global.

Sistema Cabruca e diferencial ambiental

Um dos principais ativos da cacauicultura baiana é o sistema cabruca, reconhecido como um modelo agroflorestal único no mundo. Nesse sistema, o cacau é cultivado sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica, preservando o bioma e mantendo condições ideais de microclima.

De acordo com a CEPLAC, o sistema representa cerca de 60% da área cultivada de cacau na Bahia e oferece benefícios relevantes:

  • Conservação ambiental da fauna e flora
  • Manutenção da biodiversidade
  • Estabilidade climática para o cultivo
  • Potencial de produção sustentável de alto valor agregado

Esse modelo tem sido cada vez mais valorizado em mercados internacionais, especialmente no segmento de cacau premium e sustentável.

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