Qual o preço para frear milícias e facções?
A chamada grande imprensa já vaticinou que segurança pública será
o grande tema das eleições de 2026. É o que mais preocupa os
brasileiros, repete-se à exaustão. Ato contínuo, afirma-se que o
tema é uma das fragilidades do presidente Lula (PT). Até aqui, pelo
menos, ninguém afirmou ainda que Flávio Bolsonaro (PL) – o filho
do “mito” – é o mais credenciado a apresentar soluções. Mas
– imagino – isso não tardará. Não, não se deve rir porque não
se trata de piada.Enquanto isso, no
Brasil real, parte da população se vê às voltas com diversos
problemas, mas particularmente com um que cresceu assustadoramente
nos últimos anos: o domínio territorial imposto por milícias e
facções. A tragédia aflige atualmente sabe Deus quantos milhões
de brasileiros – os números são imprecisos – em todas as
regiões do País e em todas as maiores cidades.Em favelas e
subúrbios as leis impostas pela criminalidade são draconianas: além
dos frequentes tiroteios e mortes, moradores e comerciantes pagam
taxas por “segurança”, cobra-se pelo acesso à Internet, vigoram
monopólios na venda de água e botijões de gás e o transporte de
passageiros – por motos e vans – também implica na cobrança de
taxas.Quem vende imóvel
também é forçado a pagar um “imposto” para os criminosos. Em
muitos lugares, o crime já exerce o monopólio também na oferta de
produtos – quase sempre oriundos de furtos e roubos de carga –
para o comércio local. Ninguém escapa dos tentáculos do crime:
quem não se sujeita e escapa com vida, é felizardo. É incontável
o número de vítimas dos “tribunais do crime”.Como os brasileiros
podem escapar desta? É uma pergunta difícil, que envolve respostas
complexas. Os mais lúcidos já perceberam que as infindáveis
incursões que deixam corpos estendidos no chão, por si mesmas, não
resolvem. É preciso muito mais que o braço armado do Estado. Só
que, no momento, pouco se discute isso. Menos ainda, quanto pode
custar.Esta é uma questão
central: quanto custaria, para o Brasil, livrar-se das milícias e
facções, ou, pelo menos, reduzir drasticamente seu poderio? Como
não se sabe o que fazer, sabe-se menos ainda quanto custaria. É um
desafio imenso, em grande medida desanimador. Talvez por isso
aborde-se pouco a questão e se celebre, com êxtase delirante,
carnificinas como a que aconteceu ano passado no Rio de Janeiro.O controverso
projeto de Lei Antifacção, aprovado ontem no Congresso, segue a
mesma toada. É necessário mais, deixando-se as
paixões políticas de lado e, com elas, muitos preconceitos. Também
é necessário ferir muitos interesses escusos, solidamente
enraizados. Mas não parece haver disposição, no Brasil, para
enfrentar a questão em toda a sua complexidade.O fato é que o
cenário é péssimo para quem vive subjugado pelo crime, mas também
para o País como um todo, é bom não esquecer.
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