Trump contraria Lula e designa PCC e CV como organizações terroristas
Apesar de todo o esforço de Lula e da diplomacia brasileira,
que não queriam que o PCC e o Comando Vermelho fossem designados como
organizações terroristas, o governo dos EUA anunciou essa medida. Um porta-voz
do Departamento de Estado americano declarou que “os Estados Unidos consideram
as organizações criminosas brasileiras ameaças significativas à segurança
regional devido ao seu envolvimento com o crime transnacional”. Na visão do
governo Trump, a designação de grupo terrorista torna legalmente possível a
realização de ações mais amplas, incluindo inteligência e contra-insurgência,
contra esses grupos, seus líderes e interesses em todo o mundo.O promotor Lincoln Gakiya, maior especialista do país no
enfrentamento a facções, afirma que o combate ao crime deixará de ser feito
primordialmente pela Drug Enforcement Administration (DEA) e pelo FBI, passando
a ser um problema da CIA e das Forças Armadas dos EUA. Ele pontuou que troca
informações toda semana com a DEA e com o FBI, temendo que a transferência para
a CIA dificulte a cooperação internacional.O anúncio aconteceu após a visita de Lula a Trump e a de
Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, que pediu que a medida fosse
adotada. Há um temor por parte do governo de que a decisão de Trump ameace a
soberania brasileira, um argumento visto por muitos como hipócrita diante do
amplo domínio territorial das facções dentro do país, onde o cidadão já não é
soberano em sua própria moradia. Certamente haverá pressão financeira contra
indivíduos que negociam com essas facções, empresas brasileiras usadas para
lavar dinheiro e autoridades comprometidas, mas não parece ser, à primeira
vista, do interesse americano invadir o território brasileiro. O anúncio foi
uma clara derrota para Lula e para a diplomacia do Brasil, e o tema será
amplamente explorado durante a campanha eleitoral.Essa decisão norte-americana altera profundamente as regras
do jogo, pois confere aos EUA o poder de aplicar sanções automáticas e
extraterritoriais. Na prática, isso significa que instituições bancárias do
mundo todo passarão a recusar transações suspeitas ligadas a esses grupos para
não perderem o acesso ao sistema financeiro internacional baseado no dólar,
asfixiando não apenas os criminosos na base, mas também os lavadores de
dinheiro de colarinho branco e autoridades corrompidas.No campo político e institucional, o argumento de
"ameaça à soberania" usado pelo governo brasileiro reflete o temor de
ações unilaterais de Washington, que historicamente já utilizou justificativas
antiterrorismo para interceptações e atuar em águas internacionais contra
cartéis. O desfecho consolida uma pesado fracasso para o Palácio do Planalto e
para a diplomacia brasileira, que defendiam a tese técnica de que as facções
nacionais buscam apenas o lucro financeiro do narcotráfico.
Uma coisa é certa: se não tivessem permitido o crescimento
das facções, esse fato não estaria acontecendo. Agora, só resta esperar as
ações concretas dessa mudança já que o governo dos EUA deve ter muitas informações
coletadas por seus sistemas de vigilância....
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