Quem era Raphael de Brito, músico de banda tocantinense e marceneiro que morreu após descarga elétrica
A morte de Raphael de Brito, de 36 anos, mobilizou amigos, familiares e integrantes da cena cultural de Palmas, que se reuniram, nesta sexta-feira, 23, para prestar uma última homenagem ao músico e marceneiro artesanal. Durante a despedida, pessoas próximas levaram fotografias e objetos pessoais para recordar momentos de sua trajetória e celebrar as lembranças construídas ao longo dos anos.
Raphael morreu na quinta-feira, 22, após sofrer uma descarga elétrica enquanto manuseava fios de energia em sua residência, na zona rural da Capital, nas proximidades do Córrego do Machado, na região de Taquaruçu Grande.
Conhecido pela participação em projetos musicais e pela proximidade com artistas locais, Raphael construiu uma trajetória ligada à cultura de Palmas. Além do trabalho como marceneiro artesanal, integrou a banda Boca de Cantora e os Piaba, participou de apresentações e manteve vínculos com diferentes manifestações artísticas.
A amiga Jaqueline Moraes o descreve como “um amante da arte das mais diversas formas”. Segundo ela, Raphael nasceu em São Paulo e se mudou ainda criança para Palmas, onde cresceu e estabeleceu grande parte de suas relações pessoais e profissionais. Filho de uma professora, ele desenvolveu ao longo da vida uma ligação com a música e outras expressões culturais.
Entre os amigos, era lembrado pela simpatia, pelo interesse pela cultura e pela disposição em ajudar as pessoas. A homenagem realizada na sexta-feira reuniu parte dessas pessoas, que utilizaram fotografias e pertences pessoais para recordar a convivência com Raphael e se despedir dele.
O músico Ítalo, amigo de Raphael há cerca de 14 anos e parceiro na trajetória musical, recorda que a positividade era uma de suas características mais marcantes. Segundo ele, Raphael era uma pessoa alegre, que procurava transmitir esse sentimento aos ambientes por onde passava.
“Ele era muito alegre, muito positivo onde passava. A palavra positividade era algo de que ele gostava muito. Era um amante da música reggae, e acho que suas principais características eram essa compreensão, a simpatia com todo mundo e a preocupação com o próximo”, afirma.
Trajetória na música começou entre amigos
A aproximação entre Raphael e Ítalo ocorreu ainda na juventude, depois do ensino médio. Os dois começaram a conviver por meio de amigos em comum, encontros para tocar violão e outras experiências ligadas à música.
Por volta de 2015, Raphael abriu o bar Roots. Na mesma época, a cantora Boca de Cantora e outros músicos começaram a desenvolver um trabalho musical que daria origem à banda Boca de Cantora e os Piaba, da qual ele se tornou um dos integrantes fundadores, atuando como percussionista.
A parceria se estendeu por anos e atravessou diferentes momentos da trajetória dos artistas. Mesmo com mudanças na formação e nos projetos musicais, Raphael continuou tocando com os amigos, construindo uma história marcada por apresentações e pela convivência nos palcos.
Para Ítalo, a relação construída ao longo dos anos faz com que as lembranças de Raphael estejam diretamente ligadas às apresentações.
“Já são cerca de dez anos de Boca de Cantora e 13 ou 14 anos de amizade. Por mais repetitivo que fosse um show, sempre era uma coisa única. Vou lembrar dele sempre tocando”, diz.
Defensor da cultura tocantinense
A contribuição de Raphael para a música também estava relacionada às referências que levava para os trabalhos coletivos. De acordo com Ítalo, ele demonstrava interesse por ritmos brasileiros e latino-americanos e valorizava manifestações culturais do Tocantins.
Entre seus planos estava desenvolver uma composição inspirada na súcia, manifestação cultural tradicional tocantinense. A ideia fazia parte do interesse em incorporar referências regionais à produção musical e mostrar a diversidade cultural do Estado.
“Ele sempre trazia referências latino-americanas e brasileiras, ritmos que valorizassem a nossa cultura. Gostava muito da súcia e queria compor algo com essa referência. Era um dos nossos planos para mostrar que o Tocantins tem cultura. Ele era um defensor da cultura tocantinense”, afirma Ítalo.
Dedicação à família
Fora dos palcos, Raphael também era lembrado pelo esforço para garantir o sustento da família. Ele deixa a esposa e uma filha. Segundo Ítalo, a dedicação à companheira e à criança era uma característica presente na rotina do amigo.
O músico conta que Raphael procurava organizar as despesas e fazer o possível para oferecer melhores condições à família. A preocupação com as responsabilidades de casa era percebida por quem acompanhava de perto seu cotidiano.
“No dia a dia, ele era muito presente, um pai superesforçado para colocar dinheiro dentro de casa. Quem convivia com ele via que fazia conta na ponta do lápis para dar o melhor à família”, relata.
Circunstâncias da morte são investigadas
Raphael morreu na manhã de quinta-feira, 22, na zona rural de Palmas. Segundo informações da Secretaria Municipal da Saúde, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às 11h45, mas a equipe encontrou a vítima sem sinais vitais e constatou o óbito.
Conforme a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO), ele manuseava fios de energia elétrica quando sofreu a descarga. A suspeita inicial era de contato com fiação de alta tensão.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames de necropsia, e o caso foi registrado na 1ª Central de Atendimento da Polícia Civil de Palmas para investigação.
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