Teresópolis forma primeira turma de combate a incêndios florestais do CBMERJ

Set 17, 2026 - 06:00
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Teresópolis forma primeira turma de combate a incêndios florestais do CBMERJ

Isla Gomes

Teresópolis foi palco, nesta quarta-feira (16), da formatura da primeira turma descentralizada do Curso de Prevenção e Combate a Incêndio Florestal (CPCIF) de 2026 do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ). A cerimônia ocorreu no 16º Grupamento de Bombeiro Militar (GBM) e reuniu militares que passaram por meses de treinamento teórico e prático para atuar em ocorrências de incêndios em áreas de vegetação. A descentralização do curso busca levar a formação especializada para diferentes regiões do estado, aproximando o treinamento dos locais onde os bombeiros poderão ser empregados. O modelo já havia sido apresentado pelo CBMERJ como uma estratégia para ampliar a capacitação e adequar o treinamento às características geográficas e climáticas de cada área.

Para o major André Luiz Álvaro, subcomandante operacional do 16º GBM, a iniciativa amplia o acesso dos militares à especialização. “A descentralização dos cursos de especialização visa justamente à capilarização do socorro em todas as regiões do estado do Rio de Janeiro. Dessa forma, militares que, por uma questão de logística ou de distância, não possam cursar na cidade do Rio, podem fazer o curso e se especializar aqui na região”, explicou.

“São militares que nos enchem de orgulho e que mostram que a chama do Corpo de Bombeiros permanece acesa nas novas gerações.”, ressalta o major André Luiz Álvaro, subcomandante operacional do 16º GBM. Foto: Isla Gomes/O Diário

O treinamento envolveu diferentes etapas, começando pela preparação para a sobrevivência em ambientes naturais. Os alunos também estudaram técnicas de prevenção e combate a incêndios florestais e participaram de atividades operacionais em diferentes pontos do estado. “É um treinamento que visa à sobrevivência em ambientes naturais, regiões de matas e montanhas. Tem toda a parte técnica de prevenção e combate a incêndios e os militares também são preparados para gerenciar grandes eventos de fogo em vegetação, com liderança e logística”, afirmou o major.

Ainda segundo o subcomandante a formatura é o momento de ver meses de esforço transformados em profissionais preparados para uma atividade que exige conhecimento, resistência e trabalho em equipe. “São militares que nos enchem de orgulho e que mostram que a chama do Corpo de Bombeiros permanece acesa nas novas gerações”, destaca.

Treinamento na prática
A formação também colocou os alunos diante de situações práticas. De acordo com o capitão Juan Araújo, do Grupo de Busca e Salvamento e instrutor chefe do curso, os militares passaram pelas etapas de sobrevivência, conhecimento técnico e operações em campo. “Eles atingiram locais onde geralmente tem incidência aqui, como Cachoeiras de Macacu, Teresópolis, Petrópolis e Paraíba do Sul. Então, em vários lugares eles conseguiram colocar em prática aquilo que foi ensinado durante o curso”, contou.

“Durante os treinamentos eles conseguiram colocar em prática aquilo que foi ensinado durante o curso.”, conta o capitão Juan Araújo, instrutor chefe. Foto: Isla Gomes/O Diário

A rotina exigente deixou marcas nos formandos, mas também criou um sentimento de pertencimento entre instrutores e alunos. Para o instrutor, acompanhar a evolução dos militares foi motivo de orgulho. “O militar que se coloca à disposição de uma especialização tem que abrir mão de muitas coisas. Ele abre mão do convívio familiar, de uma rotina um pouco mais cômoda e se coloca em puro sacrifício, porque toda a formação é muito exigida, tanto física como psicologicamente e tecnicamente”, disse.

Sentimento de um formando
Entre os formandos estava o cabo Odon José, que terminou o curso na primeira colocação. Para ele, a especialização representou a realização de um objetivo construído ao longo de anos. O curso, segundo o militar, foi dividido em etapas que incluíram montanhismo, sobrevivência na Mata Atlântica, estudo do comportamento do fogo e operações práticas. “A gente começa com uma fase básica, em que aprende como sobreviver na floresta. O combate florestal atua nas piores áreas possíveis e de difícil acesso”, relatou.

“Eu me sinto muito feliz, com sentimento de dever cumprido.”, pontua Odon José, cabo do CBMERJ e primeiro colocado da turma. Foto: Isla Gomes/O Diário

Na fase técnica, os alunos aprenderam a observar fatores que interferem na propagação das chamas, como vegetação, clima, altitude e umidade. Depois, passaram à etapa operacional, colocando os conhecimentos em prática. “A gente fica ali em torno de um mês realizando operações. É como se fosse totalmente real. A gente executa 100% da missão, com a supervisão dos instrutores, e faz toda a parte de aceiro e combate ao incêndio”, explicou cabo. O bombeiro também destacou que apagar um incêndio florestal vai muito além do enfrentamento direto das chamas. Alimentação, comunicação, ferramentas, combustível e deslocamento fazem parte da estrutura necessária para manter uma operação em áreas remotas.

Para Odon, a conquista começou antes mesmo da inscrição no curso. Ele conta que teve contato com ocorrências de incêndio florestal em 2020 e, naquele momento, percebeu que uma preparação específica poderia fazer diferença no atendimento. “Em 2020 eu visualizei o combate florestal para, em 2026, poder executar essa vontade, esse sonho. Então foi uma preparação muito grande. Eu me sinto muito feliz, com sentimento de dever cumprido”, afirmou.

O formando cabo Odon recebendo seu certificado sendo destaque como primeiro colocado da turma. Foto: Isla Gomes/O Diário

Tropa reforçada
Com a conclusão da formação, os novos especialistas passam a integrar a estrutura operacional do CBMERJ para atuar em ocorrências de incêndios florestais e em ambientes de difícil acesso. A corporação mantém ações de capacitação e operações específicas para ampliar a resposta durante o período de estiagem.

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