Ucrânia e Rússia anunciam troca de corpos de soldados mortos
A invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022, é considerada o conflito com o maior número de mortos e feridos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, segundo estimativas.
Por Redação, com RFI – de Kiev
Kiev anunciou na quinta-feira que a Rússia devolveu mais mil corpos à Ucrânia, apresentados como sendo de soldados ucranianos mortos em combate. A troca de combatentes mortos é uma das poucas áreas de cooperação entre os dois países desde o início da guerra.

“Hoje foram realizadas as medidas de repatriação, e os corpos de mil indivíduos falecidos foram devolvidos à Ucrânia. De acordo com o lado russo, os corpos pertencem a militares ucranianos”, afirmou o Centro Ucraniano para Prisioneiros de Guerra, em comunicado publicado no Telegram. “Assim que os restos mortais forem identificados, os corpos serão entregues às suas famílias para funerais apropriados”, acrescentou a instituição.
Uma fonte da equipe de negociação russa informou a repórteres que Moscou recebeu, em troca, os corpos de 41 militares russos.
Um vídeo divulgado pela agência estatal Ruptly, subsidiária da emissora russa RT, mostra homens vestindo macacões brancos e luvas azuis transportando corpos em sacos mortuários da carroceria de um caminhão para outro. As imagens, publicadas no Telegram, também registram a presença de observadores usando coletes da Cruz Vermelha.
Em março, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) informou que vinha facilitando a troca de uma média de mil corpos por mês entre Kiev e Moscou, principalmente de soldados.
A invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022, é considerada o conflito com o maior número de mortos e feridos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, segundo estimativas.
Cooperação
A repatriação de combatentes mortos permanece como uma das raras frentes de cooperação entre Rússia e Ucrânia ao longo dos mais de quatro anos de conflito.
Também em março, a Rússia anunciou uma “pausa temporária” nas negociações que envolviam Washington, Moscou e Kiev para buscar uma solução diplomática para a guerra.
Segundo o Kremlin, a interrupção ocorreu devido à atenção internacional voltada para a escalada do conflito no Irã, que passou a dominar a agenda de segurança dos Estados Unidos e reduziu sua capacidade de mediação no confronto ucraniano.
A Ucrânia e a Rússia realizaram conversas na Turquia no ano passado e, mais recentemente, participaram de rodadas mediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi e Genebra.
Em 2024, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que as condições de Moscou para encerrar a guerra incluem a renúncia formal de Kiev ao objetivo de ingressar na Otan e a retirada das forças ucranianas das quatro regiões reivindicadas pela Rússia. O governo ucraniano, por sua vez, questiona o compromisso russo com um eventual acordo e afirma que não aceitará abrir mão de territórios que Moscou não conseguiu conquistar.
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