Após proibição das bets, estádio de time da Série A vende nome de arquibancada
O estádio onde o Cruzeiro manda seus jogos terá mais um setor com nome de uma marca parceira. A Minas Arena, concessionária responsável pela administração do Mineirão, fechou um acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) para a venda dos naming rights da arquibancada Laranja.Localizado atrás do gol norte, o espaço passará a se chamar Sesc Senac. A informação foi divulgada pelo portal O TEMPO, que aponta que o anúncio oficial da parceria deve acontecer em breve.A negociação ocorre em meio a restrições de casas de apostas no Brasil. Em Minas Gerais, uma medida do governo estadual ja havia proibido anúncios e patrocínios de bets em equipamentos públicos, incluindo estádios esportivos.Estádio já vendeu nome de outros dois setoresA comercialização dos naming rights de arquibancadas não é novidade no Mineirão. No segundo semestre de 2025, outros dois espaços também passaram a ter nomes de marcas parceiras.Na ocasião, o setor Roxo Inferior recebeu o nome de Tribuna APVS, enquanto a arquibancada Vermelha passou a se chamar Sicoob.Com o novo acordo, a concessionária amplia a presença de marcas nos espaços do estádio. A negociação mais recente envolve a Fecomércio MG, entidade que representa empresas e empresários dos setores de comércio de bens, serviços e turismo no estado.O Sesc e o Senac são instituições ligadas à federação e atuam em áreas distintas, com foco em ações sociais, educação e qualificação profissional.O que são Sesc e Senac?O Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) fazem parte do Sistema S. As duas instituições são privadas, sem fins lucrativos, e têm ligação histórica com o setor de comércio, serviços e turismo.O Sesc atua principalmente na promoção da qualidade de vida e do bem-estar dos trabalhadores do comércio e de seus familiares, além de oferecer atividades ao público em geral.Já o Senac tem como principal objetivo a formação profissional, com cursos e iniciativas voltados à preparação para o mercado de trabalho, especialmente nas áreas de comércio e serviços.As instituições recebem recursos principalmente de contribuições compulsórias previstas em lei, recolhidas de empresas dos setores correspondentes. Embora desenvolvam atividades de interesse social, não são órgãos públicos e estão sujeitas a mecanismos de fiscalização e prestação de contas.Minas Gerais proíbe publicidade de bets em espaços públicosA venda de naming rights de mais um setor ocorre em um período de mudanças nas regras de publicidade de apostas esportivas no Brasil.Em agosto, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), assinou um decreto que proíbe a divulgação de plataformas de apostas, conhecidas como bets, em espaços públicos estaduais e em eventos promovidos ou apoiados pelo governo.Mesmo antes da determinação federal que proíbe sites de apostas no Brasil, a restrição estadual já alcançava equipamentos esportivos, como o Mineirão, além de prédios públicos, rodovias, terminais rodoviários e aeroportos estaduais.A norma abrange diferentes formatos de publicidade, incluindo placas, faixas, banners, painéis eletrônicos, telões e sistemas de sonorização. Também estão proibidas ações promocionais, ativações de marca, exploração de camarotes para divulgação e a utilização de naming rights por empresas de apostas.Após a determinação federal, no dia 7 de outubro, a concessionária responsável pelo estádio retirou as publicidades de bets existentes no local.
Publicidade de apostas também passa por mudanças no BrasilAs restrições em Minas Gerais integram um debate mais amplo sobre a divulgação de plataformas de apostas no país. Em 2026, o tema ganhou espaço nas discussões sobre endividamento, saúde mental e possíveis vínculos entre apostas ilegais e o crime organizado.No âmbito federal, novas medidas também foram adotadas para restringir a atuação e a divulgação de casas de apostas. As mudanças provocaram alterações na publicidade exibida em eventos esportivos e em estruturas utilizadas por clubes, além de restringir o acesso a sites de apostas no país. No caso do estádio do Cruzeiro, anúncios de casas de apostas que apareciam no gramado foram retirados, dando lugar a outras marcas. Também houve mudança na cobertura dos bancos de reservas, que deixou de exibir a marca de uma antiga patrocinadora para apresentar os dizeres “Toca da Raposa”.
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