Câmara dos Deputados deve votar regulamentação de trabalho por aplicativo em abril
O Projeto de Lei Complementar (PLP)
destinado a regulamentar
o trabalho de entregadores e motoristas
por aplicativos pode ser votado, no plenário da Câmara dos Deputados, até o
início de abril.A previsão foi dada pelo presidente da referida Casa
Legislativa, deputado Hugo Motta, nesta terça-feira (10), após uma reunião na
residência oficial da Presidência da Câmara.Motta informou que o objetivo
principal é construir uma legislação equilibrada, que proteja os autônomos e
garanta o funcionamento das plataformas. “Que consigamos entregar ao país uma condição de estes
trabalhadores terem as suas garantias, terem condições mais dignas de trabalho
e que isso não venha incidir no aumento do custo para os consumidores”,
explicou.O Governo Federal estima que, atualmente, existam,
aproximadamente, 2,2 milhões de trabalhadores de plataformas digitais, como
Uber, 99 Táxi, IFood e InDrive.Taxa básica – O impasse
na tramitação do PLP ocorre em função do pagamento da taxa básica do serviço e
do adicional pela distância percorrida para o transporte de passageiros e para
a entrega de bens.O Governo Federal entende que o valor mínimo do serviço deve
ser de R$ 10, somado a R$ 2,50 por quilômetro rodado. O relator da proposta na Comissão Especial da Câmara, deputado federal
Augusto Coutinho (Republicanos-PE), confirma que este é o único ponto de
divergência na regulamentação do trabalho de entregadores por aplicativo.Ele avalia que “R$ 10, em São Paulo, no Rio ou em Brasília
não é igual a R$ 10 no interior de Pernambuco, onde o ticket de um lanche é muito inferior ao daqui”. Em função disso,
ressalta que essa divergência “pode inviabilizar esse serviço na ponta”,
avaliou.O ministro da Secretaria-Geral da
Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que irá buscar o diálogo,
com o intuito de tentar incorporar o valor ao relatório final da Comissão Especial
da Câmara. “Para o
governo, existem pontos que são muito caros. Um deles, que é uma demanda dos
entregadores de aplicativos, dos motoqueiros, é uma taxa mínima de R$ 10, com
adicional de R$ 2,50 por quilômetro rodado. Se não for, o governo pretende
apresentar como uma emenda”, destacou, referindo-se ao texto na votação.Boulos também ressaltou que há uma urgente necessidade de
regulamentação da questão. “Do jeito que está, só interessa às grandes
plataformas, e não aos trabalhadores. Hoje, você pega o motorista de Uber, a
plataforma fica com 50% de taxa de retenção. Isso não é razoável”, ponderou.Consenso para motoristas – Segundo Coutinho, durante a reunião,
houve o entendimento, entre as partes, de que não haverá valor mínimo da
corrida para os motoristas de aplicativos. “Porque 25% das corridas, no Brasil,
são cobradas menos de R$ 8,50. Na nossa proposta, já entendemos que isso é uma
matéria que podia ser retirada do texto e ficaria somente o problema com os
entregadores”, apontou o relator.Segurança mínima – Na visão do relator, do ponto de
vista previdenciário, o projeto traz avanços para o trabalhador, uma vez que não
isentará os profissionais autônomos da contribuição mensal à Previdência
Social. “Não existe, no Brasil, nenhum trabalhador que pague a Previdência para
ter o agasalho social pelo quanto eles vão pagar”, disse o parlamentar.O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reconheceu
que o PLP, de fato, representa uma segurança mínima. Também frisou que poderá
ser atualizado, a cada ano, a fim de mudar a realidade atual, que é de ausência
total de direitos. “O pior dos mundos é a situação em que estamos. Esse é o
pior dos mundos para o empregador e para o motorista”, considerou.Em sua opinião, é preciso “ter uma lei que estabeleça uma
segurança mínima, para, a partir daí, os trabalhadores, o próprio Parlamento, o
governo procurem reavaliar, avançar mais à frente, para ver se está adequada ou
se precisa de aperfeiçoamento”.Andamento – Hugo Motta
afirmou que as negociações estão em andamento, a fim de que uma proposta final
do relatório seja apresentada na Comissão Especial e aprovada, seguindo para
votação do texto no plenário.Orelator Augusto Coutinho adiantou que a Comissão
Especial, presidida pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), deve se reunir,
nesta quarta-feira (11), com representantes do Executivo e do Legislativo, para
tentar chegar a um entendimento.
*Com informações da
Agência Brasil....
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