Caso Frederic Kachar e Daniel Vorcaro: Grupo Globo deve desculpas a Deborah Secco e Sabrina Sato
O Grupo Globo demitiu um de seus mais importantes executivos, Frederic Kachar, por conduta inadequada.
As conversas entre Frederic Kachar e Daniel Vorcaro, sobre sexo e jornalismo — o executivo chegou a criticar uma reportagem de Malu Gaspar, repórter de “O Globo” —, revelam, de acordo com o Grupo Globo, “uma relação inadequada do executivo com um anunciante”.
O que Frederic Kachar teria negociado com Daniel Vorcaro para obter anúncios e patrocínio para evento do jornal “Valor Econômico” nos Estados Unidos? Além de sexo para si com mulheres jovens e belas…
O fato é que o jornalismo do Grupo Globo — TV Globo, GloboNews e “O Globo” — não pega leve com Daniel Vorcaro. O que sinaliza que não houve e não há orientação para protegê-lo. A autoridade de Frederic Kachar não se sobrepôs à liberdade relativa da redação.

Ainda assim, na nota do Grupo Globo, na qual se comunica o desligamento do CEO, há uma lacuna. Frederic Kachar e Daniel Vorcaro fizeram comentários desairosos sobre Deborah Secco e Sabrina Sato e a empresa não se manifestou a respeito.
Deborah Secco, mesmo que não seja mais do quadro fixo, trabalha para a Globo, eventualmente. Sabrina Sato é funcionária da rede de televisão. Mesmo assim, no texto em que comunica a demissão de Frederic Kachar, a empresa não fez o certo. Não condenou as palavras do executivo e tampouco fez a defesa das duas mulheres.
Como o Grupo Globo não fez sua defesa, Deborah Secco e Sabrina Sato se manifestaram.
A assessoria de Sabrina Sato disse: “É inadmissível expor a imagem e a reputação de uma mulher com base em uma narrativa alheia à sua realidade. Manifestações desse tipo ferem a dignidade feminina e não devem ser naturalizadas nem servir de combustível para especulações”.
A nota de Sabrina Sato acrescenta: “Sua trajetória, construída ao longo de anos de trabalho, merece ser tratada com responsabilidade e respeito”.

No Baile da Vogue, em 2024, Frederic Kachar afirmou: “Elas [Sabrina Sato e Deborah Secco] estavam para jogo”.
Daniel Vorcaro criticou: “Mas a Deborah estava feia”. Frederic Kachar respondeu: “Eu só olhava para a bunda dela”.
Numa nota, Deborah Secco, que trabalha como atriz há mais de três décadas, disse que Frederic Kachar e Daniel Vorcaro são “machistas, desrespeitosos e irresponsáveis”.
Deborah Secco esclarece que não teve relação pessoal com Frederic Kachar e Daniel Vorcaro. “É inadmissível expor a imagem e a reputação de uma mulher com base em uma narrativa que não corresponde à sua realidade. Também é lamentável a forma como mulheres foram mencionadas, em comentários que não devem ser tratados com naturalidade nem usados para alimentar especulações”, criticou a atriz.
O Grupo Globo, ainda que não tenha culpa direta pela atitude de seu ex-subordinado, deveria enviar um desagravo para Sabrina Sato e Deborah Secco.
Nunes Marques e as cinco parceiras sexuais
No romance “A Marca Humana”, o escritor americano do norte Philip Roth ecoa, sem citar nomes da vida real, a história do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e da ex-estagiária Mônica Lewinsky. Os Steites fizeram um escândalo dos diabos com uma cousa nem tão importante assim.

Philip Roth critica o moralismo que, no fundo, é usado politicamente contra adversários. No campo da sexualidade, as pessoas são, em geral, menos comportadas do que parecem. Se as quatro paredes — acompanhadas agora pelo WhatsApp etc. — pudessem “falar”, muito possivelmente as vidas das pessoas — não de todas, claro — seriam escândalos rotineiros. Há também o pensamento: quem o controla? Nem seus “donos” o controlam.
Num livro importante, “A Mulher do Próximo”, o jornalista Gay Talese percebeu que, em termos sexuais, os americanos eram (são) menos puritanos do que promete a vã filosofia (teologia) católica-protestante. Há mais sexo no mercado, de qualquer país, do que a linguagem moral aprova. Fala-se uma coisa e faz-se outra.
Como se esconde a própria sexualidade, porque a do vizinho parece ser mais interessante, sobretudo se desabrida (quiçá excessiva) e caliente, há um certo susto, talvez até surto, com aquilo que realmente as pessoas fazem.

Lendo os jornais e sites, notadamente os de esquerda — que estão se tornando tão “puritanos” quanto os da direita —, fiquei com a impressão de que, no Brasil, tão-somente o ministro Kassio Nunes Marques faz sexo de maneira supostamente extrema — com cinco mulheres.
Nunes Marques, pelo visto, se tornou o Bill Clinton de 2026. Só não sei exatamente se está sendo criticado por seu relacionamento “comercial” com Daniel Vorcaro, do Banco Master, ou por curtir a vida adoidado.
O “exercício” (pleno?) da sexualidade, se se poder dizer assim, parece incomodar muita gente. Por que as pessoas estão transando mais ou menos? Desconfia-se que algumas pessoas transam muito e outras nem tanto. Mas, ao menos na mente, a questão sexual é sempre muito forte. Talvez um incômodo — às vezes, prazer — permanente. Um tormento? Por vezes, sim.
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