EDITORIAL: O mercado ferve
O mercado de trabalho ferve, muito aquecido. E a mão de obra ociosa é cada vez menor
Em uma propaganda do governo federal, o narrador admite: sob Lula, ao longo de seu terceiro mandato, a vida dos brasileiros não virou um mar de rosas. Mesmo assim, ele adverte, incentivos e oportunidades se multiplicam.
Não se fala aqui somente de programas sociais e de providencial transferência de renda. Mas, sobretudo, de emprego. O mercado de trabalho ferve, muito aquecido. E a mão de obra ociosa é cada vez menor.
Não é mera impressão, nem um exercício de contorcionismo estatístico. A Pnad apura o comportamento no mercado de trabalho desde 2012. Em quase quinze anos de dados colhidos com a maior precisão, a taxa de subutilização jamais se mostrou tão acanhada.
Diferente do desemprego, a subutilização se atém à parcela da população em idade de trabalhar que não é plenamente aproveitada pelo mercado de trabalho, por razões diversas. Entre estes, destacam-se os desalentados, aqueles que deixaram de acreditar.
É bem verdade, tal recorte não considera a qualidade dos postos de trabalho criados. A vida dos brasileiros não é um mar de rosas. Mas, após anos seguidos sem oportunidade e ocupação, o trabalhador já não vive sem emprego para a própria força – braçal, intelectual ou criativa. Com o mercado aquecido, apesar de todos os pesares, trabalho tem.
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