EDITORIAL: Um farol para Sergipe
O farol da Farolândia é patrimônio gravado na memória afetiva do lugar, fala ao coração de gregos e troianos
O farol da Farolândia, com redundância e tudo, balança a esmo, um dia cai. Sem a intervenção providencial do Ministério Público, a estrutura que dá sentido ao batismo daquele bairro, um das mais populosos e povoados de Aracaju, despencaria sem qualquer espanto, sem comoção. Apenas mais um episódio a atestar o desprezo pela memória na capital sergipana.
O Ministério Público de Sergipe (MPSE) abriu um processo na Justiça contra a prefeitura de Aracaju, para que a administração municipal faça obras urgentes de reparo e a restauração completa do Farol localizado na Praça Tenente Domingues Fontes, Bairro Farolândia.
Segundo o MPSE, atualmente o farol está com pichações, fissuras generalizadas, desgaste acentuado na pintura e na estrutura metálica, configurando situação de abandono da paisagem urbana. Essas informações foram constatadas a partir de um inquérito civil com relatórios e vistorias.
Nada de novo no front. Não é sempre que o poder público em Sergipe presta homenagens justas, vê-se nas obras batizadas com o nome de personalidades das mais diversas frentes e correntes ideológicas. Mais das vezes, prestigia-se o poder político e econômico. Tudo o mais é ignorado.
O farol da Farolândia, no entanto, é patrimônio gravado na memória afetiva do lugar, fala ao coração de gregos e troianos. A necessária intervenção do MP/SE, portanto, contempla a todos os sergipanos.
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