Estudo revela novo padrão de secas e traz alerta inédito para a Amazônia
Cerca de 75% das florestas tropicais do planeta enfrentaram pelo menos seis meses de seca e calor simultâneos sem precedentes durante o El Niño de 2023-2024. Um estudo publicado na revista Earth’s Future aponta que as secas e o calor nas florestas tropicais podem se tornar recorrentes nas próximas duas décadas se as emissões de gases de efeito estufa não diminuírem.
O veículo Pará Terra Boa relembrou os impactos recentes na Amazônia, como rios baixos que isolaram comunidades, fumaça, vegetação sob estresse e lagos com temperaturas excessivas para os animais. Considerada a região mais vulnerável, a floresta amazônica pode registrar um aumento de até nove vezes na probabilidade de secas severas até o fim do século, mesmo em anos sem El Niño, caso as emissões continuem crescendo.
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Colapso funcional das florestas tropicais
Sob estresse térmico prolongado, as florestas tropicais podem sofrer um colapso funcional. Nesse cenário, as árvores perdem a capacidade de reter carbono e podem passar a liberar dióxido de carbono na atmosfera. Segundo publicações da Agência FAPESP e da Folha, conter esse processo exige reduções contínuas nas emissões globais, transição energética acelerada e desmatamento zero.
A situação ganha urgência diante das previsões relacionadas ao El Niño de 2026-2027. O fenômeno pode se tornar um dos mais intensos desde a década de 1950, com pico estimado para o início do verão. A intensidade e os impactos previstos, porém, dependem da evolução das condições climáticas.
Mesmo em cenários de redução de emissões que buscam alcançar a neutralidade de carbono por volta de 2075, as temperaturas elevadas devem se tornar pelo menos seis vezes mais frequentes em áreas tropicais.
A pesquisadora Johanna Van Passel, da Universidade de Ghent e pesquisadora visitante no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), alertou para a dimensão dos eventos registrados. S
egundo ela, durante o El Niño de 2023-2024, a extensão e a duração dos episódios de seca e ondas de calor atingiram os maiores níveis dos últimos 25 anos. A cientista também demonstrou preocupação com o aumento das temperaturas previsto pelos modelos climáticos para os próximos anos.
Eventos climáticos extremos afetam a saúde mental
Além dos danos ambientais e materiais, os eventos climáticos extremos também afetam a saúde mental das populações atingidas. Uma reportagem da BBC Brasil mostrou como a repetição de episódios severos pode prolongar a ansiedade e a sensação de insegurança.
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