Governo Fábio Mitidieri vai tomar novo empréstimo milionário

Jan 5, 2026 - 00:00
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Governo Fábio Mitidieri vai tomar novo empréstimo milionário

A volúpia do governador Fábio Mitidieri em contrair empréstimos desnecessários vai deixar os próximos governadores de mãos amarradas, trabalhando apenas para pagar a pesada conta

Com os US$ 78,4 milhões – quase R$ 500 milhões – autorizados pela Assembleia Legislativa (Alese) na última segunda-feira (29), Fábio Mitidieri (PSD) chega ao seu último ano de mandato como o maior tomador de empréstimos entre os últimos governadores do estado. No último mês de julho, já havia sido autorizado a contrair outros R$ 2 bilhões para diversas ações, inclusive um polêmico Programa de Demissões Voluntárias (PDV) que ainda não saiu do papel.
Quando assumiu, em 2023, Fábio Mitidieri encontrou um estado enxuto, com um dos menores endividamentos do país, fruto da ação de governos anteriores, principalmente o de Belivaldo Chagas que aproveitou a paralisação completa do país em função da pandemia de covid-19, entre 2020 e 2021, para elevar o caixa estadual. Quando encerrou o mandato, Chagas informou que deixava R$ 360 milhões na conta do tesouro, além de aproximadamente R$ 400 milhões tomado de empréstimo junto ao mercado financeiro para investir.
Desde o governo anterior, o Estado de Sergipe possui uma boa capacidade de crédito, classificado com a Nota A na avaliação da Capacidade de Pagamento (Capag) realizada pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Essa nota máxima permite ao governo estadual buscar empréstimos com a garantia da União (aval do Tesouro) em condições mais favoráveis.
Com a nova operação de crédito externa junto ao Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), com garantia da União, no valor de até US$ 78,4 milhões, o governo Mitidieri pretende executar o Programa de Desenvolvimento dos Territórios Sergipanos – Mais Sergipe, iniciativa voltada à interiorização dos investimentos públicos, à redução das desigualdades regionais e à promoção do desenvolvimento socioeconômico sustentável em todas as regiões do estado.
Sergipe é organizado em oito Territórios de Planejamento, que apresentam realidades socioeconômicas distintas e desafios estruturais significativos, especialmente no interior do estado. Atualmente, apenas Aracaju possui Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) classificado como alto, concentrando cerca de 45% do Produto Interno Bruto estadual.
Segundo justificativa do governo, grande parte dos municípios sergipanos possui expressiva população rural, com limitações no acesso a infraestrutura básica, como estradas pavimentadas, saneamento e segurança hídrica. “Diante desse cenário, o Programa Mais Sergipe foi estruturado para promover investimentos integrados que fortaleçam a economia local, ampliem o acesso a serviços públicos e melhorem a qualidade de vida da população”, informou no projeto aprovado em única sessão legislativa.
A nova operação de crédito, aprovada com os votos contrários dos deputados Georgeo Passos (Cidadania), Marcos Oliveira (PL) e Linda Brasil (Psol), terá prazo total de até 20 anos, com carência de cinco anos e desembolso também previsto para cinco anos. O financiamento será contratado em dólar americano, com taxa variável baseada na Secured Overnight Financing Rate (SOFR) acrescida de margem contratual, além de comissões previstas no contrato. O Estado poderá vincular receitas como contragarantia à garantia da União, conforme autorizado pela legislação federal.
Todas as obras e serviços prometidos pelo governo para justificar os empréstimos poderiam ser executados com recursos próprios, sem o endividamento do estado. Mas o governador prefere contrair dívidas – inclusive para demitir pessoal – mantendo dinheiro vivo em caixa para torrar durante o ano eleitoral que já está começando.
A polêmica sobre os empréstimos se dá em função de o governo dispor em caixa de R$ 2 bilhões fruto da concessão parcial da Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso para a Iguá Saneamento. A justificativa do governo é de que o dinheiro está aplicado no mercado financeiro rendendo quase 15% ao mês, enquanto os empréstimos serão tomados com juros em torno de 6% ao mês, o que provocou dúvidas.
A volúpia do governador Fábio Mitidieri em contrair empréstimos desnecessários vai deixar os próximos governadores de mãos amarradas, trabalhando apenas para pagar a pesada conta.
Pintura sobre tela da artista Inês D’Ávila

Remuneração dos governadores

Levantamento feito pelo portal Uol mostra que Fábio Mitidieri, de Sergipe, um dos estados mais pobres do país, continua sendo o campeão em remuneração entre todos os chefes dos executivos estaduais. Seus R$ 44 mil mensais, são mais que o dobro do que ganha Elmano de Freitas (PT), do Ceará, com R$ 20.629,59.
O salário bruto do presidente da República é de R$ 46.366,19 mensais desde fevereiro de 2025, valor que é o mesmo para ministros, senadores e deputados federais. Após descontos obrigatórios (IR e Previdência) o valor líquido recebido varia, mas gira em torno de R$ 33 mil.
Quanto ganham os governadores de cada estado?
Sergipe – Fábio Mitidieri (PSD) – R$ 44.008,52
Acre – Gladson Cameli (PP) – R$ 40.137,69
Minas Gerais – Romeu Zema (Novo) – R$ 39.717,69
Mato Grosso do Sul – Eduardo Riedel (PSDB) – R$ 35.462,27
Rondônia – Marcos Rocha (União) – R$ 35.462,22
Rio Grande do Sul – Eduardo Leite (PSDB) – R$ 35.462,22
Bahia – Jerônimo Rodrigues (PT) – R$ 36.171,46
Pará – Helder Barbalho (MDB) – R$ 35.363,55
São Paulo – Tarcisio de Freitas (Republicanos) – R$ 34.572,89
Roraima – Antonio Denarium (PP) – R$ 34.299,00
Amazonas – Wilson Lima (União) – R$ 34.070,00
Piauí – Rafael Fonteles (PT) – R$ 33.806,39
Paraná – Ratinho Junior (PSD) – R$ 33.763,00
Amapá – Clecio Luis (Solidariedade) – R$ 33.000,00
Paraíba – João Azevedo (PSB) – R$ 32.434,82
Espírito Santo – Renato Casagrande (PSB) – R$ 30.971,84
Mato Grosso – Mauro Mendes (União) – R$ 30.862,79
Distrito Federal (Brasília) – Ibaneis Rocha (MDB) – R$ 29.951,94
Alagoas – Paulo Dantas (MDB) – R$ 29.365,63
Goiás – Ronaldo Caiado (União) – R$ 29.234,38
Tocantins – Wanderlei Barbosa (Republicanos) – R$ 28.070,00
Santa Catarina – Jorginho Mello (PL) – R$ 25.322,25
Pernambuco – Raquel Lyra (PSDB) – R$ 22.000 (mas ela recebe R$ 42.145,88 como procuradora do estado)
Rio Grande do Norte – Fátima Bezerra (PT) – R$ 21.914,76
Rio de Janeiro – Claudio Castro (PL) – R$ 21.868,14
Ceará – Elmano de Freitas (PT) – R$ 20.629,59

Orçamento do estado

o Projeto de Lei nº 292/2025, de autoria do Poder Executivo, que dispõe sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) do Estado de Sergipe para o exercício financeiro de 2026, estima a receita e fixa a despesa do Estado em R$ 19,27 bilhões, contemplando os Orçamentos Fiscal, da Seguridade Social e de Investimentos das empresas estatais não dependentes.
De acordo com o projeto, os recursos previstos atendem aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público, Defensoria Pública, órgãos, fundos e entidades da administração direta e indireta. O texto também assegura investimentos em áreas estratégicas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
A LOA 2026 foi elaborada em consonância com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Plano Plurianual (PPA 2024-2027), observando os princípios da responsabilidade fiscal e do equilíbrio das contas públicas. O projeto prevê ainda a autorização para abertura de créditos suplementares, dentro dos limites legais, garantindo flexibilidade à execução orçamentária ao longo do exercício.
Segundo a propositura do Poder Executivo, o orçamento aprovado “reflete um planejamento voltado ao crescimento sustentável, à ampliação dos investimentos públicos e à melhoria da qualidade de vida da população sergipana, assegurando recursos para a continuidade de políticas públicas e ações estruturantes em todas as regiões do Estado”.
Orçamento sempre foi considerado uma peça de ficção. Quase tudo é alterado ao longo do ano, sem a necessidade de nova anuência legislativa.

Desemprego em queda

Com o desemprego no mais baixo patamar de sua série histórica (5,2%), o Brasil também celebra uma cifra superlativa na geração de empregos com carteira assinada. Segundo dados do Novo Caged divulgados na terça-feira (30), pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o país superou o marco de 5 milhões de empregos formais gerados desde janeiro de 2023.
Em novembro de 2025, o saldo positivo foi de 85.864 postos de trabalho, resultado de 1.979.902 contratações e 1.894.038 desligamentos. Com isso, o país chegou a 49,09 milhões de vínculos formais ativos, o maior registrado na série histórica do Novo Caged.
Em novembro, os estados com maiores saldos absolutos foram São Paulo (+31.104), Rio de Janeiro (+19.961) e Pernambuco (+8.996). Nas variações relativas, os destaques foram Paraíba (+0,7%), Amazonas (+0,6%) e Alagoas (+0,6%).
No mês, o estado de Sergipe registrou 12.221 admissões e 10.247 demissões, saldo positivo de 1.974 (0,55%). No ano, o estado atingiu 148.002 admissões e 130.839 demissões, saldo positivo de 17.839 (5,21%) postos de trabalho com carteira.

Bets e incentivos

Sancionada na sexta-feira (26), a Lei Complementar 224, de 2025, muda a forma como a União concede benefícios fiscais e tributa alguns setores da economia. A norma reduz incentivos tributários hoje existentes, cria regras mais rígidas para novas concessões, limita o volume total de renúncias fiscais e aumenta a tributação de apostas esportivas on-line (bets), fintechs e dos juros pagos pelas empresas aos sócios.
A lei aumenta, de forma gradual, a tributação das casas de apostas esportivas on-line (bets). Parte do valor arrecadado será destinada à seguridade social e a ações de saúde. O texto ainda prevê punições para quem divulgar apostas não autorizadas ou permitir transações com empresas irregulares.
No setor financeiro, a contribuição social paga por fintechs e instituições de capitalização sobe aos poucos até chegar a 20% em 2028.
Já os juros sobre o capital próprio (JCP) – uma forma de remuneração paga pelas empresas aos sócios – passam a ser tributados em 17,5% de Imposto de Renda na fonte.
Com agências

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