Eleições 2026: família Bolsonaro elege quatro dos oito candidatos, Flávio vai ao segundo turno e três ficam na suplência
Na terça-feira (06/10/2026), a atualização dos resultados das Eleições Gerais de 2026 mostra que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro converteu em quatro mandatos legislativos as oito candidaturas identificadas anteriormente pelo Jornal Grande Bahia (JGB). Foram eleitos Michelle Bolsonaro, para o Senado pelo Distrito Federal; Carlos Bolsonaro, senador por Santa Catarina; Jair Renan Bolsonaro, deputado federal por Santa Catarina; e Renato Bolsonaro, deputado federal por São Paulo. Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, avançou para o segundo turno, enquanto Rogéria Bolsonaro, Valéria Bolsonaro e Marcelo Bolsonaro ficaram sem mandato e aparecem como suplentes nas respectivas disputas proporcionais.
O levantamento publicado pelo JGB antes da votação havia identificado oito integrantes do núcleo familiar concorrendo em quatro unidades da Federação — Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal — além da eleição presidencial. Todos concorreram pelo Partido Liberal (PL), legenda 22, embora os números individuais na urna variassem conforme o cargo disputado.
O resultado confirma a expansão territorial das candidaturas associadas diretamente à família. Dos oito nomes relacionados pelo JGB, quatro saíram do primeiro turno com mandatos assegurados, três terminaram na suplência e um, Flávio Bolsonaro, permanece na disputa presidencial, cujo segundo turno está marcado para 25/10/2026.
Flávio Bolsonaro lidera primeiro turno e enfrenta Lula em 25 de outubro
Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro, concorreu à Presidência da República pelo PL, número 22. Segundo a atualização divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral quando 99,99% das urnas estavam totalizadas, Flávio recebeu 56.104.268 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%, naquele estágio da totalização. Os dois avançaram ao segundo turno.
A candidatura presidencial representa a posição eleitoral de maior projeção alcançada pela família em 2026. Flávio chegou ao pleito exercendo mandato de senador pelo Rio de Janeiro e tendo anteriormente ocupado cadeira de deputado estadual. Como a Presidência exige maioria absoluta dos votos válidos, seu desempenho no primeiro turno não configura eleição; a definição ocorrerá na votação de 25 de outubro.
Assim, entre os oito integrantes relacionados no levantamento original do JGB, Flávio é o único cuja situação permanece eleitoralmente aberta após o primeiro turno.
Michelle Bolsonaro é eleita senadora pelo Distrito Federal
Michelle Bolsonaro, esposa de Jair Bolsonaro e ex-primeira-dama da República, disputou pela primeira vez um cargo eletivo e foi eleita senadora pelo Distrito Federal. Filiada ao PL, concorreu com o número 222 e recebeu 938.496 votos, equivalentes a 29,05% dos votos válidos para o Senado.
Michelle terminou como a candidata mais votada para o Senado no Distrito Federal. A segunda vaga ficou com Bia Kicis (PL), que obteve 886.616 votos, ou 27,44%. Dessa forma, o PL conquistou as duas cadeiras senatoriais em disputa no DF.
A eleição leva Michelle diretamente ao Congresso Nacional para um mandato de oito anos, de 2027 a 2035, ampliando a presença institucional da família no Senado.
Carlos Bolsonaro deixa política municipal e conquista vaga no Senado por Santa Catarina
Outro resultado relevante ocorreu em Santa Catarina. Carlos Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, foi eleito senador pelo estado depois de transferir seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro, onde exerceu sucessivos mandatos como vereador. Filiado ao PL, Carlos concorreu com o número 222.
Com a totalização encerrada, Carlos recebeu 2.041.840 votos, ou 25,35% dos votos válidos para o Senado. A outra vaga catarinense ficou com Carol de Toni (PL), que recebeu 2.694.918 votos, correspondentes a 33,46%.
O resultado transfere Carlos de uma trajetória essencialmente municipal para o Legislativo federal. Segundo a Agência Senado, ele havia exercido sete mandatos consecutivos na Câmara Municipal do Rio de Janeiro antes da mudança de domicílio eleitoral para Santa Catarina.
Jair Renan Bolsonaro é eleito deputado federal por Santa Catarina
Jair Renan Valle Bolsonaro, filho mais novo do ex-presidente, também foi eleito em Santa Catarina. Vereador de Balneário Camboriú desde 2024, ele disputou a Câmara dos Deputados pelo PL, utilizando na urna o nome “Jair Bolsonaro” e o número 2222.
Na totalização final, Jair Renan alcançou 131.555 votos, equivalentes a aproximadamente 3,09% dos votos válidos para deputado federal no estado. O resultado garantiu seu primeiro mandato no Congresso Nacional.
A eleição representa uma rápida mudança de escala em sua carreira eleitoral: depois de conquistar uma cadeira de vereador em 2024, Jair Renan chega à Câmara dos Deputados apenas dois anos depois.
Renato Bolsonaro conquista mandato de deputado federal em São Paulo
Renato Antônio Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi eleito deputado federal por São Paulo pelo PL, número 2222. Ele recebeu 379.312 votos, ou 1,60% dos votos válidos, terminando como o sexto candidato mais votado para a Câmara dos Deputados no estado.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo registrou Renato entre os eleitos pelo quociente partidário. A votação colocou o candidato atrás apenas de Lucas Pavanato, Erika Hilton, Sâmia Bomfim, Kim Kataguiri e Tabata Amaral na classificação nominal paulista.
A vitória também marca a primeira chegada de Renato à Câmara dos Deputados depois de candidaturas anteriores a cargos municipais no estado.
Rogéria Bolsonaro recebe 65 mil votos, mas fica como suplente no Rio
Rogéria Nantes Braga Bolsonaro, primeira ex-esposa de Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, tentou retornar à política eletiva concorrendo a deputada federal pelo Rio de Janeiro. Filiada ao PL, utilizou o número 2244.
Rogéria recebeu 65.496 votos, cerca de 0,74% dos votos válidos, e terminou na 46ª posição entre 765 candidatos, de acordo com a totalização baseada nos arquivos oficiais do TSE. O resultado foi insuficiente para assegurar uma das cadeiras destinadas ao Rio de Janeiro, deixando-a na condição de suplente.
Embora não tenha sido eleita, sua votação de 2026 superou numericamente os resultados obtidos em suas candidaturas municipais anteriores. Rogéria já havia exercido mandato de vereadora do Rio de Janeiro nos anos 1990.
Valéria Bolsonaro perde mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo
Valéria Muller Ramos Bolsonaro, deputada estadual por São Paulo desde 2019, buscou um terceiro mandato consecutivo pelo PL, utilizando o número 22922. Ela havia sido eleita em 2018 com 54.519 votos e reeleita em 2022 com 131.557.
Em 2026, Valéria recebeu 51.274 votos, equivalentes a 0,22% dos votos válidos. A votação não foi suficiente para renovar o mandato, e ela ficou como suplente do PL na disputa pela Assembleia Legislativa paulista.
Valéria integra o núcleo familiar por casamento: é casada com Luís Oscar Bolsonaro, primo de segundo grau de Jair Bolsonaro. Portanto, embora utilize eleitoralmente o sobrenome Bolsonaro, seu vínculo com o ex-presidente decorre do casamento com um integrante da família.
Marcelo Bolsonaro disputa Alesp e recebe 8,9 mil votos
Marcelo Bolsonaro, apontado nas fontes que embasaram o levantamento das dinastias eleitorais como primo distante de Jair Bolsonaro, também concorreu à Assembleia Legislativa de São Paulo. Filiado ao PL, disputou com o número 22202.
Marcelo recebeu 8.904 votos, equivalentes a 0,04% dos votos válidos. Não conquistou uma cadeira e ficou na condição de suplente.
Foi o menor resultado nominal entre os oito familiares considerados no levantamento original publicado pelo JGB.
Os oito candidatos da família Bolsonaro e o resultado das urnas
- Flávio Bolsonaro — filho de Jair Bolsonaro; PL, legenda 22; número 22; candidato a presidente da República; 56.104.268 votos e 47,03% na apuração de 99,99% divulgada pelo TSE; disputa o segundo turno.
- Michelle Bolsonaro — esposa de Jair Bolsonaro; PL, legenda 22; número 222; candidata ao Senado pelo Distrito Federal; 938.496 votos (29,05%); eleita senadora.
- Carlos Bolsonaro — filho de Jair Bolsonaro; PL, legenda 22; número 222; candidato ao Senado por Santa Catarina; 2.041.840 votos (25,35%); eleito senador.
- Jair Renan Bolsonaro — filho de Jair Bolsonaro; PL, legenda 22; número 2222; candidato a deputado federal por Santa Catarina; 131.555 votos; eleito deputado federal.
- Renato Bolsonaro — irmão de Jair Bolsonaro; PL, legenda 22; número 2222; candidato a deputado federal por São Paulo; 379.312 votos; eleito deputado federal.
- Rogéria Bolsonaro — ex-esposa de Jair e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo; PL, legenda 22; número 2244; candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro; 65.496 votos; não eleita, suplente.
- Valéria Bolsonaro — integrante da família por casamento; PL, legenda 22; número 22922; candidata à reeleição como deputada estadual por São Paulo; 51.274 votos; não reeleita, suplente.
- Marcelo Bolsonaro — primo distante de Jair Bolsonaro; PL, legenda 22; número 22202; candidato a deputado estadual por São Paulo; 8.904 votos; não eleito, suplente.
Resultado amplia presença da família no Congresso
O primeiro turno produziu uma configuração definida para sete das oito candidaturas relacionadas pelo JGB: Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro chegam ao Senado; Jair Renan e Renato Bolsonaro entram na Câmara dos Deputados; Rogéria, Valéria e Marcelo Bolsonaro não conquistaram mandato. A oitava candidatura, de Flávio Bolsonaro, será decidida no segundo turno presidencial.
O resultado também mostra que o desempenho eleitoral da família não foi uniforme. As candidaturas majoritárias de Michelle e Carlos asseguraram cadeiras no Senado, enquanto Jair Renan e Renato converteram suas votações em mandatos proporcionais. Em sentido contrário, Rogéria obteve votação relevante no Rio, mas permaneceu na suplência; Valéria perdeu a cadeira que ocupava na Alesp; e Marcelo ficou distante da faixa de votação dos eleitos.
A atualização confirma, portanto, parte do cenário levantado pelo Jornal Grande Bahia antes da votação: o sobrenome e as redes políticas familiares ampliaram a presença dos Bolsonaro em diferentes estados, mas não produziram vitória automática. Como ocorre em qualquer disputa eleitoral, a conversão desse capital político em mandato permaneceu condicionada à votação e, nas eleições proporcionais, também às regras de distribuição das cadeiras.
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