EDITORIAL: Cancelas abertas
A canetada beneficiará produtores e cooperativas que registraram perdas entre 2019 e 2025
Se alguém ainda dúvida da imensa força política da bancada ruralista, tem de prestar mais atenção ao noticiário. Nas entrelinhas das manchetes, nos bastidores do poder, nota-se a influência e o peso econômico do agro nacional.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, anunciou ontem um acordo firmado com o governo federal, a fim de postergar o pagamento de uma dívida bilionária, poupando produtores rurais de suas obrigações, por meio de Medida Provisória. A canetada beneficiará produtores e cooperativas que registraram perdas entre 2019 e 2025.
Não se trata de qualquer moeda, dois tostões furados. Segundo as projeções do Ministério da Fazenda, o volume negociado pode chegar a R$ 100 bilhões em dívidas. De acordo com o texto da MP, há carência de dois anos para o pagamento da primeira parcela, que pode se estender, em alguns casos, a até uma década de prazo para a regularização de todas as pendências.
Convém mencionar que a mesma bancada com o poder de articular um acordo tão volumoso, advoga também pela suspensão de exigências ambientais. Assim, um boi depois do outro, pela cancela arreganhada do Congresso, passa uma boiada inteira.
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